Coluna do Gerson Nogueira – 17.06.15

17 de junho de 2015 at 11:49 am Deixe um comentário

Gols bonitos e decisivos

Um gol pode mudar a história de um jogo e até a postura de um time em campo. Foi o que se viu ontem à noite no empate entre Náutico e Papão na Arena Pernambuco. Depois de perder o primeiro tempo, atuando com pouca movimentação no meio-de-campo e apanhando na marcação à frente da zaga, o time paraense se recobrou na etapa final graças a um lance isolado, executado com perfeição e brilho por seu melhor jogador. Aos 15 minutos, Pikachu cobrou falta rente à barreira e enganou o goleiro Júlio César.
Com muitas dificuldades para criar jogadas e muitos erros de passe, o Papão precisava desesperadamente de um lance redentor. Coube a Pikachu transformar em realidade as expectativas da equipe. Em situação normal, com a bola no chão, tentando enfrentar a forte postura defensiva do Náutico, seria difícil chegar ao gol.
O Timbu pernambucano marca com intensidade quase bovina. Recua praticamente o time inteiro quando está sem a bola. Briga o tempo todo para recuperá-la e parte com determinação e vontade. Mesmo com os desfalques no meio e no ataque, o técnico Lisca escalou um time agressivo.
No primeiro tempo, levou a melhor sobre a marcação do Papão e procurou explorar bem as subidas de Pikachu, que não contava com a devida cobertura. Foi por ali que chegou ao gol, com Pedro Carmona. Tinha em Wiltinho um meia-atacante insinuante, que criava alvoroço com dribles e arrancadas.
Do lado bicolor, sobressaía a personalidade do volante Fernando, que substituiu Fahel. Com bom posicionamento, distribuía passes, combatia e ainda tentava ajudar o ataque. Seus outros companheiros de marcação, Jonathan e Augusto Recife, não mostravam o mesmo desempenho e contribuíam para a intranquilidade da zaga, que andou se atrapalhando em lances bobos durante todo o primeiro tempo.
Depois do intervalo, Leandro Cearense se contundiu e abriu caminho para que Dado lançasse Misael. Rápido e habilidoso, Misael deu a dinâmica que faltava ao ataque e ajudou Aylon a aparecer melhor no jogo. Pena que ambos não tinham a necessária colaboração do setor de criação. Carlos Alberto foi peça decorativa no primeiro tempo e não foi notado no segundo.
O árbitro ignorou pênalti claro de Diego, botando a mão na bola em lance com João Lucas, mas o Papão tinha imensas dificuldades para criar lances de área.
Por sorte, havia Pikachu.
Seu gol – tão decisivo quanto o de sexta-feira em Natal – estimulou a equipe a reagir e acreditar. Animado, o Papão passou a buscar a vitória. O Náutico acusou o golpe e os ataques do time paraense se sucediam. Por volta dos 30 minutos, Dado trocou Jonathan por Edinho, mas deixou para substituir Carlos Alberto por Carlinhos quando o jogo já se encaminhava para o final.
Os donos da casa ainda tentaram aplicar um sufoco, mas não havia mais fôlego, nem consistência ofensiva.
Atuação apenas razoável do Papão, mas resultado excelente.

De cochilo em cochilo, o Leão afunda

Cacaio pode deixar o Remo a qualquer momento. A notícia trouxe novas preocupações à torcida azulina. Não faltam motivos ao treinador para pedir o boné. Não recebe salários e seu contrato sequer foi assinado – dorme na gaveta do presidente Pedro Minowa, que vive ausente do Baenão.
O técnico, responsável pelo título paraense e a excelente campanha na Copa Verde, também está insatisfeito com privilégios no pagamento de auxílio-moradia a alguns poucos jogadores do elenco. Já foi sondado por Santa Cruz e Paraná.

Baile argentino à beira do campo

Como citei aqui na semana passada, o Brasil perde de goleada para a Argentina quando o assunto é técnico de prestígio internacional. Só nesta Copa América os argentinos aparecem no comando de seis das 12 seleções. Gerardo Martino (Argentina), Jorge Sampaoli (Chile), José Néstor Pékerman (Colômbia), Gustavo Quinteros (Equador), Ramón Díaz (Paraguai) e Ricardo Gareca (Peru).
Domínio absoluto e incontestável.
A conversa mole dos nossos ditos professores não sensibiliza nem os vizinhos de continente. Na Europa, então, ninguém nem quer ouvir falar em treinador brasileiro, depois das experiências bizarras de Vanderlei Luxemburgo no Real Madri dos galácticos e de Felipão no Chelsea.
Ambos caíram, segundo fontes seguras, principalmente pela aridez de ideias, envelhecimento de métodos e dificuldades de comunicação. Falavam apenas o básico da língua de cada país, estabelecendo uma parede incontornável no diálogo com os atletas.
Além dos problemas de idioma, há também o costume de jogar sempre atrás, preservando o emprego. Os técnicos europeus também fazem isso, mas preservam um mínimo de compromisso com o jogo ofensivo, sabendo que só vitórias garantem a continuidade do trabalho.
Prevalece, acima de tudo, um conceito que condena os profissionais brasileiros ao esquecimento fora do território nacional: a ausência de atualização. Há trocentos anos, os times brasileiros jogam fechadinhos, fazendo rodízio de faltas e usando chuveirinho como tática ofensiva. Parados no tempo, só se criam por aqui mesmo.
Mas a reserva de mercado começa a ser ameaçada. São Paulo e Internacional, duas potências do nosso futebol, fazem apostas em comandantes estrangeiros.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 17.6.15 BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 18.6.15

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