Coluna do Gerson Nogueira – 13.04.15

13 de abril de 2015 at 3:49 pm Deixe um comentário

Uma avalanche de gols

Não é todo dia que se vence por 9 a 0. Acontece fortuitamente, meio que por acidente – tanto que a última vez que o Papão conquistou esse placar foi em 1977, contra o Sport Belém. Ontem, o ataque bicolor superou todas as expectativas. Como bem lembrou Carlos Castilho, citando a música do Jota Quest em seus comentários na Rádio Clube, o jogo foi fácil, extremamente fácil. E não apenas pelas inúmeras deficiências do São Francisco – a começar pelo goleiro.
Na verdade, o massacre de 9 a 0 deveu-se na totalidade ao futebol envolvente, rápido e objetivo do time de Dado Cavalcanti. Serviu para compensar todas aquelas oportunidades que tinham sido criadas e desperdiçadas nos últimos jogos.
Ontem, além dos gols marcados, o Papão poderia ter marcado pelo menos mais três ou quatro, mas aí já não seria futebol, aproximando-se mais do basquete ou do handebol. O fato é que, com um meio-de-campo aparentemente conservador, tendo apenas Djalma a cuidar da articulação, a equipe pareceu até mais leve, jogando mais à base de passes verticais.
Auxiliado por Augusto Recife (autor do golaço que abriu o placar) e Radamés, Djalma não ficou solitário. Usou todo o entrosamento que tem com Pikachu para fazer a bola fluir e chegar aos atacantes Bruno Veiga (principalmente) e Aylon. A zaga teve desempenho razoável, mostrando algumas dificuldades no primeiro tempo, quando Jaime levou perigo em três investidas.
Depois de fazer 2 a 0 no primeiro tempo, o Papão precisou de apenas 16 minutos de bola rolando no segundo tempo para construir a goleada histórica: o terceiro gol (Bruno Veiga) foi marcado aos 11 minutos e o sétimo (Ricardo Capanema) saiu aos 27. Lembrou, guardadas as proporções, a marcha no placar da goleada alemã sobre o Brasil na Copa.
De quebra, o centroavante Souza finalmente balançou as redes em jogada bem ao seu estilo. Pode-se dizer que, mais do que os três pontos obtidos, o Papão se beneficia das circunstâncias da vitória. O time ganha com a goleada um novo impulso para as decisões que virão pela frente – semifinais do campeonato e da Copa Verde.
Todos jogaram em alto nível, não cabendo nem destacar individualidades.

Com raça, Leão arranca vaga

O Remo tinha uma missão a cumprir em Paragominas: vencer para classificar. Cumpriu à risca, sem sobras. Conseguiu a contagem mínima, segurou a pressão meio desordenada do time da casa e saiu extenuado, mas com presença garantida na semifinal do returno.
A batalha da Arena Verde foi mais disputada basicamente no meio-de-campo. Pouquíssimas jogadas de grande área. A luta foi encarniçada no espaço entre as duas intermediárias. Três volantes de um lado, três de outro. E meias que se comportavam mais como marcadores do que como articuladores.
Ratinho, por exemplo, que tinha a tarefa de abastecer o ataque, acabou preso à cobertura de Roni pelo corredor direito do Remo. Sem apoio dos laterais, os atacantes ficavam isolados, dependendo de tentativas esporádicas. Roni, por sinal, foi o mais ativo deles, enfrentando a ríspida marcação e levando certa vantagem.
O atacante sofria faltas seguidas junto à área, mas o Remo não aproveitava, mesmo tendo um especialista (Alberto) em cobranças. A melhor chance ocorreu aos 28 minutos, com a bola passando perto do gol.
Depois disso, o lance mais contundente foi aos 44 minutos, quando Max desviou cruzamento de Alex Ruan e quase alcançou Rafael Paty, que fechava no segundo pau.
Cacaio alterou o meio-de-campo, substituindo Alberto por Bismarck e Felipe Macena. Com Bismarck avançado, buscando a área junto com Roni pela direita, o time cresceu em agressividade e confundiu o bloqueio defensivo do Paragominas.
Aos 22 minutos, veio o gol. Roni invadiu a área, driblou um zagueiro e foi derrubado. A bola sobrou para Bismarck finalizar e fazer 1 a 0. Em seguida, lance polêmico na área do Remo. Dewson mandou seguir, mas as imagens da TV indicam que o atacante do PFC foi tocado. Depois, Roni também caiu na área, atingido por trás quando se preparava para o arremate.
No final, quando a torcida remista driblou a segurança para comemorar no gramado, o policiamento disparou bombas e balas de borracha, quase causando uma tragédia. Dadá e Roni foram atingidos, sendo que o atacante chegou a desmaiar. Ato desnecessário, revelador do despreparo dos policiais.

Pebas goleia e ganha ajuda do Gavião

A rodada foi mais dramática na reta final dos jogos de Parauapebas e Tucuruí. No estádio Rosenão, o Cametá sofreu o primeiro gol no final do primeiro tempo, mas alcançou o empate aos 17 minutos do segundo. Resistiu até os 30 minutos, quando o Pebas tomou de vez as rédeas da partida, marcando três vezes seguidas e estabelecendo o placar de 4 a 1.
Para se classificar à semifinal, o Pebas dependia do resultado de Tucuruí, onde o Independente penava para vencer o já eliminado Gavião. Um penal marcado para o Galo Elétrico foi defendido pelo goleiro, mas Rai aproveitou o rebote para marcar, aos 30 do segundo tempo. O protesto dos jogadores do Gavião paralisou o jogo por cinco minutos.
Apesar de não ter maiores interesses no jogo, o Gavião foi aplicado e buscou o empate até o final. A recompensa veio aos 44 minutos, através de Cléo. O gol fez justiça ao equilíbrio em campo e tirou o Independente (campeão do turno) da briga pelo título do returno.
Em Santarém, outro resultado surpreendente envolvendo um time já eliminado. De virada, o Castanhal dobrou o Tapajós, marcando 3 a 2. O Boto alimentava parcas chances de classificação, mas não teve forças para se impor dentro de casa.

Cruzamento favorece grandes

Remo e Paragominas se cruzam numa semifinal, no dia 21, às 16h. O Papão encara o Parauapebas no dia seguinte, às 20h30. Os jogos serão no estádio Jornalista Edgar Proença. Os times interioranos mostraram arrojo e ousadia no returno, mas é indiscutível a vantagem que os grandes da capital têm por jogarem ao lado de suas torcidas. Vem daí o favoritismo de ambos para chegar à decisão do turno. Mas ainda estão rolando os dados.

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