Coluna do Gerson Nogueira – 14.03.15

14 de março de 2015 at 2:13 pm Deixe um comentário

Um Papão diferente

Que não é o mesmo time do primeiro turno, todo mundo já sabe. Até porque vários jogadores estão lesionados e desfalcam a equipe. A diferença tem a ver com a mudança de estilo. E isso tem um nome: Dado Cavalcanti. O Papão de hoje cultiva mais o toque de bola e as saídas rápidas. Com Sidney Moraes, até um mês atrás, o método era outro: prevaleciam as bolas esticadas e os cruzamentos na área, lembrando muito a era Mazola Junior.

É verdade que só foi possível avaliar o trabalho do novo técnico contra o Nacional-AM, mas percebe-se a mudança de comportamento na maneira de atuar. O meio-de-campo deixou de ser essencialmente marcador, passando a confiar mais nas qualidades de seus volantes. Augusto Recife, que sempre funcionou como um meia-armador disfarçado, assumiu de vez a relevância na criação.

Infelizmente, para Dado Cavalcanti, Recife está suspenso e será um dos desfalques para o confronto de hoje contra o Castanhal, abrindo o returno do Campeonato Paraense. Será substituído por Ricardo Capanema, de perfil mais marcador e que costuma ficar como cão de guarda à frente da linha de defesa.

Ao contrário de Recife, Capanema quase não se afasta daquela faixa de mais ou menos 15 metros entre a meia-lua e a intermediária. Cumpre com disciplina férrea e até algum exagero a missão de proteger os zagueiros.

À frente de Capanema estarão Jonathan e Radamés, servindo de escolta para Carlinhos Madureira, que ganha nova chance como titular diante da ausência de Rogerinho, lesionado. Caso reproduza a capacidade de aproximação mostrada contra o Nacional, Dado tem boas chances de estrear com sucesso no Parazão.

O ataque, que ainda espera por Souza para ter uma referência na área, terá novamente a dupla Bruno Veiga/Aylon. Velocidade e inversão de posicionamento são os trunfos da linha ofensiva.

Aylon tenta reproduzir em campo a movimentação que Ruan desenvolvia na Série C, puxando as jogadas pelo meio e trocando passes com Pikachu e Veiga. O novato foi muito bem contra os amazonenses e por enquanto se segura como titular. Talvez a sombra do Caveirão esteja fazendo Aylon se mexer ainda mais, o que é altamente positivo para o Papão.

Como o campeonato é de tiro curto e metade já foi disputada, o Papão de Dado tem que acumular todos os pontos possíveis para evitar a repetição do vexame do primeiro turno. Para isso, a ordem é buscar vitórias, até mesmo fora de casa, como hoje.

Castanhal tenta a reabilitação

O Castanhal entrou bem credenciado no Parazão, importando técnico e alguns reforços, mas frustrou as expectativas. Apesar disso, despediu-se do primeiro turno com boa atuação contra o Remo no Mangueirão. Perdeu por 1 a 0, mas podia ter se dado bem se aproveitasse as três chances que teve para matar o jogo.

Sob o comando de Ricardo Estrade, que substituiu a Carlos Alberto Dias, o time se reconstrói a partir do meio-campo, onde conta com Analdo, Billy e Lineker. Com um ataque capenga no primeiro turno, o clube aposta suas fichas no estreante Fernando Sá. A conferir.

Um preço justo para a bravura

O Paris Saint Germain abre o cofre para premiar seus bravos jogadores pela classificação arrancada em Londres. O rico clube francês está pagando R$ 900 mil aos atletas e, em caso de conquista do título da Liga dos Campeões, cada jogador irá embolsar a fábula de R$ 2,5 milhões, contando as premiações cumulativas.

Quem pode, pode.

A enganação como moeda vigente

Em programa da ESPN, ontem, o bom José Trajano pôs o dedo na ferida. Alguns jogadores continuam supervalorizados no Brasil, mesmo depois de todo o rebuliço causado pela tragédia de Belo Horizonte durante a última Copa do Mundo.

Citou, particularmente, o atacante Alexandre Pato, que muitos ainda consideram uma promessa. Como Trajano, há um bom tempo que vejo em Pato apenas um atacante jovem, com habilidade, mas sem nenhum recurso que o diferencie de tantos outros.

Aliás, Pato lembra perigosamente Caio Ribeiro, que perambulou por grandes clubes (São Paulo, Internazionale, Botafogo) sem jamais ter escapado da condição de mediano. Jogava bonitinho, mas o futebol era ordinário. Contou com bons empresários e deve ter faturado um bom dinheiro ao longo da carreira, que encerrou sem ninguém perceber.

Pato, que foi apontado como grande esperança quando foi lançado no Internacional, já teve tempo suficiente para mostrar a que veio. Esteve no Milan, contando com todos os privilégios decorrentes de ser o namorado da filha do próprio Berlusconi, proprietário do clube. Podia ter se consagrado, mas afundou junto com o esquadrão rubro-negro de Milão.

Voltou ao Brasil para defender – a peso de ouro – o Corinthians, mas lá não ficou mais do que seis meses. Logo se percebeu sua inadaptação ao futebol corrido e exaustivo que o Timão adota. Para se livrar de Pato, o clube topou até fazer acordo generoso com o tradicional rival São Paulo.

Hoje, Pato forma ao lado de Luís Fabiano e Alan Kardec a trinca de atacantes improdutivos do Tricolor paulista, contribuindo significativamente para o desgaste que ronda Muricy Ramalho. Faz poucos gols, mas continua em alta no mercado e contando com as boas graças da mídia paulistana, só não se sabe até quando.

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