Coluna do Gerson Nogueira – 19.07.15

19 de julho de 2015 at 1:41 pm Deixe um comentário

Sob o peso da lei

A notícia que fechou a semana não podia vir em pior momento para quem está conduzindo o futebol do Remo e lutando bravamente para juntar os cacos depois da semidestruição provocada pelas caóticas administrações de Zeca Pirão e Pedro Minowa.

Com a anunciada decisão da Justiça do Trabalho de autorizar a venda da área do Carrossel, o clube deverá perder um patrimônio importante por valor abaixo do esperado e insuficiente para sanear as dívidas trabalhistas do clube, muito agravadas pelo último período da gestão anterior.

Ao provável preço de R$ 10 milhões, o Remo ficará sem a área e ainda continuará a dever pelo menos R$ 3 milhões, pois a negociação com os credores será inviabilizada pela venda através do TRT. Caso tivesse condições de gerir o dinheiro arrecadado, o clube poderia procurar individualmente os reclamantes e baixar os valores.

Na forma como a coisa se desenha, os advogados de atletas e ex-funcionários estarão cientes de que o dinheiro está disponível e naturalmente exigirão o pagamento integral de cada ação.

Tudo isso poderia ter sido evitado – ou atenuado – se alguns cuidados básicos tivessem sido tomados ao longo dos últimos anos. A oferta de salários irreais a atletas caros (e improdutivos), associada à conhecida irresponsabilidade na redação dos contratos com atletas, está por trás de quase todos os problemas que travam a vida do clube.

Ronaldo Passarinho, grande benemérito e campeão nas batalhas jurídicas em defesa do Remo, encaminhou ainda em agosto do ano passado um pedido de informações, legalmente embasado (citando o artigo 7 da Constituição Federal, caput), e a resposta até hoje não veio.

Na solicitação, ele pedia informações sobre valores, duração de contratos, luvas de atletas e patrocínio no período de janeiro a julho de 2014. Queria saber se seria possível cobrir as dívidas que se acumulavam. Queria evitar que o clube tivesse verbas bloqueadas e perdesse patrimônio. Para seu espanto, o então presidente ignorou a cobrança e ainda teve suas contas aprovadas pelo Conselho Fiscal do clube, apesar de comprovada gestão temerária.

Para os que acompanham o dia-a-dia do clube e sabem da devastação ocorrida nos últimos anos, a atual situação não chega a surpreender. Os membros do Conselho Deliberativo e Confins, por motivos óbvios, também conhecem bem o tamanho da encrenca.

Associados e torcedores, porém, só ficam sabendo da tragédia quando as chamas já estão muito altas para serem debeladas. Aí nada mais resta do que chorar sobre o leite derramado. Um clube da grandeza do Remo não pode ficar à deriva, correndo o risco de desaparecer por força da inépcia dos gestores e da omissão de seus conselheiros.

CBF: entre o atraso e a incompetência

Com a solene promessa de tirar o futebol brasileiro do atraso, o presidente da CBF reuniu duas frentes de trabalho, caprichando no marketing de que a entidade está mesmo preocupada com o futuro do esporte mais popular do país.

Seus primeiros passos nessa direção acabaram traindo a verdadeira intenção. Ao escolher técnicos completamente desatualizados para debater a nova realidade deixou claro que a intenção é apenas fazer marola para deixar tudo como antes.

Quem, em sã consciência, acredita que Zagallo, Parreira, Lazaroni, Carlos Alberto Silva, Candinho e Dunga podem de fato descortinar novos rumos para o futebol do país?

Dois deles conquistaram títulos, tiveram passado vitorioso no comando da Seleção Brasileira, mas se perderam em alguma curva do tempo, mumificados e aferrados a suas ideias anacrônicas e ultrapassadas. Parreira e Zagallo ainda acreditam que o melhor caminho para a vitória passa por sistemas defensivistas.

Nada a ver com a contemporaneidade de times extremamente dinâmicos e leves, como Barcelona e Bayern de Munique, capazes de ousadias como jogar com apenas dois zagueiros e um volante. Carlos Alberto Silva quando novo já era atrasado, o mesmo pode-se dizer de Lazaroni e Candinho, cuja marca principal na carreira é ter treinado a Portuguesa por quase 10 anos.

Na mesma semana, Marco Polo Del Nero reuniu os dirigentes de clubes para formar um conselho técnico da Série A que já nasce viciado. Tratou de prestigiar justamente os endividados e, obviamente, mais cordeirinhos – do Atlético-MG, do Corinthians, do Fluminense, do Atlético-PR e do Grêmio. Todos irrefreáveis caloteiros e acostumados a colecionar dívidas geradas por contratações extravagantes.

Está claro que o alardeado projeto de mudar o futebol brasileiro é potoca para impressionar incautos. Não por acaso, os principais assessores e conselheiros de Del Nero são figuras alheias ao universo do esporte, cujo maior mérito é a capacidade de fazer malabarismos políticos.

Walter Feldman, ex-assessor de Marina Silva e ex-tucano de carteirinha, é o secretário geral da CBF. Nunca chutou uma bola, talvez nem saiba a diferença entre impedimento e linha burra. O outro consultor de todas as horas é ninguém menos que João Dória Jr., lobbista profissional conhecido por programas sonolentos na TV e pelo convescote anual de empresários no interior da Bahia.

O que essa gente teria a oferecer de fato para tirar o futebol do Brasil do abismo em que se encontra? Obviamente, nada. Del Nero sabe disso e finge vivo interesse até para fazer esquecer as respostas que a CBF continua devendo sobre a parte que lhe cabe na gigantesca bandalheira capitaneada pela Fifa.

Bola na Torre

Programa terá Guilherme Guerreiro no comando e participações de Giuseppe Tommaso, Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Começa depois do Pânico na Band, por volta de 00h10.

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