Coluna do Gerson Nogueira – 17.07.15

17 de julho de 2015 at 5:14 pm Deixe um comentário

O adeus do carrasco

Quis o destino que a morte de Alcides Ghiggia, herói da conquista uruguaia mais celebrada e carrasco do Brasil pelas mesmas razões, coincidisse com a data histórica do Maracanazo. Há exatos 65 anos, no dia 16 de julho de 1950, o veloz e franzino ponta-direita (então com 23 anos) silenciou 200 mil torcedores presentes ao então maior estádio do mundo e outras milhares de pessoas espalhadas pelo país.
Partiu ontem certamente recompensado pelas lembranças da glória conquistada naquela tarde distante no Rio de Janeiro. Talvez tenha sido a homenagem derradeira dos deuses da bola.
Cá pra nós, o trauma de 50 só não é maior para a torcida brasileira porque foi substituído pelo recente vexame de Belo Horizonte. A surra aplicada pelos alemães fez abrandar a dor sentida pela perda da primeira Copa do Mundo promovida no Brasil.
Vi inúmeras entrevistas de Ghiggia falando sobre o Maracanazo e sempre pareceu um sujeito tranquilo, humilde, alegre e de bem com a vida. Uma postura comum aos craques que atuaram na era dourada do futebol, quando a menor das preocupações era em amealhar fortunas.
Nos dias de hoje, acima de qualquer outra motivação, os boleiros elegem a independência financeira como meta inicial a alcançar. O que vier depois é lucro. Por isso mesmo, rareiam exemplos como o de Gigghia, cujo impulso na carreira só viria depois da conquista da Copa do Mundo.
Depois de uma punição decorrente de briga em campo no campeonato uruguaio, deixou o seu amado Peñarol e foi jogar na Itália. Ganhou dinheiro e fama como atacante do Roma. Acima de tudo, se divertiu muito, com a vida noturna de então, a mesa farta e o conforto que o futebol italiano oferecia.
Em campo, correspondeu plenamente à expectativa. Comandou a recuperação do clube e chegou a defender a Azzurra, beneficiando-se do fato de ser um oriundi (descendente de italianos). Os gols, a identificação com a torcida e as conquistas eternizaram seu nome na história do clube
Viveu bem, mesmo depois de se aposentar dos gramados. Foi, enfim, um homem feliz. Só por isso já é merecedor de todas as homenagens. Era o último sobrevivente daquele grupo de 22 jogadores que terminou aquela partida inesquecível no Maracanã. Tinha 88 anos.
(Artigo humildemente inspirado em crônica premonitória de Giovanni Guerreiro, publicada no portal ESPN, antes do falecimento de Ghiggia)

Uma nova dupla nasce no Leão

Os últimos treinos do Remo indicam que Cacaio, forçado pelas circunstâncias, deverá escalar um ataque com Welton e Aleílson contra o Rio Branco, amanhã, em Paragominas. Pode dar liga. A dupla mostrou desembaraço durante os coletivos da semana e pode dar ao time uma movimentação ofensiva que não há quando joga com um centroavante fixo, como Rafael Paty. Welton joga na área também, mas sabe sair para buscar a bola e tentar tabelinhas em velocidade.
Ao lado de Aleilson, tem condições de formar uma nova dupla de ataque, capaz de resolver o que já se configura como o maior problema do Remo na Série D: o desperdício de gols. Contra o Vilhena, domingo passado, foram pelo menos cinco grandes oportunidades perdidas por precipitação, falha de pontaria e posicionamento adequado.

Das dores do inferno às glórias do céu

O futebol prega peças e deixa lições. O atacante Misael tem exibido qualidades que confirmam o acerto de sua contratação pela diretoria do Papão. Arisco e habilidoso, vai se credenciando como um reserva qualificado, que sempre aparece bem quando chamado a entrar.
Foi assim contra o Macaé, quando em poucos minutos conseguiu produzir o que o titular Souza não fez ao longo de quase 80 minutos. Entrou na área, gingou na frente do marcador e sofreu pênalti. Confiante, pegou a bola e partiu para a cobrança. O chute saiu fraco e em cima do goleiro, que evitou o gol. Um minuto depois, o Macaé desempataria e Misael cairia em desgraça perante a torcida. Houve quem até cobrasse sua dispensa, responsabilizando-o diretamente pela derrota.
Cinco dias depois tudo mudou. A situação se inverteu por completo quando o mesmo Misael entrou no jogo contra o Bahia. Da mesma maneira desassombrada da partida anterior, foi pra cima da defesa inimiga.
Em investida rápida pela direita, cortou um zagueiro junto à linha de fundo, depois fintou outro e bateu na saída do goleiro. O gol abriu caminho para uma vitória que era improvável até ele entrar em campo. Na verdade, o Bahia foi superior no primeiro tempo e podia ter balançado as redes.
Misael foi fundamental para restituir confiança ao time, que a partir de seu gol encaminhou um triunfo categórico por 3 a 0. Saiu de campo de peito lavado, com a atuação louvada por todos.
O futebol é muitas vezes ingrato, mas consegue ser generoso também com os que perseveram.

Agressão e covardia

Fazia tempo que o Mangueirão não via cenas tão agressivas contra profissionais de imprensa como as que ocorreram na quarta-feira à noite, depois do jogo entre Papão e Bahia. O repórter Chico Chagas, da rádio Marajoara, foi agredido pelo auxiliar técnico do time baiano, identificado como Denys Luctke Fancincani.
Chagas buscava se aproximar para entrevistar o técnico Sérgio Soares quando levou um soco, caindo ao lado do túnel utilizado pelo time baiano. Não havia mais policiamento no gramado do estádio e o repórter não teve a quem recorrer. Através dos confrades, a denúncia foi feita na hora, mas o agressor conseguiu sair sem maiores incômodos. A Aclep se posicionou através de nota oficial, repudiando a atitude do funcionário do Bahia.
Resta agora ao próprio Bahia tomar as atitudes cabíveis em relação ao profissional que maculou, de forma tão irresponsável, a sua imagem de tradicional clube do futebol brasileiro.

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