Coluna do Gerson Nogueira – 13.03.15

13 de março de 2015 at 3:38 pm Deixe um comentário

O enigma Val Barreto

Paira um imenso ponto de interrogação sobre Val Barreto, atacante que o Remo contratou há três anos e que ao longo do tempo caiu nas graças do torcedor. Infelizmente para ele, apenas do torcedor. Sem padrinho forte no Evandro Almeida, todos os técnicos que passam pelo clube, de Charles a Roberto Fernandes, incluindo o atual, não lhe dão a chance de pelo menos ter sequência no time titular.
Quando entra é sempre na bacia das almas, ali nos 15 minutos finais ou quando algum titular se contunde. No ano passado, Roberto Fernandes chegou a afirmar publicamente que o jogador estava acima do peso, com percentual de gordura inaceitável para um atleta.
Curiosamente, sempre que entrou no time, Barreto fez bom papel. Não é um estilista da grande área, mas cultiva o estilo trombador, pesado e de chutes fortes de média distância. Sempre se destacou pelas boas atuações diante do Papão, fato que ajuda a explicar o carinho da torcida remista por ele. Ganhou até apelido ilustre, Balotelli do Baenão. Nada disso, porém, comoveu os “professores”.
Com Zé Teodoro, sua situação piorou. O técnico solicita a contratação de outro centroavante, embora o jogador não tenha sido testado de verdade até agora, mesmo com a baixa produção ofensiva do time. A rigor, o titular do ataque tem sido Flávio Caça-Rato, que nem atacante de referência é. Rafael Paty entra no decorrer dos jogos, também com baixo aproveitamento.
Em meio a isso, Barreto, ao lado de Ratinho, amarga a geladeira e parece fora dos planos. Até mesmo sua dispensa ou liberação para outros times do Parazão chegou a ser discutida pela diretoria há algumas semanas.
Sua permanência (e significância) é questionada, mas o tempo pode conspirar em seu favor. Nas três competições que o Remo disputa neste primeiro semestre, certamente chegará o momento em que sua escalação se torne obrigatória.

De bafo em bafo, CBF leva na flauta

Dona CBF não perde a mania de contar bafo. Reuniu a imprensa ontem para alardear que está fomentando desde 2010 várias novas competições nas categorias profissional, de base e futebol feminino. Há cinco anos, eram seis torneios organizados pela entidade. Atualmente, são 13. Segundo a assessoria, o número de campeonatos foi mais do que dobrado em cinco anos: 117% de aumento. Em 2015, dois torneios de base são estreantes: o Campeonato Brasileiro Sub-20 e a Copa do Nordeste Sub-20.
“Estamos retomando as competições regionais, em locais onde existe a paixão pelo futebol, mas onde não havia competições chanceladas pela CBF. O objetivo é sempre estimular e fortalecer o futebol nessas regiões”, afirmou o diretor de Competições da CBF, Manoel Flores.
Citou as competições regionais, Copa do Nordeste e Copa Verde. No âmbito nacional, são disputadas a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro Séries A, B, C e D. Ao todo, serão realizados 1.804 jogos. Aumento de 51% em relação aos 1.192 jogos disputados em 2010.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas a CBF devia se envergonhar de não dar aos clubes disputantes, principalmente dos torneios mais modestos, como Copa Verde e séries B, C e D, as condições necessárias para que possam disputar dignamente as competições.
Na prática, apesar dessa enxurrada de números, a situação segue exatamente igual ao cenário de 2010, com ênfase e prioridade absolutas para a Série A. O resto que se vire – ou se dane.

Beques em alta e brucutu esperançoso

A semana tem sido pródiga em expor os brasileiros que jogam no exterior. Alguns tiveram presença extremamente positiva, reabilitadora até. Casos específicos de Tiago Silva e David Luiz, que garantiram – com gols e bravura – a classificação do Paris Saint Germain às quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.
Há, também, o reverso da moeda, como William, Fernandinho, Oscar e Ramires, titulares do Chelsea de José Mourinho, que acabaram ficando pelo caminho na pretensão de brigar por nova conquista europeia. O time lidera o certame inglês, mas tropeçou na empáfia de seu treinador, que chegou a afirmar que seus treinos eram mais intensos e difíceis do que os jogos do campeonato francês. Deu no que deu.
Ressurgem também figuras há algum tempo esquecidas, relegadas ao limbo do futebol pelo menos na visão dos torcedores. Felipe Melo, o verdugo da Copa de 2010, responsável por tesouras voadoras espetaculares e um dos pivôs da eliminação da Seleção contra a Holanda de Robben, em Porto Elizabeth.
Com ar de craque indiscutível (na opinião dele), deu entrevista no Rio dizendo de sua felicidade com a volta de Dunga ao comando de escrete. Sinal de que já projeta retorno triunfal à ribalta, pronto a sair distribuindo pernadas e coices, bem ao seu estilo. Azar o nosso.
Em meio a isso, há o ex-lépido Bernard. Na Copa do Mundo, foi cantado em prosa e verso por Felipão, que acreditava ter o arisco ponta “alegria nas pernas”, seja lá o que isso for. Deu o azar de ser lançado na fatídica partida contra a Alemanha e afundou junto com o time todo.
Agora, sondado pelo Corinthians, surge a informação de que ganha R$ 1 milhão por mês na Ucrânia. Belo salário para pouquíssimo futebol. Nem os cartolas corintianos, famosos pela falta de juízo, arriscaram cobrir a esse fabuloso ordenado.

Choque-rei: patrimônio imaterial

Com 100 anos e mais de 700 partidas, o Re-Pa, nosso clássico “rei” da Amazônia e o mais disputado do futebol brasileiro, pode ser declarado patrimônio imaterial do Estado. Um projeto de lei nesse sentido foi protocolado ontem na Assembleia Legislativa pelo deputado Soldado Tércio (Pros). Boa iniciativa.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 12.03.15 Coluna do Gerson Nogueira – 14.03.15

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