Coluna do Gerson Nogueira – 08.05.15

8 de maio de 2015 at 11:21 am Deixe um comentário

Copa Verde escapa outra vez

A animação e o entusiasmo ficaram por conta do torcedor. Os jogadores passaram longe desses sentimentos e o Remo foi fragorosamente batido na final da Copa Verde. Na verdade, foi humilhado. Vitória maiúscula, empolgante e justa do Cuiabá, que se lançou ao ataque desde o primeiro instante, buscando reverter o placar de 4 a 1 que o Remo havia imposto em Belém. Preciso, o representante mato-grossense marcou 5 a 1 e poderia ter feito mais. A taça, pela segunda vez seguida, escapa das mãos do futebol paraense.

O Remo desembarcou em Cuiabá com três gols de vantagem e pareceu acreditar que já tinha levado o caneco. Deixou de jogar e começou a entregar o ouro ainda no primeiro tempo, quando sua defesa bateu cabeça nas bolas aéreas e permitiu que o Dourado chegasse aos três gols, desempatando a disputa.

Os primeiros movimentos deram a falsa impressão de um time tranquilo. Lento, o Remo não se arriscava, tocava bola na intermediária e de vez em quando lançava Bismarck. As três jogadas de ataque morreram na linha de fundo ou no bloqueio da zaga.

Enquanto isso, atento, o técnico do Cuiabá investia nos pontos mais vulneráveis da equipe paraense: o miolo da defesa e o buraco pelo lado esquerdo. Seus jogadores cruzavam todas as bolas possíveis forçando erros de Max e Igor João. O primeiro gol, aos 26 minutos, em pênalti cometido por Max em Nino Guerreiro, nasceu de um cruzamento que ninguém conseguiu cortar.

Logo depois um lance rápido nas costas de Alex Ruan, Maninho cruzou para o interior da pequena área e Rafael Cruz, o grande nome da noite, girou e bateu forte, sem defesa para Fabiano. O detalhe é que antes de Maninho cruzar, Max podia ter mandado a bola para escanteio.

Empolgado com a facilidade que encontrava, o Cuiabá se lançou com mais ímpeto ainda. O terceiro gol não demorou a surgir. Em cobrança de falta, a bola desviou em Dadá e enganou o goleiro Fabiano. As jogadas pela direita eram o melhor caminho, mas Levy era pouco acionado e quando recebia a bola custava a tabelar com os meias. Com a saída de Bismarck para a entrada de Macena o ataque ficou ainda mais prejudicado.

Tudo o que havia funcionado às mil maravilhas no Mangueirão acontecia ao contrário na Arena Pantanal. O Cuiabá acertava passes até quando não queria e o Remo não achava o rumo certo. Cacaio parecia preso ao banco e nem se aproximava da lateral do campo para reanimar o time. Após escapar de mais dois ataques perigosos, o Leão saiu para o intervalo perdendo por 3 a 0, mas ainda com esperanças de mudar a história da decisão.

Lego engano. Logo no reinício, um lance confuso na área depois de rebatida de Fabiano acabou resultando no segundo pênalti da noite. Rafael Cruz, espertamente, chegou chutando a perna do zagueiro do Remo e caiu espetacularmente. O árbitro foi na conversa e assinalou a penalidade. O próprio Cruz, certeiro, mandou no meio do gol e fez seu terceiro gol.

Com 4 a 0 no placar, sem motivos para continuar lá atrás, Cacaio botou Val Barreto no jogo tirando Ratinho. O problema é que Barreto devia ter entrado bem antes e Eduardo Ramos deveria ter saído, visto que nem chegou a ser visto em campo.

A lentidão na saída de bola continuava a atrapalhar os passos do Remo, que nem de longe lembrava aquele time lépido e brigador dos últimos jogos. Nem cruzamentos o time tentava. Dadá corria muito, mas não encaixava o combate na intermediária e era envolvido junto com os companheiros pelo toque de bola tranquilo do Cuiabá.

Uma rara jogada aérea viria dar uma última ilusão. Val Barreto desviou para as redes uma bola levantada por Levy. Diminuiu o prejuízo e abriu àquela altura a possibilidade de decisão nos penais. Logo depois, Max foi expulso (recebeu o segundo amarelo em marcação errada do árbitro) e a defesa remista ficou ainda mais fragilizada.

Explorando a fadiga azulina, em rápido avanço pela esquerda, o Cuiabá chegou ao quinto gol e liquidou a fatura, que ainda perdeu Felipe Macena e ficou sem forças para buscar o segundo gol que lhe garantiria o título. Mas, vamos combinar, o time não fez por merecer qualquer milagre. Nem os erros de arbitragem podem ser alegados para justificar o desastre.

A Copa Verde fica novamente com o Centro-Oeste e o Leão terá que adiar o sonho de disputar uma competição internacional. Incrível foi observar como se deixou vencer com tanta facilidade. Sem luta ou esperneio. Aceitou passivamente o domínio adversário. Ao contrário das semifinais, não jogou como um vencedor.

Cacaio terá que rearrumar a casa

Depois de passado o furacão mato-grossense, o Remo terá que juntar os cacos e se preparar com afinco para a competição mais importante do ano: a Série D do Campeonato Brasileiro. A goleada sofrida ontem teve pelo menos o efeito positivo de acentuar as muitas vulnerabilidades da equipe, que está longe de ser competitiva em torneios interestaduais.

A lateral esquerda não existiu durante todas as partidas decisivas enfrentadas pelo Remo. Nos outros jogos, o problema foi sanado porque Ilaílson (cuja falta foi muito sentida contra o Cuiabá) se desdobrava para cobrir o setor. Sem ele, Alex Ruan foi presa fácil das jogadinhas em dois toques do time adversário.

A parte central da defesa também requer cuidados urgentes. Cacaio precisa de uma dupla mais efetiva. Max e Igor João quando enfrentam atacantes altos têm muitas dificuldades. O meio-de-campo talvez exija menos ajustes, desde que o setor de criação consiga funcionar. Na Arena Pantanal, isso não existiu e o time foi inteiramente atropelado.

O ataque ainda é o setor menos problemático. Quando a bola chegou, Val Barreto conferiu. Prova de que os finalizadores funcionam.

Direto do blog

“Nosso futebol há dez anos que é só vexame. Derrotas vergonhosas, rebaixamentos, títulos/vagas que já estão ganhos e acabam perdidos infantilmente. Vive do passado somente porque o presente é nebuloso. Ingênuo quem acha que são acidentes ou mero azar. Um rosário de fracassos seguidos que parece impossível de estancar.”

Davi Junior, sobre mais um fracasso do Pará na Copa Verde.

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BOLA PRA FRENTE – Claudio Guimarães – 08.5.15 Coluna do Gerson Nogueira – 10.05.15

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