Coluna do Gerson Nogueira – 24.03.15

24 de março de 2015 at 7:09 pm Deixe um comentário

Olho gordo é um perigo

De pires na mão, vendendo o almoço para comprar o jantar, o nosso futebol parece ter desistido de aprender com seus próprios erros. Diante da auspiciosa chance de tirar o pé da lama, com três clássicos (um pelo Parazão e dois pela Copa Verde) em menos de um mês, eis que a primeira medida tomada pelos clubes já colide com o bom senso.
Pela necessidade de garantir faturamento, os clubes concordaram em estipular o preço dos ingressos para o Re-Pa de domingo, 29, em R$ 50,00 (arquibancada) e R$ 100,00 (cadeira). Quem se antecipar, terá direito a um desconto de 20% e o preço cai para R$ 40,00 e R$ 80,00, respectivamente.
O problema não está nos preços, mas na ocasião e no grau de importância do jogo. Primeiro da fila da trinca de clássicos, o Re-Pa valendo pela fase classificatória do returno do Campeonato Paraense não decide absolutamente nada. É forte, aliás, a possibilidade de não interferir na colocação dos rivais na competição.
É claro que o torcedor sabe disso. Sabe, também, que virão mais dois clássicos realmente decisivos, válidos pela semifinal da Copa Verde, sendo que o primeiro acontecerá no domingo seguinte, 5 de abril. Por mais interesse que o Re-Pa desperte no coração dos desportistas paraenses, há sempre um limite a ser observado.
Os preços que serão cobrados para esta partida seriam mais adequados para os outros dois jogos. Por ora, ficaria de bom tamanho cobrar ingressos de arquibancada a R$ 20,00, valor mais compatível com a natureza do clássico e que permitiria um público maior no Mangueirão. Com chuvas constantes, dinheiro curto e transmissão em TV aberta, os riscos de fiasco de público são imensos.
Por outro lado, não vejo ganância excessiva na decisão dos dirigentes, como muitos querem crer. Observo apenas certo açodamento, angústia até, em resolver os sérios problemas de caixa dos dois grandes clubes. Todos sabem das dificuldades que as diretorias enfrentam para custear a estrutura do futebol, situação agravada pela disputa de um campeonato deficitário.
Só que, da maneira como foi acordado entre as duas diretorias, o remédio em dose excessiva pode acabar matando o paciente.

Águia ensaia desistência da Série C

A notícia caiu como bomba nos arraiais do futebol local, ontem, no final da tarde. O Águia de Marabá cogita a possibilidade de desistir da disputa da Série C deste ano. Sem suporte financeiro, enfrentando a pior crise de sua história e há dois anos fora da elite do futebol paraense, a diretoria do clube prefere abrir mão da vaga a ter que se endividar ainda mais.
O presidente Sebastião Ferreira informou que diretores e conselheiros irão reunir no fim de semana para discutir e tomar a decisão final, mas admite que a tendência é pela desistência. Para azedar ainda mais a situação, um ex-dirigente entrou ontem com ação judicial cobrando R$ 2,4 milhões do clube.
Único representante paraense na Terceira Divisão, o Águia fez campanha heroica nos últimos dois anos, safando-se do rebaixamento nas rodadas finais. Caso saia da competição deste ano, o clube sofrerá punição por parte da CBF e cairá automaticamente, ficando sem divisão para 2016.
Péssima notícia para o já enfraquecido futebol do Pará.

A Copa Verde e o desperdício de ideias

Há situações em que a derrota parece subir à cabeça de certas figuras. Acontece em todos os níveis, até mesmo na alta esfera política, como se viu no período pós-eleitoral. Seguindo a maré, dirigente do Remo resolveu tornar público o seu desinteresse pela Copa Verde: “um desperdício”, segundo ele.
Ora, ora, mas justamente o Leão Azul terá a pachorra de esnobar um torneio que garante boa visibilidade nacional, rendas tentadoras e ainda qualifica para a Sul-Americana? Incrível.
E há ainda o mau jeito embutido na declaração, que funciona como desestímulo aos atletas para a batalha em dois jogos contra o maior rival.
Custo a crer que os demais diretores e conselheiros compartilhem desse sentimento. A não ser que a intenção seja justificar por antecipação um eventual fracasso na semifinal. Se for isso, será preciso urgentemente combinar com os russos – no caso, os torcedores remistas.

Se a moda pega por aqui…

Carlos Sergio Falcão, presidente do Vitória, renunciou ao cargo nesta segunda-feira. Entregou a carta de demissão anunciando oficialmente sua saída ao presidente do Conselho Deliberativo do clube, Silvoney Sales, que assume interinamente até a eleição do novo presidente.
Falcão decidiu pedir o boné depois da derrota do Vitória para o Colo Colo, no último sábado. Com o resultado, o time rubro-negro foi eliminado do Campeonato Baiano.

Iarley e a inesquecível façanha na Bombonera

Ao participar de mesa-redonda na ESPN sobre a Copa Libertadores, o ex-jogador Iarley foi indagado sobre o momento mais importante de sua carreira. Instado a escolher entre duas opções, o título mundial do Internacional sobre o Barcelona e a vitória do Papão sobre o Boca Jrs. na Bombonera, ele foi seco e direto: “A vitória do Papão da Curuzu, sem dúvida. Foi ali que tudo começou pra mim. Ganhei projeção e prestígio”.

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CHUMBO GROSSO – Paulo Fernando – 23.03.15 Bola pra frente – Claudio Guimarães – 24.03.15

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