Coluna do Gerson Nogueira – 01.04.15

1 de abril de 2015 at 2:52 pm Deixe um comentário

Um tremendo desafio

O último técnico nativo a dirigir o Remo foi Charles Guerreiro no ano passado. Ele montou o time que acabaria campeão paraense da temporada. Depois dele, Agnaldo de Jesus também comandou o time interinamente, tendo o mérito de lançar Roni entre os titulares. É quase certo que, se dependesse de técnicos forasteiros, o atacante revelado no próprio clube não teria a menor chance de aproveitamento.
Cacaio é a bola da vez.
Depois de uma jornada tortuosa no primeiro trimestre do ano, o Remo modifica seu planejamento inicial e parte para uma aposta desesperada na mão-de-obra local. A opção pode dar certo, mas depende de uma série de fatores.
Zé Teodoro caiu porque fracassou na tarefa de montar um time competitivo. Teve quase todos os seus pedidos de contratação atendidos, mas não chegou nem perto de dar entrosamento básico à equipe.
Acumulou até bons resultados, mas obtidos com atuações pouco confiáveis. Estava sem perder há nove jogos quando encarou o primeiro clássico no campeonato. O desempenho foi pífio. Mais que a derrota, pesou na avaliação de seu trabalho o comportamento acovardado diante do maior rival.
O Remo parecia um time pequeno, assustado com a postura agressiva do adversário. Levou um gol logo no segundo minuto de jogo e passou o resto do tempo correndo atrás do prejuízo, defendendo-se das investidas inimigas, sem jamais tomar a iniciativa de reverter a situação.
Cacaio chega para mudar esse cenário. Já enfrenta, de cara, a perda de um atacante. Flávio Caça-Rato recolheu material ontem à tarde e deve deixar o clube. Não fez boas atuações, mas não pode ser crucificado, pois pouquíssimos jogadores escaparam à instabilidade do time.
Para o confronto com o Atlético-PR, amanhã, terá que montar uma estratégia de emergência. É provável que mantenha a base da escalação do Re-Pa, com o retorno de Roni ao ataque. No meio-campo, há pouco a fazer, pois Dadá, Alberto e Eduardo Ramos são titulares incontestáveis.
O grande drama está localizado na defesa, transformada em buraco negro do time. A ausência do titular Max tornou o setor ainda mais vulnerável do que antes, como ficou patente no jogo de domingo. Ciro Sena e Igor João são os titulares, mas não será surpresa se Cacaio optar por Yan.
Depois do Furacão virá a tempestade no deserto. Sem tempo para respirar, Cacaio sairá da Copa do Brasil e entrará na semifinal da Copa Verde. Novo duelo com o Papão. Jogo de alto risco, que pode conduzir à redenção perante a torcida ou afundar de vez na desesperança.
Para chegar bem ao clássico de domingo, o Remo precisará passar com sucesso pelo Atlético-PR. Um novo tropeço afetaria o moral da tropa e abateria ainda mais o time para a batalha decisiva pela Copa regional. O elenco está enfraquecido, faltam peças para alguns setores e não há como reforçar mais a essa altura.
Quando aceitou a missão, Cacaio sabia de tudo isso. Mostrou determinação e coragem em abraçar o maior desafio da carreira. Ídolo na Curuzu e ex-atleta do próprio Remo, vem obtendo bons resultados à frente de equipes medianas – Cametá, Paragominas, Tuna. Conhece bem a realidade, as manhas e os atalhos do futebol local. Foi contratado justamente por isso.
É possível que Cacaio obtenha êxito, mas precisará de apoio dos dirigentes, compreensão da torcida e sorte, muita sorte.

O futebol no reino da ficção

Dona CBF mudou de tática. Apedrejada quase diariamente por erros novos e antigos, parece ter cansado de ser saco de pancada e agora tenta virar o jogo. Através de sua assessoria de comunicação, a entidade vem reagindo diariamente, com informações sobre os campeonatos que promove.
O press-release enviado ontem reclama logo no primeiro parágrafo das críticas ao Brasileiro da Série A e à Seleção Brasileira “por alguns oportunistas”. Segundo a matéria, é preciso ser menos simplório, ou primário, para atribuir alguma seriedade ao debate. “Caso contrário, estes críticos de plantão vão continuar no mesmo lugar de sempre, ou seja, críticos de plantão”.
Em seguida, faz jorrar uma enxurrada de números para dar sustentação aos argumentos sobre o trabalho desenvolvido pela CBF. Informa que aumentaram os investimentos em todas as categorias do futebol. Em 2010, a entidade organizava seis campeonatos. Em 2015, serão 13 competições: sete profissionais, dois de futebol feminino e quatro da categoria de base. O número de torneios aumentou 117% em cinco anos.
Mais à frente, nova estocada nos detratores. “Enquanto alguns personagens perdem tempo com críticas infundadas, a CBF está preocupada em viabilizar os Campeonatos Brasileiros das séries A, B, C e D, Copa do Brasil, Copa do Nordeste, Copa Verde, Copa do Brasil de Futebol Feminino, Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, Campeonato Brasileiro Sub-20, Copa do Brasil Sub-20, Copa do Brasil Sub-17 e Copa do Nordeste Sub-20”.
Enquanto se dedica a torpedear os inimigos, a entidade esquece de explicar porque não destina a competições menos badaladas os mesmos cuidados com que trata a rica Série A.
Pelo contrário, se arvora a grande baluarte do futebol brasileiro, apostando certamente na ignorância e na desinformação. “A maioria dos campeonatos dessa lista e inúmeros estaduais são deficitários e só existem graças a subsídios da CBF. Em 2014, o valor investido chegou a quase R$ 100 milhões”, informa.
Ora, se há tanto sacrifício e as despesas são tão volumosas cabe perguntar o motivo de tanto apego ao controle do futebol brasileiro. A entidade já podia ter deixado isso de lado, concentrando-se exclusivamente em cuidar da Seleção Brasileira, mas insiste em tomar conta de tudo.
É claro que a realidade é bem diferente para quem enfeixa tantos poderes, concentrando polpudos patrocínios, com força suficiente para ditar ordens, satisfazer egos e fortalecer sua base de apoio – as federações estaduais.
O texto chega a ser risível em alguns trechos. “A prioridade da CBF neste momento não é apenas o desempenho financeiro, mas, sim, imprimir uma gestão moderna, transparente e social. Com este espírito, a CBF tem aumentado expressivamente o investimento em mais e melhores competições e, em última instância, estimulando o fomento do futebol como um todo”. Seria lindo se fosse exatamente assim, mas, nós e o pessoal que acompanha o Círio, sabemos que dona CBF não dá ponto sem nó.

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