Coluna do Gerson Nogueira – 18.04.15

18 de abril de 2015 at 3:43 pm Deixe um comentário

Um clássico de arrepiar

O quarto Re-Pa da temporada, marcado para a tarde de hoje, será certamente o melhor de todos. Por razões diversas. A principal delas é o combustível que impulsiona os dois rivais para o combate. Há uma vaga de finalista em jogo. E não de uma final qualquer, mas da Copa Verde, que dá direito à disputa da Copa Sul-Americana 2016.

Só esse item já garante altíssima temperatura no confronto. Ao contrário dos três clássicos anteriores (um empate e duas vitórias do Papão), que não eram decisivos, o de hoje decide e vale muita coisa.

Do lado alviceleste, pesa o fato de o time ter ficado em segundo lugar na competição do ano passado. A final foi dramática, com direito a uma série de penalidades. Por muito pouco, o título não veio para a Curuzu. Para tornar a ferida ainda mais dolorida, o campeão Brasília escalou jogadores que não tinham registro no BID.

O caso transitou por várias esferas do STJD, sendo inicialmente dado ganho de causa ao Papão. No julgamento final, porém, a corte decidiu favoravelmente ao Brasília, aceitando a argumentação de falha técnica apresentada pela CBF.

É claro que os bicolores jamais engoliram a história e vencer a Copa Verde tornou-se questão de honra. Daí o empenho com que o time entrou na competição deste ano. Depois de eliminar o Nacional, partiu para cima do maior rival na primeira partida, obtendo a importante vantagem de dois gols na semifinal.

Do lado remista há mais comedimento, principalmente pela inferioridade no placar casado, mas não falta disposição para tentar reverter o quadro. A todo instante no clube, a título de motivação, é relembrada a surpreendente goleada de 4 a 1, no Parazão do ano passado, resultado que garantiu o título estadual. Naquela ocasião, o Remo não era o favorito e se viu obrigado a escalar um time misto para enfrentar os bicolores.

De certa maneira, a situação atual é mais favorável, pois o Remo tem um elenco que se equipara ao do Papão. Na comparação direta de desfalques para o jogo os dois lados têm perdas a lamentar. Pikachu, principal jogador da equipe de Dado Cavalcanti, cumprirá suspensão. Eduardo Ramos, camisa 10 e articulador do time azulino, também estará fora. O Papão também não terá o zagueiro Dão e o meia Rogerinho. Ciro Sena e Dadá são as outras baixas do Remo.

É preciso considerar ainda o fator Cacaio. Substituto de Zé Teodoro, demitido após o Re-Pa da fase classificatória do returno, o ex-técnico do Cametá assumiu com determinação e é responsável pela transformação do time azulino. Apesar de ter perdido um clássico e ter sido eliminado da Copa do Brasil, o esquema ofensivo do time caiu nas graças da torcida.

Em meio aos muitos problemas internos do Remo, Cacaio tem tido um papel unificador junto a elenco e diretoria. A condução do time também passa confiança aos torcedores. O triunfo em Paragominas, arrancado com esforço, consolidou sua presença e desfez todas as desconfianças.

Dado Cavalcanti também vive excelente momento no Papão. Tem o mérito de ter feito a equipe assimilar rapidamente um esquema simples e prático, baseado na movimentação dos volantes e meias apoiando o ataque centrado em Bruno Veiga. A goleada histórica (9 a 0) sobre o São Francisco deixou a torcida nas nuvens e reforçou ainda mais o prestígio do técnico.

Enfim, se a chuva deixar, teremos um jogão.

Mais um paraense no Botafogo?

E Rafael Oliveira ressurge pelas boas graças da Estrela Solitária. A do Botafogo da Paraíba. Pelas boas atuações contra o Botafogo pela Copa do Brasil, o atacante paraense tem seu nome cotado para reforçar o time carioca na Série B.

Caso isso se confirme, Rafael vai se juntar a outro paraense no elenco alvinegro. Jobson, que não passou por nenhum clube do Pará antes de despontar no Brasiliense, é um dos atacantes do time de Renê Simões.

Rafael foi revelado pelo Papão, fez dois bons campeonatos estaduais, andou pelo futebol pernambucano, defendeu a Portuguesa, retornou a Belém e aí não conseguiu mais emplacar na Curuzu. Com fama de boêmio, chegando a ser apelidado de Popsom, perdeu espaço no clube.

Foi arriscar a sorte no futebol nordestino e, pelo menos por enquanto, a opção parece ter sido a mais correta. Primeiro pelas mãos de Givanildo Oliveira e em seguida por conta própria, Rafael tem se mostrado um atacante produtivo, com boa média de gols.

Contra o Botafogo, na quarta-feira, movimentou-se muito, dando trabalho aos zagueiros e deixando a torcida tensa no Engenhão a cada nova investida da ofensiva paraibana.

Caso se confirme sua transferência para o clube, Rafael estará seguindo os passos de um grande atacante paraense: Quarentinha, o goleador que nunca sorria, virou recordista de gols com a camisa botafoguense nos anos 60 e chegou a defender a Seleção Brasileira.

Corinthians, San Lorenzo e o velho Boca

A atual Libertadores ainda não havia mostrado um jogo tão maçante e tecnicamente fraco como Corinthians x San Lorenzo, disputado na última quinta-feira, no Itaquerão. Ao longo da partida, três ou quatro chutes a gol, faltas duras e pouquíssima disposição para atacar.

No primeiro tempo, o Corinthians ainda arriscou mais. Depois do intervalo, a equipe de Tite uniu-se aos argentinos no esforço comum para não jogar. Foi claramente uma acomodação de interesses em torno do empate. Atitude normal nestes tempos pragmáticos, mas péssima do ponto de vista do desporto.

A indisposição de Corinthians e San Lorenzo ajuda a explicar a tradição do Boca Juniors na competição. Com vontade e fúria, joga sempre para vencer, em qualquer lugar. Faça chuva ou sol, o campeão argentino não dá refresco. Naquela mesma noite, mesmo já classificado à próxima fase da Libertadores, passou pelo Palestino. Podia ter tirado o pé, poupado jogadores, mas fez o seu papel. Assim deviam fazer todos.

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BOLA PRA FRENTE – Claudio Guimarães – 16.4.15 Coluna do Gerson Nogueira – 19.04.15

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