Coluna do Gerson Nogueira – 07.05.15

7 de junho de 2015 at 1:44 pm Deixe um comentário

Da lama ao caos

Ninguém sabe ao certo ainda o tamanho exato da roubalheira na Fifa e confederações a ela vinculadas. Do que foi revelado até agora impressiona a facilidade com que fortunas eram manipuladas e divididas entre os chefões do mundo da bola. Da enxurrada diária de números é possível concluir que a falcatrua foi monstruosa. Ao mesmo tempo, surgem dúvidas quanto aos verdadeiros da investigação conduzida pelos norte-americanos.
Na sexta-feira, soube-se que que a África do Sul pagou gorda propina pelo direito de sediar a Copa do Mundo de 2010. O FBI revelou também que o brasileiro J. Háwilla embolsou R$ 30 milhões pela intermediação fraudulenta do acordo entre Nike e CBF para vestir a Seleção Brasileira.
Como sempre acontece em escândalos financeiros de grande magnitude, aos poucos vão se confirmando todas as suspeitas sobre determinados negócios. É o caso do polêmico acordo entre CBF e Nike, celebrado nos anos 90. Na época, as desconfianças levaram à criação da CPI da Nike no Congresso Nacional.
Nada foi além do barulho inicial em torno de alguns depoimentos e ameaças de punição. O inquérito parlamentar terminou sufocado pela força da chamada bancada da bola, cujos tentáculos se estendem por todos os partidos. Com base nos fatos recém-descobertos pelos americanos, o senador Romário já reuniu as assinaturas necessárias para criar uma nova CPI.
Resta saber se irá resistir à articulação dos bombeiros pró-CBF, ágeis e articulados. E precisa demonstrar coragem de ir fundo na apuração, promovendo, por exemplo, uma devassa nos contratos que garantem exclusividade à Globo nas transmissões dos campeonatos brasileiros, mesmo quando sua proposta é inferior à da concorrência.
Os movimentos esboçados até aqui indicam que a cúpula da CBF manobra para deixar tudo do jeitinho como está. Presidentes de federações foram convocados para reunião com Marco Polo Del Nero, cuja intenção declarada é limitar a reeleição. Nas entrelinhas, fica claro que todos serão chamados a reafirmar solidariedade ao presidente.
Talvez nem fosse necessário. O colégio de presidentes de federações, responsável pela sustentação do esquema de Ricardo Teixeira e José Maria Marin, continua exatamente como antes. A cartolagem mais conservadora segue fechadíssima com Del Nero, por razões que talvez só o FBI tivesse peito para averiguar de verdade.
Por ora, a única voz dissonante é a do presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Fernando Noveletto, autoproclamado líder da oposição – embora defensor de práticas arcaicas quando o assunto é democratizar a relação entre clubes e atletas profissionais, representados pelo Bom Senso F. C.
Trocando em miúdos, significa que o tsunami que devasta a Fifa tem tudo para se transformar em brisa suave por aqui, visto que dona CBF, pródiga em afagos e mimos a autoridades executivas, legislativas e judiciárias, continua praticamente intocável.

Bola na Torre

Guerreiro comanda a atração das noites de domingo, na RBATV, ao lado de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O convidado é o técnico Dado Cavalcanti, do Papão. O programa começa logo depois do Pânico, por volta de 00h10.

Os muitos mistérios que rondam o Remo

Ninguém entendeu muito bem, mas o Remo agendou um amistoso para Uberlândia (MG), assim do nada, como ensaio para a Série D.
Do mesmo modo, ninguém entendeu a forte boataria sobre um suposto interesse no meia Rogerinho, de quem o Papão acaba de se livrar.
Muito menos deu para entender a propalada intenção de contratar o meia-atacante Gegê, encostado no Botafogo e na faixa salarial de R$ 25 mil.
Na verdade, o Remo é há algum tempo um enigma difícil de decifrar.

Uma Seleção cada vez mais invisível

Não é exagero supor que a crise moral que assola a Fifa acabe por respingar na Seleção Brasileira. O time de Dunga começa neste domingo contra o México, em São Paulo, a sequência final de amistosos preparatórios à Copa América. Como de hábito desde aquela peia vergonhosa diante da Alemanha, a movimentação do escrete é praticamente ignorada pela torcida brasileira.
É como se a seleção pentacampeã do mundo de repente tivesse ficado invisível aos nossos olhos. Sabe-se que ela está viva e treinando para a maior competição continental, mas é preferível não ver, nem saber nada sobre ela.
Não há como comparar, mas talvez nem o Brasil de 1950, derrotado dramaticamente pelo Uruguai na final, tenha sofrido merecido menosprezo. Por isso mesmo, é louvável o esforço de Dunga e dos jogadores em buscar resultados que ajudem a recuperar a velha chama.
Ganhar a Copa América é missão prioritária a essa altura, apesar das imensas dificuldades que a equipe terá pela frente em gramados chilenos. Argentina, Colômbia, Uruguai e o próprio Chile têm bons times e chegarão fortes à competição. Com a vantagem de não ter a responsabilidade que pesa sobre os ombros do selecionado canarinho.

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