Coluna do Gerson Nogueira – 08.07.15

8 de julho de 2015 at 12:07 pm Deixe um comentário

Um jogo para esquecer

Foi seguramente a pior apresentação do time na Série B. Não mostrou articulação no meio de campo, agressividade no ataque e nem consistência na defesa. A equipe sofreu também com atuações individuais abaixo da crítica, como a do volante Fahel, que parecia fora de ritmo. Além disso, o segundo gol sofrido logo no recomeço da partida foi determinante para a derrota por 2 a 0. O consolo é que, apesar do resultado negativo e da perda da invencibilidade de oito jogos, o Papão se manteve em segundo lugar na competição.
Acima de tudo, é preciso compreender que o Papão perdeu para um candidato ao acesso. Mesmo abalado pela goleada de 4 a 1 para o rival Vitória na última rodada, o Bahia comportou-se à altura de suas tradições. Utilizando seis jogadores oriundos da base, conseguiu impor seu ritmo e construiu uma vitória com segurança, sem correr grandes riscos.
Os primeiros movimentos mostraram um equilíbrio entre os times, com concentração de jogadores no meio-campo. Depois dos 20 minutos, porém, o Bahia acelerou o jogo e, quando todo mundo esperava que fosse explorar as subidas de Pikachu, concentrou seus ataques pelo lado direito, em cima do lateral João Lucas.
Com os três volantes (Fahel, Capanema e Jonathan) falhando seguidamente no combate e na reposição de bola, o Papão tinha imensas dificuldades em fazer a transição. A situação era agravada pela baixa movimentação de Carlos Alberto, novamente dispersivo e sem criatividade. Um meio-de-campo não funciona sem volantes firmes e um armador dinâmico. O Papão não teve nem uma coisa, nem outra.
Na frente, somente Aylon mostrava a velocidade que o jogo exigia, quase abrindo o placar aos 13 minutos em boa escapada pelo meio da área. O problema é que não era ajudado por Leandro Cearense, que se perdia na marcação do Bahia. Pikachu, outra opção ofensiva, também pouco aparecia, preocupado em não desguarnecer o lado direito da defesa.
De sua parte, o Bahia tinha em Gustavo, Eduardo, Patrick e Jacó os jogadores mais perigosos, sempre criando boas situações e envolvendo a zaga paraense. Sem uma cobertura eficiente dos volantes, Gualberto e Tiago Martins ficavam expostos e batiam cabeça, falhando seguidamente.
O gol de Jacó aos 43 minutos confirmou a supremacia do Bahia em campo e expôs as deficiências de marcação do Papão. Minutos depois, já nos acréscimos, nova falha de Tiago Marins obrigou o goleiro Emerson a fazer o pênalti sobre Maxi. Na cobrança, o atacante mandou a bola longe.
Quando o jogo recomeçou, esperava-se um Papão reanimado e disposto a buscar o empate, mas logo a 2 minutos Jacó ampliou, aproveitando nova bobeira coletiva dos zagueiros bicolores.
Dado Cavalcanti trocou o inexpressivo Carlos Alberto por Edinho e Cearense por Souza, mas o time permaneceu travado, até porque a linha de volantes continuava a falhar, transmitindo insegurança a toda a defesa.
A situação só melhorou mesmo depois dos 35 minutos quando o Bahia começou a administrar, recuando em excesso. O Papão se animou e Edinho se aproximou de Pikachu permitindo boas arrancadas. Souza, lento e atrapalhado, ainda perdeu uma chance incrível. Mas não havia mais tempo e a vitória baiana, justa, estava garantida.

Pelo olhar do técnico, nada funcionou

Dado Cavalcanti avaliou que o primeiro tempo foi de fato ruim, mas que na etapa final a equipe igualou as ações. Disse que a compactação do time estava boa, mas a saída era deficiente. Observou ainda que faltou finalizar, de média e longa distância. Em resumo, o time não foi o mesmo de outras jornadas.
Só não explicou o motivo de não ter substituído Carlos Alberto por Carlinhos. Como também não deixou claro manteve Fahel, com atuação desastrosa, por Augusto Recife.
Como alguns de seus jogadores, Dado reclamou bastante da arbitragem, atribuindo a ela parte de seus problemas. Um exagero. Apesar de falhar no aspecto disciplinar, árbitro não comprometeu na parte técnica. Aliás, foi até camarada, pois no lance do pênalti poderia ter expulsado o goleiro Emerson.

O primeiro massacre ninguém esquece

Há quem analise o 7 a 1 histórico de Belo Horizonte como uma espécie de 11 de Setembro do futebol brasileiro. Descontado o evidente exagero, o fato é que o Brasil jamais se recuperou daquela sova de um ano atrás. Estava lá, ao lado de Carlos Castilho, Guilherme Guerreiro e Paulo Fernando. Acompanhei o massacre ao vivo, acomodado nas tribunas de imprensa do Mineirão, ao lado de jornalistas do mundo inteiro, igualmente perplexos com o desenrolar da partida.
Ao escrever a crônica daquele jogo, lamentei que o futebol – ao contrário de basquete e vôlei – não tenha pedidos de tempo para que os técnicos possam arrumar a casa em meio a uma tormenta. E aquilo ali foi bem mais que um vendaval, foi um tsunami de grandes proporções.
Os cinco gols marcados pela Alemanha em sequência matadora destroçaram o time de Felipão e cravaram um novo trauma na alma do torcedor brasileiro. Bem pior do que o drama de 50, a tragédia do Mineirão foi marcada pela humilhação. E a certeza de que jamais, nem em 300 anos, conseguiremos ir à forra.
Em retrospecto, cabe observar que a superioridade técnica dos alemães na Copa era reconhecida, mas ninguém em juízo perfeito imaginava um desfecho tão doloroso daquela semifinal. Jogadores como Dante, David Luiz e Fernandinho sequer viram a cor da bola. Felipão, ao lado do campo, estava mais perdido que todos. E continuaria assim na disputa do terceiro lugar diante da Holanda.
De bom naquela noite morna em BH, somente o encontro inesperado com o Placido Domingo no restaurante D. Lucinha duas horas depois da goleada. Gentil e compadecido de nossa desdita, o tenor espanhol disse ter sofrido ao ver tanta gente chorando no estádio e vaticinou a recuperação do Brasil na Copa de 2018. Generosa previsão, na qual obviamente nenhum de nós botou fé.

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