Coluna do Gerson Nogueira – 06.04.15

6 de abril de 2015 at 3:33 pm Deixe um comentário

Em alta temperatura

O clássico foi atípico. Duas expulsões logo no começo, contusões sérias. Ainda assim, foi um jogo vibrante desde a saída de bola. No segundo tempo, quando as equipes se distribuíram melhor em campo e o Remo perdeu Dadá, prevaleceu a superioridade alviceleste. O Papão venceu com merecimento, confirmando ter hoje o conjunto mais afinado, além de elenco mais qualificado. Poderia, no entanto, ter definido a classificação, pois desfrutou de grandes oportunidades na reta final da partida.
Do lado azulino, a valentia deu o tom da atuação e deixou claro que sob o comando de Cacaio as coisas mudaram para melhor, apesar do revés. O torcedor azulino – novamente em maior número no Mangueirão – viu um time comprometido e lutador, buscando a vitória a qualquer custo. Acontece que transpiração nem sempre é o bastante para vencer. A arrumação que Dado conseguiu dar ao Papão ainda não é possível notar no Remo de Cacaio.
Foi um clássico repleto daqueles detalhes que empolgam a massa. Muita entrega dos dois lados, catimba à vontade, sururu em campo e lesões inesperadas. Tudo isso, em maior ou menor intensidade, contribuiu para o desfecho da partida.
Cacaio fez opções audaciosas, como a de usar três atacantes, quando poderia ter reforçado a armação, prejudicada com a perda de Eduardo Ramos. Na base do perdido por um, perdido por mil, suas escolhas contribuíram para um confronto aberto e emocionante, embora talvez tenha errado ao não lançar Levy na lateral-direita para liberar Dadá pelo meio.
No Papão, que abriu caminho para a vitória com a belíssima cobrança de Pikachu, sobrou entrosamento, mas faltou certa volúpia ofensiva. Fosse mais empenhado em fazer gols talvez tivesse obtido uma goleada capaz de garantir a vaga de finalista da Copa Verde. Anotei pelo menos três excelentes oportunidades – além do segundo gol, marcado por Bruno Veiga – desperdiçadas pelo ataque.
Tranquilo e confiante na maior parte do tempo, o Papão procurou controlar a partida no meio-de-campo, mas teve sérias dificuldades no segundo tempo, quando o Remo se mostrou mais ousado em busca do gol.
As expulsões de Jonathan e Ciro Sena acabaram afetando mais o comportamento do Remo. Com elenco limitado e zaga ainda mais carente, Cacaio foi obrigado a sacrificar uma substituição para recompor a linha de defesa. Não foi a razão maior da derrota, mas teve influência.
Depois do intervalo, o Remo voltou mais impetuoso e chegou a equilibrar as ações, apesar das estocadas sempre agudas do contra-ataque do Papão. A situação complicou definitivamente para os azulinos quando Dadá se contundiu.
O esforço físico dispendido para se impor em campo acabou golpeando um dos melhores em campo, com reflexos em todos os setores da equipe, repentinamente reduzida a nove jogadores efetivamente.
Quanto às atuações, é justo observar que Fabiano, tantas vezes questionado pelos torcedores, andou livrando o Remo de vários percalços. O trio de volantes também merece destaque. Ilaílson, Dadá (enquanto esteve inteiro) e Alberto foram infatigáveis. Roni, apesar da falha em lance capital, quando podia ter tocado para o interior da área, foi sempre veloz e perigoso.
Do lado alviceleste, Pikachu e Bruno Veiga em altíssimo nível de competição. Mas Ricardo Capanema também se destacou bastante, juntamente com o goleiro Emerson, cada vez mais perto de agarrar a titularidade.

Perspectivas para a próxima batalha

Apesar do tom lamurioso de grande parte da torcida que foi ao Mangueirão, o Remo não jogou a toalha na Copa Verde. Terá uma batalha incruenta para reverter o resultado, mas a rivalidade entre os dois gigantes tem um histórico rico em reviravoltas. Fato que, certamente, não passa despercebido ao técnico Dado Cavalcanti.
Para o segundo jogo da semifinal, o Remo não terá Ciro Sena, mas já deverá contar com Max na zaga. Quanto ao Papão, com a expulsão de Jonathan, perdeu um jogador dinâmico para as ações no meio. Curiosamente, na partida de ontem, Ciro fez mais falta ao Remo, mas daqui a duas semanas será Jonathan a perda mais sentida.
Quanto ao ataque, o Papão se estabilizou com Bruno Veiga e Aylon, mas Cacaio deverá repensar a utilização de um atacante de referência. Nem Val Barreto, nem Rafael Paty funcionaram nos dois últimos jogos, passando a maior parte do jogo sem função definida. A opção por uma dupla de mais habilidade e técnica, com Roni e Bismarck, pode vir a ser uma alternativa interessante, desde que bem treinada.

Direto do Facebook

“Há muito tempo não assistia um Remo x Paysandu. Pelas dificuldades e a segurança. E o que vi hoje? Vi muitas dificuldade e desorganização, meu caro Gerson Nogueira, para adentrar no estádio Mangueirão, mostrando que quem organiza o futebol não tem as mínimas condições de estar à frente. Falo da administração do Mangueirão, diretorias de clubes, FPF, policiamentos + Corpo de Bombeiros etc. A polícia deu apoio, não podemos negar, mas encontrei muitas dificuldades para entrar no estádio. Levei mais de 40 minutos. Poxa, é tão fácil de resolver gente. Abram mais portões, duvido que isso não resolva esse problema”.

De Aldair Vicente Silva, sobre a via-crúcis para ver o clássico da Amazônia

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