Coluna do Gerson Nogueira – 05.06.15

5 de junho de 2015 at 12:44 pm Deixe um comentário

Ofício de alta rotatividade

Há quem veja com lentes distorcidas a profissão de técnico de futebol. Parecem bem sucedidos, remunerados nababescamente e prestigiados. O noticiário farto sobre a atividade também ajuda a encantar. Talvez venha daí o interesse crescente pelo ofício, que tem de fato seus atrativos, como alguns salários robustos, mas carrega a sina da alta rotatividade.
Na verdade, poucas profissões no planeta são tão instáveis quanto a de treinador de futebol. E o fenômeno não se restringe ao Brasil, embora aqui a dança de cadeiras seja bem mais intensa.
Cinco demissões em times de ponta marcam as cinco primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro. O caso mais emblemático é o de Marcelo Oliveira, que conduziu o Cruzeiro a dois títulos nacionais consecutivos em apenas dois anos e meio de trabalho. Foi defenestrado por fracassar na Libertadores, competição que encarou com um time recém-formado.
O Flamengo também abriu mão de seu comandante. E não é um comandante qualquer. Trata-se de Vanderlei Luxemburgo, o mais vitorioso dos técnicos brasileiros de clubes. Em sua quarta passagem pelo clube da Gávea, Luxemburgo sucumbiu aos maus resultados e à não conquista do inexpressivo Campeonato Carioca.
Para sua sorte, o mercado abriu-lhe de imediato uma nova porta: assumir o Cruzeiro, que havia dispensado Marcelo Oliveira.
A guilhotina atingiu também o internacional Felipão. Alquebrado pelo vexame com a Seleção na Copa, foi recebido de braços e abertos no seu Grêmio, mas a combinação de esquema pouco criativo + time limitado acabou lhe custando o emprego.
Ricardo Drubscky, um técnico de pouco realce, dirigiu o Fluminense até a quarta rodada do Brasileiro. Pauladas seguidas fizeram com que sua passagem fosse encurtada. Enderson Moreira, que três meses antes fora desligado do Santos, assumiu o bastão.
Anteontem, o Joinville também anunciou a demissão de Hemerson Maria, que estava lá há um ano e meio – era o segundo mais longevo do país, depois de Marcelo Oliveira. É dele, em nota distribuída à imprensa, a definição mais certeira sobre as agruras da carreira. “Construí uma grande história no Joinville que, infelizmente, chegou ao fim. A vida continua, no futebol os profissionais passam e o clube permanece”. Bom resumo.

Direto do blog

“Alemanha, Espanha e Inglaterra têm o futebol organizado por ligas, na qual a administração é tarefa dos clubes, enquanto a confederação cuida da representação nacional (seleções diversas). Claro que isso depende de uma gestão transparente e eficiente, algo agora vislumbrado com a lei ora em tramitação no Congresso e que prevê a participação dos atletas na tomada de decisões, inegavelmente um grande avanço democrático. Não podemos é tratar essa nova possibilidade como era tratado o projeto do senador Nelson Carneiro, há pouco mais de 30 anos, que instituía o divórcio no Brasil e era considerado como maldição dos pecadores e hoje é corriqueiro. Que venha o novo!”.
Do Jorge Paz Amorim, um otimista inveterado.

Ataque mais ágil exige armação mais próxima

Sem Leandro Cearense, contundido, o técnico Dado Cavalcanti define hoje o ataque do Papão para o jogo de amanhã contra o Paraná. Como Bruno Veiga tem ficado de lado, o mais provável é que Aylon e Mizael sejam os escolhidos.
A mudança é importante e altera a maneira de jogar do time. Ao contrário de Cearense, mais pesado e fixo, Mizael é rápido, se desloca muito e precisa ter por perto um meia-armador também dinâmico.
Pelas características, Edinho seria esse jogador, mas Carlinhos pode ter a preferência depois de aparecer bem no final do jogo contra o Santa Cruz.
A questão a ser discutida é se com um ataque mais arisco não caberia bem a utilização de dois meias, algo como Edinho (Rogerinho) e Carlinhos.
A Série B é dominada pelo sistema de três volantes, mas às vezes a ousadia cai bem.

Escândalo Fifagate periga virar chanchada no Brasil

Um festival de dissimulações, teatralidades e escapismos por parte de alguns personagens do nosso futebol depois que abriram a caixa de Pandora da Fifa. Chega a ser hilário.
Marco Polo Del Nero saiu às pressas da Suíça, temendo ser engaiolado ao lado de José Maria Marin. Agora ensaia um movimento para reforçar sua posição na CBF e já propõe “mudanças”.
Pelos mesmos motivos que atazanavam Del Nero, Ricardo Teixeira largou seu luxuoso esconderijo de Boca Rattón, em Miami, para se refugiar nas serras fluminenses.
Dona Globo trata o Fifagate com luvas de pelica depois que seu parceiro de negócios J. Háwilla aparece como principal delator das tramoias. E fico ainda mais cuidadosa quando surgiu a notícia de que Háwilla vem gravando conversas desde 2013.
Romário, sempre esperto dentro e fora da grande área, manobra para tirar algum proveito prático da confusão toda. Sua cruzada tem limites bem visíveis, pois é claro que não vai mexer com interesses mais globais.
Outro centroavante de peso, Ronaldo, também entrou na área. Sócio de Háwilla, enrolado até o pescoço no lamaçal, põe-se a ditar regras e até a pedir a cabeça do ex-amigo Del Nero. Caminha a passos largos para suceder Pelé no departamento de frases infelizes.
Por fim, como não podia deixar de ser, há a manifestação de Pelé. Como se sabe, o Rei não perde a chance de arranhar a majestade, posicionando-se quase sempre do lado errado da cerca. Desta vez não foi diferente. Manifestou entusiasmado apoio ao cambaleante Blatter e um dia depois disse que não tinha nada a ver com a história.

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BOLA PRA FRENTE – Claudio Guimarães – 05.06.15 Coluna do Gerson Nogueira – 07.05.15

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