Coluna do Gerson Nogueira – 06.05.15

6 de maio de 2015 at 12:15 pm Deixe um comentário

A seleção do Parazão

Como reza a tradição, findo o campeonato estadual, é hora de apresentar as listas dos melhores da competição. A coluna mantém a tradição e solta hoje sua seleção do Parazão: Fabiano; Pikachu, Ezequias, Max e Jaquinha; Augusto Recife, Chicão, Eduardo Ramos e Juninho; Rafael Paty e Monga. Técnico: Cacaio. Melhor jogador: Chicão. Revelação: Magno. Menção honrosa: Léo Goiano.

No gol, pela segunda temporada consecutiva, Fabiano (Remo) foi o mais regular. Sério, sem enfeitar nas defesas, encarnou o espírito de comprometimento do elenco responsável pela transfiguração do time. Paulo Rafael (Parauapebas) é o suplente. Fez um bom campeonato, reabilitando-se da dispensa no Papão.

Pikachu (PSC), mesmo sem fazer um campeonato de alto nível, destaca-se da multidão pela técnica e iniciativa ofensiva. Apresentou ainda uma nova faceta: a eficiência em cobranças de falta junto à área. Precisa evoluir na marcação, desde sempre seu ponto mais vulnerável. O suplente imediato é Levy, que passou maus bocados sob o comando de Zé Teodoro, mas cresceu muito na arrancada vertiginosa do Remo rumo ao título.

O miolo de zaga teve Max (CR) como o principal destaque, dividindo essa condição com Ezequias (Independente), que voltou a jogar muito bem, confirmando a boa impressão deixada em 2014. Max é a referência da zaga remista. Firme nas antecipações e saídas de bola. Ezequias firma-se como especialista no jogo aéreo. A dupla reserva: Dão (PSC) e Cristovão (Paragominas).

A sempre problemática lateral-esquerda teve em Jaquinha (Independente) seu mais regular ocupante. Eficiente na marcação e no apoio, também se apresenta para finalizações. Foi um dos bons valores do vice-campeão. O reserva é Edinaldo (Gavião), que voltou a exibir a conhecida habilidade nos lances ofensivos. Acabou prejudicado pela má performance geral do time.

O primeiro volante é Augusto Recife (PSC). Unanimidade. Joga fácil, sem firulas. Tornou-se a exceção em um time que não conseguiu se acertar ao longo de toda a disputa. Ao seu lado, na marcação, outro experiente jogador: Chicão (Independente), sempre tranquilo, de cabeça erguida e sem errar passes.

Reúne características típicas de um armador e pôs isso tudo a serviço do setor mais ajustado do Galo. Pela técnica e a regularidade, Chicão foi também o melhor jogador do Parazão. A dupla reserva é Dudu (Independente) e Ameixa (CR), ambos aparecendo em alto nível nas últimas rodadas.

Na armação, Eduardo Ramos (CR) e Juninho (Parauapebas). Instável no primeiro turno, como todo o time do Remo, Ramos se recuperou inteiramente no returno. Fechou o Parazão como um dos grandes líderes da reação azulina. Juninho deu mostras de seu talento em confrontos diretos com a dupla Re-Pa. Exímio cobrador de faltas e lançador, é o cérebro da meiúca do Pebas. Os reservas são Ratinho (CR) e Wendel (Tapajós).

O ataque tem dois titulares indiscutíveis: Rafael Paty (CR), artilheiro do torneio com 7 gols, e Monga (Gavião), vice-goleador. Paty esteve a pique de ser descartado por Zé Teodoro, mas emergiu espetacularmente quando Cacaio chegou. Seus gols foram fundamentais para o bicampeonato. O oportunista Monga teve o mérito de se destacar no pior time da competição. Suplentes: Bruno Veiga (PSC) e Roni (CR). Veiga perdeu espaço por desfalcar o Papão na final do returno após expulsão infantil diante do Pebas. Um boleiro profissional não tem o direito de cometer deslize tão grave. Roni oscilou ao longo do campeonato, mas teve lá seus lampejos.

Cacaio é o técnico da seleção, com todos os méritos porque encarnou a incrível reabilitação remista em 26 dias – a partir da vitória sobre o Paragominas por 1 a 0, na Arena Verde. Sem seu carisma junto aos atletas e o jeito simples de comandar, dificilmente o Remo teria chegado ao título.

A menção honrosa vai para Léo Goiano. Classificou o Pebas à Copa Verde e à Copa do Brasil 2016, superando até a falta de jogadores no elenco (tinha apenas 18 inscritos). A revelação do torneio é Magno, atacante rápido e insinuante que foi um dos bons nomes do estreante Pebas.

Caça-Rato, o mico da temporada

O campeonato estadual também teve decepções dignas de nota. A principal, sem dúvida, foi o atacante Flávio Caça-Rato, que aqui chegou cercado de expectativas. Ganhou até recepção festiva no Evandro Almeida, enchendo de esperanças a torcida azulina. Envergonhado, pediu as contas quando Cacaio chegou.

Embora em escala menor, o Papão também teve suas frustrações durante o Parazão. Elanardo talvez tenha sido o caso mais visível, tanto que também saiu de cena depois da competição. E o veterano Souza, que foi inscrito como reforço, mas praticamente não entrou em campo.

Torcida merece medalha especial

Para compensar a omissão dos dirigentes, o torcedor do Remo abraçou o time e assumiu o papel de condutor da grande virada, contribuindo com sua presença para o êxito do time de Cacaio na reta final do campeonato. Os torcedores resolveram ir além do ato de lotar as arquibancadas, partindo para coletar dinheiro e pagar funcionários com salários atrasados. Não é o melhor caminho para resolver os problemas, mas evidencia o sentido de responsabilidade de quem realmente se preocupa com os destinos do clube.

Direto do Facebook

“Todos os jogadores de futebol do Brasil que participaram do 7×1 para a Alemanha no Mundial deveriam passar, pelo menos, um ano sem serem convocados para a Seleção. Essa derrota foi a maior vergonha-tragédia-humilhação que o nosso futebol já viveu e nunca, jamais, será devolvida. O Brasil chegará ao século 30, ao 40 e nunca vai conseguir devolver esse vexame. Os homens que comandam o futebol agem com se tivesse sido mais um jogo. Enquanto a equipe nacional tiver estes atletas da vergonha suprema, não dá nem pra ver jogo do Brasil. O goleiro da seleção de 50 contra o Uruguai morreu demonizado por muito menos.”

Glauco Alexander Lima, camisa 10 no time dos criativos e o mais indomável dos torcedores do escrete canarinho.

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