Coluna do Gerson Nogueira – 10.04.15

10 de abril de 2015 at 2:42 pm Deixe um comentário

Amadorismo e superação

Incrível, mas rigorosamente verdadeiro. O Parauapebas entrará em campo neste domingo contra o Cametá, brigando para chegar à semifinal, com apenas um jogador para compor o banco de reservas. Como tem apenas 17 jogadores inscritos no campeonato, o time não poderá contar com quatro jogadores que receberam o terceiro cartão amarelo e um que foi expulso (Gustavo) contra o Papão, anteontem.
A situação aflitiva do time dá bem a medida do nível geral do Parazão, cuja imagem vendida ao público é de uma falsa evolução. Ao mesmo tempo em que a Federação Paraense de Futebol destaca a interiorização do certame, a maioria dos clubes mostra gestão capenga e pouco profissional.
Como justificar que um time disputante da primeira divisão estadual só tenha 17 atletas inscritos? Nem em torneio de pelada costuma-se ver tamanho absurdo. Aliás, já na rodada de abertura, o Parauapebas enfrentou esse problema. No jogo contra o Remo tinha apenas três jogadores reservas.
Desta vez, o quadro é mais patético. Com apenas um suplente, o técnico Léo Goiano precisará de muita sorte para tentar a vitória, resultado necessário para garantir a classificação. Seus titulares não poderão se contundir. Como não há divisão de base, Goiano não pode lançar mão de juniores, que sempre quebram o galho nesses momentos.
O caso é inédito nos últimos anos de disputa do Parazão. Essa precariedade era comum até os anos 60, quando o campeonato tinha a participação de equipes amadoras, que se reuniam horas antes do jogo. Eram times simpáticos, mas apenas esforçados, como Avante, Combatentes, Júlio César, Sporting.
Apesar de elenco tão reduzido, o Parauapebas subjugou a dupla Re-Pa (jogando em Belém) e foi finalista do primeiro turno. A façanha lança ainda mais luzes sobre o trabalho de Léo Goiano, que literalmente vem tirando leite de pedra. Com esforço e grande dose de valentia, seu time faz campanha heroica e tem chances de ficar entre os três primeiros colocados da competição.
O drama do Parauapebas escancara também a fragilização dos grandes da capital, incapazes de manter dianteira sobre os interioranos. Até agora têm jogado mais com o nome e a fama. O fato é que a fórmula kamikaze de disputa deste ano tornou tudo ainda mais difícil para a dupla Re-Pa.
Como retrato fiel dessa realidade, a rodada deste domingo exigirá mais do que nunca que ambos se ajudem. Depois de eliminados antecipadamente no primeiro turno, os dois velhos rivais agora dependem um do outro para se classificarem à semifinal do returno.
Por outro lado, caso percam (ou até empatem) seus jogos, ambos podem ser alijados definitivamente do campeonato, sem ao menos ter disputado sequer as semifinais de turnos, fato nunca antes visto no Parazão.

O Remo sob o peso da vergonha

O ato foi pacífico, mas contundente. O grupo de jogadores do Remo encarou os repórteres para desmentir o vice-presidente do clube, que anunciou nas redes sociais ter sido pago o salário de todos. Unidos, os atletas denunciaram que ainda há pendências em relação ao mês de fevereiro, que os atrasos têm sido constantes e que os funcionários do clube não recebem há sete meses.
A gravidade da situação do clube só não é maior do que o constrangimento provocado pela reação dos jogadores. Comprometidos dentro de campo, mostraram-se compenetrados e responsáveis na hora de revelar os sérios problemas internos.
Descartaram a ideia de greve, prometeram esforço total na partida decisiva de domingo, mas cobraram providências urgentes. Acima de tudo, pediram o fim da desinformação e das inverdades por parte dos dirigentes.
Pode ter sido a gota d’água. O Conselho Deliberativo já acolheu um pedido de afastamento do presidente Pedro Minowa e seus diretores. A moção deve ser votada no começo da próxima semana e são inúmeras as acusações contra a atual diretoria.
É claro que as agruras enfrentadas pelo Remo não se limitam aos desmandos de agora. Há absurdos que envolvem outras diretorias. Na anterior, por exemplo, um empresário de jogadores era mantido como diretor. Servia ao clube e aos seus representados.
Sobre a gestão de Minowa pesa o fato de que ele prometeu alavancar administrativamente o Remo. Até hoje, só repetiu velhos erros. O estádio segue com obras inacabadas e sem poder ser utilizado para jogos. Os jogadores, como denunciado ontem, não recebem os salários e cobram verdades.
A torcida, atônita ante o descalabro, mobiliza-se em solidariedade aos atletas. Um grupo de torcedores começou a arrecadar dinheiro para premiar e motivar os jogadores antes do jogo em Paragominas.
Mais que um gesto de apreço, é um ato revelador do desespero da torcida diante da omissão dos dirigentes.

E a Estrela Solitária volta a brilhar

O Botafogo, como é praxe, não cansa de nos surpreender. Quando todos davam a Estrela Solitária como apagada depois do rebaixamento à Série B, eis que a velha chama reapareceu e o time modesto, montado às pressas, levanta a primeira taça da temporada. Não é um campeonato, mas é como se fosse, pois a Taça Guanabara tem status de torneio.
O título veio da maneira dramática que marca a história do Glorioso. A bola chutada por Elvis foi na trave, bateu nas costas do goleiro e se encaminhou para as redes do Macaé. Lance parecido com o gol do triunfo sobre o Flamengo, quando a bola estourou no poste e resvalou no goleiro antes de entrar. Foi justamente aquele 1 a 0 que deu a taça ao Botafogo, pelo critério de vitória no confronto direto com os rubro-negros.
Aprendemos desde que nada é fácil e que tudo acontece ao Botafogo, daí a grande emoção que tomou conta do time, do técnico Renê Simões e da imensa torcida espalhada por todo o Brasil. Em homenagem a essa prova de superação, o caderno Bola deste sábado publicará, a pedidos, o pôster dos campeões da Taça GB.

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