Coluna do Gerson Nogueira – 14.06.15

14 de junho de 2015 at 10:46 pm Deixe um comentário

O acesso é logo ali

É a melhor campanha do Papão em campeonatos brasileiros na era dos pontos corridos. São 15 pontos em 21 disputados, média de 68%. Terceira colocação e presença na zona de acesso. O triunfo sobre o ABC, sexta à noite, em Natal, deixou o time em situação privilegiada na Série B, permitindo projetar pela primeira vez a possibilidade de acesso.
Para quem começou o campeonato preocupado em não cair, a bela arrancada – cinco vitórias consecutivas – é uma surpresa maravilhosa. O time custou a se encontrar, o técnico Dado Cavalcanti buscou várias alternativas e finalmente encaixou um esquema que tem como principal referência a sólida dupla de zaga, composta por Tiago Martins e Gualberto.
Contra o ABC, a equipe começou explorando bem as subidas do adversário. Com marcação forte sobre Caíque e Ronaldo Mendes, o Papão foi tomando conta do jogo e sentindo-se à vontade em campo. Como resultado natural disso, abriu vantagem logo aos 18 minutos, em belíssimo gol olímpico de Pikachu.
A marcação implacável sobre o setor de ligação do ABC foi o segredo do Papão para controlar o jogo durante todo o primeiro tempo, induzindo o adversário a erros primários na tentativa de chegar tocando a bola. O passeio só não foi maior porque na criação o Papão não conseguia se acertar.
Carlos Alberto, que voltou ao time, ficou muito preso ao cerco do ABC e se movimentou abaixo do esperado, prejudicando várias manobras ofensivas. Ainda assim, o Papão chegou ao segundo gol, aos 35 minutos, através de Leandro Cearense, confirmando a superioridade no jogo.
O segundo tempo foi equilibrado e se tornou tenso, com o ABC lançando-se ao ataque para diminuir a desvantagem e acuando o Papão em seu campo. Mas, se contra o Paraná o time foi instável na maior parte do tempo, contra o ABC mostrou consistência defensiva e determinação no ataque.
Sem alternativas para furar o firme cinturão protetor da zaga do Papão, o ABC ficou cruzando bolas sobre a área, sem maiores consequências. Melhorou no final, na base do abafa, criando algumas situações de perigo.
Com a expulsão de Fahel, Dado lançou Luiz Felipe, deslocando Jonathan para a meia cancha e deixando Pikachu livre para atacar. O ABC melhorou e impôs um certo sufoco, como era previsível, mas, se a armação bicolor funcionasse a contento, aproveitando os espaços, o placar teria sido bem mais amplo.
No final, uma vitória categórica, que confirmou que o time ganha confiança e autoridade a cada rodada. Perdeu, inclusive, o célebre acanhamento em jogos fora de casa. Dado fez o Papão atuar com disciplina tática, exibindo um conhecimento apurado sobre virtudes e defeitos do oponente.
É cedo ainda, mas acreditar no acesso deixou de ser delírio de torcedor fanático. Chances existem.

Bola na Torre

O programa debate a rodada da Série B e a situação geral do futebol paraense. Giuseppe Tommaso comanda, com participações de Saulo Zaire, Rui Guimarães e deste escriba de Baião. Começa logo depois do Pânico na Band, por volta de 00h10.

No mato sem cachorro

O bloqueio da receita, usado como argumento pelos diretores, é apenas parte do pesadelo que assombra o Remo a um mês da estreia na Série D. Há muito mais do que isso, sendo que muitos problemas nem vieram à tona ainda. O fato é que a caixa-preta das finanças do clube continua a desafiar a lógica e o bom senso.
Os transtornos causados pela falta de dinheiro tornam o futebol do clube praticamente ingovernável, permitindo prever um cenário ainda mais grave nos próximos dias. Por enquanto, os jogadores se recusam a treinar, como forma de protestar pela falta de pagamentos (desde abril) e pela ausência dos dirigentes.
O passo seguinte deve ser a debandada de atletas, alguns dos quais começam a ser sondados para deixar o Baenão. Fernando Henrique, por exemplo, foi procurado por um clube da Série B. Eduardo Ramos pode sair a qualquer momento. As incertezas, que já afetam a preparação do time, podem desfalcar seriamente o elenco na Série D.
Enquanto o clube estiver entregue à própria sorte, com um presidente ausente, a tendência é que a desesperança prevaleça. Principalmente depois que o STJD lavrou a sentença de três jogos de suspensão, condenando a torcida a ver o time em Belém pela Série D somente em setembro.
Diante de tantas notícias ruins, os verdadeiros remistas precisam agir, e rápido.

Seleção: da vergonha à indiferença

Contra o Peru, hoje, o Brasil estreia na mais encarniçada de todas as Copas Américas. O torneio se desenha como um dos mais difíceis dos últimos anos. Além da favorita Argentina e do Brasil, outras três seleções também estão no páreo – Chile, Uruguai e Colômbia.
O drama de Dunga e seus comandados é que ele corre desesperadamente atrás de um bom resultado para recuperar prestígio, depois do traumático 7 a 1 para a Alemanha. Por mais que os jogadores digam que não precisam provar nada a ninguém, a realidade aponta na direção contrária.
A Seleção vive hoje um de seus piores momentos em termos de popularidade, talvez só comparável à frustração decorrente da tragédia do Maracanazo. A diferença é que em 1950 a frustração se transformou em tristeza. Hoje, a vergonha gerou indiferença, ausência de sentimento. E somente vitórias podem diminuir as mágoas que a torcida carrega no peito.

Entry filed under: Uncategorized.

A Bola no Bola – Giuseppe Tommaso – 14.06.15 PAPO DO 40º – Ronaldo Porto – 15.06.15

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: