Coluna do Gerson Nogueira – 20.07.15

20 de julho de 2015 at 4:44 pm Deixe um comentário

A Dado o que é de Dado

O Papão não jogou bem no primeiro tempo permitindo ações perigosas do adversário, melhorou um pouco no segundo, mas não foi competente para administrar a vitória que caiu do céu nos minutos finais, terminando por ceder o empate num cochilo imperdoável de todo o sistema defensivo.
Contra um Sampaio tecnicamente bem arrumado, mas que veio disposto a arrancar o empate, o Papão pecou pelo excesso de toques antes de definir as jogadas e certa ausência de objetividade. Pecados, aliás, que já vem se observando há algumas rodadas, mesmo em ocasiões vitoriosas.
O empate no minuto final adquiriu cores mais dramáticas porque a vitória estava na mão, conquistada com extrema dificuldade em típica jogada aérea de fim de jogo, lembrando até as circunstâncias da traumática derrota para o Macaé já nos acréscimos.
Entendo que, apesar da desatenção dos zagueiros no gol do Sampaio, o lado mais preocupante da atuação do Papão no sábado está na insistência em manter no time um jogador improdutivo. Com Souza no ataque, Dado escala uma equipe com uma peça a menos, o que naturalmente acarreta uma sobrecarga aos demais jogadores.
Um centroavante, ao contrário do que alguns tentam argumentar, existe basicamente para fazer gols. Se não faz, deve pelo menos facilitar as coisas para que outros façam em seu lugar. Não é o caso de Souza, que vem jogando com base no passado de artilheiro.
Fahel, que voltou a mostrar instabilidade e lentidão, andando em campo na maior parte do tempo, barrou Augusto Recife, cuja única desvantagem em relação ao novo titular está na altura.
Ao marcar o segundo gol da vitória sobre o Bahia, na quarta-feira, confirmando uma de suas virtudes, parece ter sacramentado de vez a titularidade. Ainda assim, Recife continua a ser mais jogador, pois sabe passar e organiza o jogo a partir da linha de volantes.
Quando Dado viu-se obrigado a mexer no segundo tempo, diante da clara impossibilidade de chegar ao gol com Souza lá na frente, tudo mudou. Mais ágil, o Papão passou a fustigar a defensiva maranhense, provocando erros seguidos dos zagueiros e criando boas chances. Tudo porque Leandro Cearense também ajuda Aylon a marcar a saída de bola do adversário.
Por outro lado, com Jonathan em campo, Pikachu naturalmente cresce de rendimento porque fica desobrigado da marcação, passando a contribuir para uma transição rápida, inviável hoje no deserto criativo da meia-cancha bicolor. Jonathan acrescenta porque, mesmo sem ser um meio-campista excepcional, produz mais, é rápido e simplifica as coisas.
A Série B é difícil, competitiva e cheia de armadilhas. Para chegar a algum lugar, é preciso mostrar regularidade e capacidade de resistência. Erros bobos de avaliação podem levar a prejuízos maiores mais à frente.
Pelos aspectos citados, pode-se dizer que Dado é o maior responsável pela atuação oscilante diante do Sampaio. Da mesma maneira que se deve sempre reconhecer e destacar que ele é o responsável pela surpreendente campanha do time na Série B.

Cacaio precisa fazer as pazes com Cacaio

O Remo parece ainda carregar o fardo emocional da goleada sofrida em Cuiabá na decisão da Copa Verde. O resultado abalou profundamente as convicções do técnico Cacaio, que nunca mais teve a ousadia tática que lhe garantiu sucesso no Campeonato Paraense e no próprio torneio nortista. Ficou intimidado pelo fracasso naquela final e passou a abraçar a cautela como companheira. Pode estar aí a explicação para o pífio desempenho do Remo nas duas partidas pela Série D.
Contra o Vilhena, abriu o placar, mas resolveu segurar resultado na etapa final e cedeu o empate. A situação quase se repetiu no sábado à tarde na Arena Verde. Senhor absoluto das ações durante todo o primeiro tempo, o Remo não foi capaz de organizar ataques que permitissem furar a retranca do Rio Branco.
Eduardo Ramos, o mais dinâmico da equipe, carregava a bola até a entrada da área e esbarrava na firme marcação dos visitantes. Quando buscava alguém para dialogar, só enxergava Ratinho, muito vigiado quando caía pela esquerda.
No segundo tempo, o time melhorou um pouco, com Juninho e Levy substituindo a Ratinho e Ameixa. Mais agressivo, Juninho comandou uma pressão mais objetiva. Ele próprio disparou dois chutes perigosíssimos após ter entrado.
Quando a situação já parecia se encaminhar para novo empate, o próprio Juninho bateu um escanteio pela direita e achou o zagueiro Henrique na pequena área. Um gol salvador à aquela altura.
É verdade que, mesmo sem se organizar adequadamente para envolver o adversário, o Remo ainda produziu boas situações de área em lances envolvendo Eduardo Ramos.
Foram três bolas na trave, duas com Rafael Paty e uma com Max, mas a equipe parecia frágil, sujeitando-se a sustos desnecessários, como ataques fulminantes do Rio Branco nos dez minutos finais.
A destacar, além do bom trabalho de Ramos e Juninho, a atuação de Henrique ao lado de Max na zaga e o empenho de Paty na frente. Whelton também apareceu mais que Aleílson, ainda meio encabulado com a camisa azulina.
São sinais animadores, mas ainda é pouco para quem tem ambições de acesso.

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