Coluna do Gerson Nogueira – 29.06.15

29 de junho de 2015 at 3:09 pm Deixe um comentário

Futebol “paraguaio”

A eliminação do Brasil da Copa América não causou nenhum trauma nacional. Pelo contrário, a reação da maioria dos torcedores foi de certa indiferença. Críticas, ironias, deboche, mas nenhuma surpresa. No fundo, já se sabia que a Seleção de Dunga apresentava limitações extremas, que se tornaram ainda mais sérias quando Neymar perdeu a cabeça e foi suspenso da competição.
Desfalcada de seu único craque, a Seleção dependia da força do conjunto para sobreviver. Mas, afinal de contas, que conjunto? O time sempre atuou como se estivesse em fase de treinamento, sem esquema claro de jogo, a não ser um amontoado de gente no meio-de-campo e um atacante isolado na frente, esperando que o gol caísse do céu.
Foi assim ao longo de toda a competição, mesmo com Neymar em campo. Contra o Peru, a vitória só veio por obra e graça de suas qualidades individuais. A derrota para os colombianos foi um alerta final, evidenciando todos os pecados de um time que não tinha coerência de jogo e nem equilíbrio emocional.
A indigência técnica foi tão acentuada que Dunga logrou a façanha de escalar quatro zagueiros de área nos 15 minutos finais contra a “poderosa” Venezuela. Algo inédito na história do futebol brasileiro, mesmo nos tempos bicudos de retranca radical com Zagallo e Parreira.
No sábado, contra um Paraguai apenas voluntarioso, Dunga manteve Robinho no ataque, mas com um meio-de-campo que se destaca pela apatia e a baixa intensidade. O começo foi animador. Philipe Coutinho acertou um chute de longa distância, quase surpreendendo o goleiro Villar.
Aos 14 minutos, em jogada rara na Seleção e no futebol brasileiro atual, a bola foi passada por Robinho para Elias e, de pé em pé, chegou novamente a Robinho para o arremate final. Um gol de bonita construção e que deu a pinta de um astral diferente, com mais preocupação com a técnica do que com a força. Lego engano.
Bastou abrir o placar para a Seleção se deitar na moleza e voltar a adotar um comportamento burocrático. Tocando bola de lado e para trás, justificando o apelido de “time caranguejo”. Como não agredia, o Paraguai resolveu sair da inércia e passou a apostar em sua única jogada: bola aérea para Valdez e Roque Santa Cruz. Tentou uma, duas, três vezes. A defesa brasileira mostrava insegurança, saía estabanada e com isso encorajava o adversário.
Veio o segundo tempo e Dunga se manteve firme na convicção de que 1 a 0 era mais do que suficiente. Não era. Aos 24 minutos, Tiago Silva foi acometido de novo apagão mental (o outro foi pelo Paris Saint Germain na Champions League) e meteu a mão na bola em cruzamento que era dirigido a Santa Cruz. Não foi um gesto acidental, foi uma verdadeira cortada de vôlei.
Cabe aqui a observação quando ao despreparo anímico de certos jogadores. É inaceitável que um jogador experiente, titular de alguns dos melhores times do mundo, tenha ímpetos suicidas na grande área. Não gosto nem de imaginar o que o Tiago Silva seria capaz de fazer se fosse submetido ao estresse e à pressão de uma final de Copa do Mundo.
Gonzalez converteu o penal e, a partir daí, o Brasil repentinamente lembrou que precisava atacar. Mas a falta de hábito puniu o time de Dunga, que não conseguiu mais acertar nada e acabou sucumbindo à raça dos paraguaios. A derrota na série de penalidades era quase previsível ante o desânimo de toda a equipe.
A segunda eliminação seguida para o Paraguai – e em penais – na Copa América ajudam a explicar em boa medida a realidade do futebol brasileiro. Não tem mais craques, mas se comporta como se ainda estivesse na era de ouro. Não tem técnico, mas acha que os maus modos de Dunga representam comprometimento. Não tem estrutura confiável, nem investimento na base, mas a CBF gosta de alardear modernidade.
Em resumo: um festival de enganos. Como lá dentro, nas quatro linhas, não é possível enganar, as decepções vão se acumulando. E tendem a aumentar, pois o próximo desafio é classificar para a Copa de 2018, na Rússia. Com a bolinha atual e o projeto de técnico, a jornada será das mais ingratas. Oremos.

Amistoso vira guerra em Uberlândia

O Remo foi disputar um amistoso em Uberlândia, mas o confronto se transformou em verdadeira guerra. Por obra e graça de um assistente de arbitragem, que instigou e provocou os atletas paraenses. Como consequência disso, duas expulsões (Rafael Paty e Aleílson), com registro de boletim de ocorrência contra Paty por agressão ao árbitro.
Com a bola rolando, o Remo dominou o primeiro tempo e fez 1 a 0 com Aleílson, concluindo boa jogada de Alex Ruan pela esquerda. No segundo tempo, os mineiros empataram em cobrança de falta que Fernando Henrique aceitou. Haveria decisão em tiros livres da marca do pênalti, mas a comissão técnica do Remo, prudentemente, abriu mão.
Foi o primeiro teste azulino para valer no período de preparação para a Série D. Mesmo sem ter sido planejado, o clima hostil encontrado em Uberlândia pode também servir como alerta para a disputa da Quarta Divisão.

Conmebol abusa de critérios tortuosos

A Conmebol levou uma eternidade para anunciar a punição ao chileno Jara pelo incidente com o uruguaio Cavani. Confirmou sua notória tradição de hesitação diante de situações polêmicas. Faz o possível para se manter longe de queixas e pressões, evitando se comportar como a principal entidade futebolística do continente. Suspendeu o jogador por três jogos, pena que pode ser considerada até branda nas circunstâncias.
Para arrematar, premiou o atrapalhado árbitro Sandro Meira Ricci com a escalação para dirigir a semifinal entre Argentina e Paraguai. Além da ausência de critérios, a Conmebol prova que adora brincar com o perigo.

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