Coluna do Gerson Nogueira – 19.08.15

19 de agosto de 2015 at 11:49 am Deixe um comentário

Radiografia de um vexame

O Remo segue afrontando seus torcedores com atuações pífias em momentos importantes. Na segunda à noite, jogando em Boa Vista (RR) com transmissão em TV aberta (via RBA), o time foi tão lerdo e desinteressado quanto havia sido na final da Copa Verde contra o Cuiabá. Em certos momentos, a impressão é de que os jogadores estavam numa pelada de fim de semana, tal o ritmo lento empregado nos primeiros momentos.
A agressividade do Náutico, para um time que ostenta a lanterna do Grupo A1 da Série D, parece ter pego o Remo de surpresa, como se os comandados de Cacaio nunca tivessem encarado um adversário mordido e querendo mostrar seu valor.
Apesar de estar na pior colocação da chave e das precárias condições de sobrevivência do time, o Náutico criou problemas para todos os times que o visitaram. Nacional e Rio Branco empataram lá dentro, mas o Remo parecia inicialmente convencido de que iria dar um passeio. Com a firme postura dos donos da casa, a equipe paraense ficou sem saber como agir.
É claro que a atuação desastrosa do sistema defensivo e o terrível desperdício de gols – pelo menos oito grandes chances – foram determinantes para o resultado vexatório. Disperso em campo, o Remo atuou como se os jogadores estivessem se conhecendo ali no esburacado gramado do Ribeirão.
Essa desarrumação tática foi causada pelas mudanças feitas no time pelo técnico Cacaio. Usou um combo de 4-6-1 com 4-3-2-1, mas com evidente falta de familiaridade dos jogadores com o esquema. Eduardo Ramos, principal articulador da equipe, foi destacado para a função de segundo atacante. Apesar do visível esforço para contribuir, acabou subutilizado, tendo que fazer as vezes de ponta esquerda sem qualquer cacoete para a função.
Pior que isso: sem Ramos a ditar o ritmo no meio-de-campo, o jogo azulino passou a depender de seus três volantes, com Chicão um pouco mais adiantado. A bola acabava rifada em meio à empedernida disputa com os meio-campistas do Náutico.
Ao abrir mão de atacantes de ofício para vencer o jogo, Cacaio condenou Rafael Paty à solidão na grande área. Esforçado, o atacante tentava aproveitar as poucas bolas que iam em sua direção ou que passavam pelos beques. Acertou uma apenas, mas terminou substituído por Welthon tornando o ataque azulino ainda mais atrapalhado.
Com seis homens no meio, era de se esperar que o Remo fosse mais contundente nas ações ofensivas, sufocando o Náutico desde o começo. Aconteceu justamente o contrário. Quem se movimentou de maneira mais inteligente foi o modesto time roraimense, que esperava as subidas azulinas para encetar contragolpes agudos.
Os dois gols do Náutico no primeiro tempo nasceram de jogadas pela direita, em cima do espaço deixado pelo lateral Rodrigo Soares, que custava a voltar dos avanços ao ataque. Por ali aconteceram os dois cruzamentos fatais, pegando a zaga em linha e quase imóvel. O segundo gol teve ainda a participação do volante Leandro, que errou o salto e não conseguiu cortar a bola.
No segundo tempo, já com três atacantes (Aleilson, Welthon e Léo Paraíba), Cacaio deixou as cautelas de lado e partiu para o tudo ou nada. Talvez se tivesse invertido as prioridades, a sorte teria sido diferente. Diante do pior time do grupo, o mais coerente seria entrar com uma escalação ofensiva, capaz de resolver a partida logo de cara.
Que o vexame do Ribeirão tenha servido de lição para o desenrolar da Série D, cuja primeira fase ainda está indefinida. O Remo, que se destacava como melhor do grupo, já não pode exibir a mesma segurança e vai depender de pelo menos duas vitórias para sacramentar a classificação.

Gramados que desafiam o bom senso

Ao ver as imagens do estádio Bezerrão, onde Brasília e Goiás se enfrentariam ontem à noite, não pude deixar de comparar com as precárias condições do gramado do estádio Raimundo Ribeiro, em Boa Vista, onde o Remo jogou contra o Náutico na segunda-feira à noite. A pergunta que não quer calar: que critérios a CBF utiliza para liberação desses campos, verdadeiros charcos sem a mínima condição de receber jogos de competições nacionais. Aqui no Pará mesmo há a situação da Arena Verde, também bastante castigada, o que só desperta mais dúvidas sobre as normas estabelecidas pelos que mandam no futebol brasileiro.

Crônica molhada de amor e poesia

Peço permissão aos 27 baluartes da coluna para reproduzir aqui a carinhosa manifestação de meu compadre Waldemar Marinho, a respeito de episódio marcante por ocasião do nascimento do infante João Gerson, há exatos 14 anos.
“Considerações sobre o Ofício de Pai e um aborrecente que não gosta muito de tirar fotografias. Esse moleque travesso de camisa verde aí dessa imagem é o badalado infante João Gerson Nogueira, meu afilhado. Quando ele nasceu, num certo 17 de agosto, leonino, portanto, meu compadre estava atarefado com o fechamento da edição do jornal daquele dia e chegou na maternidade quando ele já estava fora da barriga da mãe, muito bem assistida pela madrinha do João que a estava acompanhando, enquanto o compadre cumpria sua obrigação profissional.
A madrinha então pegou o rebento com delicadeza e o depositou nos braços do pai que, cansado, sentou-se em uma cadeira e caiu num pranto emocionado, molhando a camisinha do molequinho com as mais puras lágrimas de amor de pai num momento de atmosfera divina e abençoada.
Essa narrativa me foi feita pela madrinha dele, mais tarde, tendo em vista que naquele dia eu estava viajando a serviço como era o meu ofício antes da aposentadoria.
Hoje, um dia depois do aniversário, contemplando essa fotografia publicada na página do meu compadre, e lendo o seu texto, posso compreender perfeitamente a origem do gesto e das lágrimas no dia daquele nascimento: o amor que une essa família. Garantia de que meu afilhado está se desenvolvendo num universo feito de união, simplicidade, trabalho, harmonia e amor. Nada poderia ser melhor para ele.
Parabéns pra você, meu querido João Gerson Nogueira.”

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 19.8.15 Coluna do Gerson Nogueira – 20.08.15

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