Coluna do Gerson Nogueira – 19.04.15

19 de abril de 2015 at 6:30 pm Deixe um comentário

Ameaça de retrocesso

Meio aos trancos e barrancos, o Parazão ensaia engrenar na fase decisiva do returno com a entrada em cena da dupla Re-Pa. Depois do fiasco do turno, quando os velhos rivais foram vergonhosamente eliminados na terceira rodada, a emoção voltou a sacudir a torcida. Infelizmente, junto com a empolgação vem a onda de fofocas e especulações de bastidores, cujo objetivo mal disfarçado muitas vezes é apenas o de disfarçar inseguranças mútuas.

Como nos primórdios do nosso futebol, dirigentes dos próprios clubes levantam (a sério!) suspeitas em relação aos árbitros escalados para as semifinais do returno. O Remo cisma com Andrey da Silva e Silva, escalado para dirigir o jogo de terça-feira contra o Paragominas. Já o Papão chia mais, contestando a escolha (por sorteio) de Dewson Freitas para seu confronto com o Parauapebas na quarta-feira.

A desconfiança é esquisita porque Andrey e Dewson são dois dos mais qualificados apitadores do quadro da Federação Paraense de Futebol. Dewson, que ascendeu recentemente à condição de árbitro Fifa, é o melhor juiz do Pará dos últimos 30 anos. Desde que Manoel Francisco de Oliveira, árbitro que dominou a cena paraense até o final dos anos 70, se aposentou, nenhum outro árbitro conseguiu tanto prestígio e respeitabilidade.

Dewson passou por testes importantes, como apitar clássicos do Rio e de São Paulo com extrema correção, merecendo aplausos gerais. Tanto ele quanto Andrey, alvos da queimação por parte dos grandes clubes de Belém, certamente saberão responder em campo às dúvidas suscitadas. O melhor caminho para isso é atuar com segurança, seriedade e isenção.

Como diz um repórter esportivo da velha guarda, a desgraça do futebol local está nessa mania de valorizar os tais “bastidores”. Apostar nisso nunca levou a nada, nem jamais fez a diferença na vida dos clubes de maior torcida do Pará.

O futebol é um esporte simples. O problema é quando as pessoas que cuidam dele resolvem inventar. Chama atenção que os times considerados emergentes, também semifinalistas, não tenham manifestado qualquer desaprovação aos dois apitadores. O pré-julgamento do trabalho de ambos corre pela conta exclusiva dos dirigentes da dupla Re-Pa, teoricamente favorita no embate com os representantes interioranos.

Representa um passo atrás a insistência dos dirigentes em desqualificar a arbitragem estadual. Pode ser a deixa para que os demais times, a partir de agora, passem a questionar as indicações de árbitros para seus jogos. Corre-se o risco adicional de retroceder ao tempo em que os próprios clubes definiam a escala, descartando os árbitros ditos inconvenientes.

A esperança fica por conta do torcedor mais lúcido e consciente, que já não embarca facilmente nessas histórias, preferindo observar a performance de seus times antes de atirar pedra na arbitragem. O problema é o efeito sobre aquela parcela mais radical e fanática, sempre propensa a enxergar fantasmas atrás da porta.

Dirigentes não podem repetir comportamentos que são próprios do torcedor. Dirigente administra, toma decisões importantes. Torcedor torce, vibra, xinga, se enfurece. Ao culpar um árbitro por maus resultados, por supostamente dar azar ou por pretensa má vontade contra seu time, o dirigente desce ao nível do torcedor de arquibancada. É uma perigosa distorção que deve e pode ser corrigida. Ainda há tempo.

A teimosia dos dinossauros

Enquanto Ronaldo Fenômeno planeja voltar aos gramados nos EUA e Ronaldinho Gaúcho jura estar vivendo seu melhor momento no futebol mexicano, depois de um começo conturbado no Querétaro, eis que outro dinossauro virou notícia na sexta-feira. Müller, aos 49 anos, marcou o primeiro gol do Capivariano, na quarta divisão paulistana.

Fico intrigado com a persistência de alguns veteranos, teimosamente em ação e submetidos ao permanente risco de vexame. Quase todos que prolongam exageradamente a carreira ou buscam um retorno estão mirando em objetivos financeiros. Infelizmente, quase nenhum deles parece preocupado em resguardar a imagem que construíram na carreira. Pena.

Um sonho de liberdade

Flamengo e Fluminense, antagonistas até a medula, negociam um inesperado armistício que pode levar ao rompimento com a Federação do Rio e até à criação de uma Liga Independente para promover torneio alternativo, que substituiria o campeonato estadual nos primeiros meses da temporada. A ideia é obter a adesão de clubes de outros Estados para reforçar a iniciativa, que seria lançada oficialmente em 2017.

Em rota de colisão com a entidade do Rio, os presidentes dos clubes rivais trabalham num projeto comum de dissidência. Acreditam que o campeonato carioca padece de incurável decadência financeira e não desperta mais a atração do torcedor. O fenômeno, como se sabe, é nacional.

Nenhum campeonato estadual é rentável – incluindo o Parazão. As melhores arrecadações acontecem exclusivamente nos clássicos. A Liga serviria para unificar clubes insatisfeitos em seus Estados. São muitos. O problema é formatar uma competição autossustentável economicamente.

Mesmo sem admitir, a dupla Fla-Flu leva em conta o razoável sucesso da Copa Nordeste, com boas arrecadações a partir de clássicos regionais. O novo torneio seria uma espécie de reedição do antigo Rio-São Paulo, que desapareceu pelo desinteresse geral dos próprios clubes.

A CBF, já sob nova presidência, não deve a princípio se opor, embora também não se mostre tão entusiasmada. Marco Polo Del Nero fez questão de lembrar na sexta-feira que a Liga vai ter que arcar com torneios mais deficitários ainda, como as séries B, C e D, misturando as coisas.

No fundo, Del Nero não quer se indispor com a dupla Fla-Flu, mas sabe que precisará preservar o apoio dos presidentes das federações, avessos a qualquer mudança no atual estado geral das coisas. Vai cozinhar o galo até quando for possível.

Bola na Torre

O programa deste domingo terá a presença ilustre de mestre Carlos Castilho, analisando com a bancada o resultado da semifinal da Copa Verde. Guilherme Guerreiro apresenta, com participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião.

Começa logo depois do Pânico na Band, por volta de 00h10.

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