Coluna do Gerson Nogueira – 30.03.15

30 de março de 2015 at 3:15 pm Deixe um comentário

Um passeio alviceleste

Foi pouco. Pelo que o Papão produziu durante o primeiro tempo, o placar deveria ter sido bem mais dilatado. O 3 a 1 retrata a tranquila superioridade no jogo, mas não é revelador do que foi a pressão avassaladora dos primeiros 20 minutos, quando o ataque alviceleste fez um gol e perdeu três. No segundo tempo, o Remo voltou a sofrer gol logo de cara e se perdeu de vez. Ainda descontou, mas levou o terceiro logo em seguida.
A tarde foi inteiramente favorável ao Papão no Mangueirão. A vitória se desenhou logo nos primeiros instantes, fato raro em clássicos. Não pelo placar de 1 a 0, plenamente reversível, mas pelo espírito vencedor que o Papão trouxe para o confronto.
Enquanto o Remo parecia hesitar até nos arremessos laterais, o Papão verticalizava o jogo. Os volantes Augusto Recife, Ricardo Capanema e Jonathan participavam intensamente das ações de bloqueio e não permitiam qualquer esboço de reação por parte dos remistas, que só deram o primeiro chute aos 19 minutos, com Val Barreto.
Antes disso, Bruno Veiga e Aylon já tinham aprontado o diabo na defesa azulina, incluindo uma bola na trave logo depois do gol de Dão. Com volantes menos participativos do que os do adversário, o Remo encontrava imensas dificuldades para se estabilizar em campo.
Eduardo Ramos, o mais lúcido, sofria de isolamento crônico, retendo a bola excessivamente por falta de opção de tabelas ou triangulações. Val Barreto mal pegava na bola entre os zagueiros do Papão e era obrigado a cair pela esquerda, deixando o ataque despovoado.
Do lado bicolor, Bruno Veiga e Aylon não entrava na área, mas puxavam o jogo pelos lados, atraindo a marcação dos zagueiros e abrindo espaço para que Rogerinho, Pikachu e Marlon se arriscassem no ataque.
Dado Cavalcanti deu mostras de que observou muito bem o Remo e seus muitos defeitos. Notou, por exemplo, que o time de Zé Teodoro costuma entrar desplugado e apático. Ao longo do campeonato, o Remo cansou de evidenciar esse déficit de atenção. O Papão entrou preparado para explorar isso e se deu bem.
O reinício da partida no segundo tempo premiaria a capacidade de observação do técnico do Papão, pois na primeira incursão bicolor rumo à área nasceu o penal infantil cometido por Jadilson. Pikachu converteu e o time passou a administrar inteligentemente o 2 a 0, tocando a bola e exasperando um atabalhoado Remo.
Sem encontrar um lugar para Bismarck, perdido entre os marcadores, e com Eduardo Ramos sobrecarregado com a dupla função de armador e atacante, o Remo mal trocava três passes. Expostos, os laterais Levy e Jadilson eram constantemente envolvidos pelas manobras de Pikachu, Jonathan, Veiga e Aylon. No centro da área, Ciro Sena e Igor João não escondiam a insegurança.
Imperturbável, o Papão conduzia a bola com passes curtos e rápidos, envolvendo todos os jogadores de meio e encontrando sempre alternativas pelos lados. O desenho de jogo, simples e óbvio, não era percebido por Zé Teodoro, que trouxe Flávio Caça-Rato para o lugar de Barreto. Rony substituiu Dadá. Como o time estava encaixotado pela melhor distribuição dos bicolores, nenhuma mudança de jogadores tinha como dar certo.
Quase ao final, Rafael Paty entrou no lugar de Bismarck para tentar o tradicional abafa. O Papão, acomodado, tocava a bola para os lados, deixando o tempo passar. Minutos depois, Levy foi empurrado por Romário e Paty bateu o pênalti, reanimando o combalido esquadrão azul.
O gol reanimou o Remo. Havia tempo para pressionar em busca do empate imerecido. Ocorre que quem chegou ao gol foi o Papão. Aproveitando-se de seguidos erros de passe nas laterais, Bruno Veiga, Pikachu e Jonathan voltaram a rondar com perigo a área.
Em jogada nascida de um arremesso lateral, a zaga hesitou na marcação, Jonathan foi mais rápido e a bola chegou a Bruno Veiga, que bateu rasteiro no canto direito de Fabiano. Festa da torcida do Papão, feliz com a partida impecável de seu time e as mexidas certas de seu técnico.

Veiga e Jonathan em tarde inspirada

O Papão jogou muito, fez por merecer o triunfo e isso deve ser atribuído ao excelente desempenho do conjunto, que se mostrou afiado e atento às orientações do técnico Dado Cavalcanti. Alguns jogadores, porém, estiveram em plano ligeiramente acima dos demais. Casos de Bruno Veiga, incansável nas investidas sobre a defesa remista; Augusto Recife, seguro como rocha em frente à zaga; e Jonathan, voltando aos bons tempos de quase meia-armador, esbanjando habilidade.
Veiga não perdeu uma disputa sequer com Levy e Alberto, seus marcadores mais constantes. Quase ao final, aplicou uma finta que fez Levy perder o equilíbrio e sair de campo. Marcou um gol em lance que combina bom posicionamento e perícia no arremate.
Jonathan foi quase perfeito atuando pelo lado direito do ataque, sem se descuidar do combate ao lado de Augusto Recife e Capanema, este mais dedicado a acompanhar Eduardo Ramos. No final da partida, antecipou-se aos dois beques do Remo e deu o passe para o gol de Veiga.
Augusto Recife fez o mais do mesmo. Quase não erra passes, mantém um estilo sóbrio e econômico, evitando se desgastar e ainda assim conseguindo impor marcação eficiente.
Do lado azulino, os melhores foram Fabiano, fazendo três excelentes intervenções; Bismarck, enquanto teve fôlego; e Eduardo Ramos, que, mesmo vigiado por Capanema e jogando sozinho, demonstrou lucidez e capacidade de organização.

Papão renasce e Leão corre perigo

Em termos de campeonato, a vitória renasce todas as esperanças do Papão, que agora só precisará se impor dentro da Curuzu contra São Francisco e Parauapebas para chegar à semifinal do returno. Mais que isso: tira a equipe da desconfortável rabeira na classificação geral.
Por ironia, todos os demais resultados da rodada favoreceram o Remo, que não conseguiu se ajudar e agora se encontra em situação aflitiva, pois terá que decidir sua classificação dentro da Arena Verde, em Paragominas. Não precisa ir muito longe para descobrir o quanto o Remo se atrapalha jogando lá, ainda mais tendo Charles Guerreiro no comando do PFC.
Com sete pontos, o Remo precisa vencer para ir à semifinal. Um empate pode até servir, dependendo dos outros jogos, mas a derrota praticamente decreta a eliminação e o fim do sonho de chegar à Série D.

Anúncios

Entry filed under: Uncategorized.

CHUMBO GROSSO – Paulo Fernando – 27.03.15 PAPO DO 40º – Ronaldo Porto – 30.03.15

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: