Coluna do Gerson Nogueira – 23.09.15

23 de setembro de 2015 at 12:13 pm Deixe um comentário

O enigma Kiros

O Remo se prepara para outro mata-mata na temporada. Foi relativamente bem nos anteriores, embora a memória mais recente seja ingrata. O fracasso em Cuiabá, com direito a surra de 5 a 1 na final da Copa Verde, ofuscou feitos importantes em rodadas eliminatórias, como as semifinais da própria Copa e do Campeonato Paraense contra o Papão e a decisão do certame estadual diante do Independente Tucuruí.
A derrota na Copa Verde deixou traumas na torcida e principalmente no técnico Cacaio, que custou a se recompor do impacto. Ao longo da Série D, mesmo com boa campanha, o time oscilou muito e pareceu sempre extremamente inseguro quando pressionado. Era como se receasse levar nova goleada desmoralizante como a de Cuiabá.
É fundamental que essas sequelas tenham sido curadas e deixadas pelo caminho, pelo bem do próprio Remo. Só nas quatro últimas rodadas da competição nacional, depois de surpreendente derrota frente ao Náutico em Roraima, o esquema de meia-cancha com dois volantes e dois armadores voltou a ser utilizado.
A mudança foi providencial, pois afastou a cautela excessiva, que levava o time a levar sufoco até de equipes limitadas como o próprio Náutico e o Vilhena. Com Eduardo Ramos e Edcléber na meia-cancha, tendo Chicão e Ilaílson como volantes, o Remo voltou a ter a ofensividade que garantiu a conquista do Parazão e o vice-campeonato da Copa Verde.
Para que essa alteração frutifique será preciso, porém, que Eduardo Ramos tenha de fato liberdade e espaço para jogar junto aos atacantes no jogo de sábado em Palmas. Na partida contra o Vilhena, no Mangueirão, o camisa 10 ainda ficou muito preso às ações no meio, embora sua participação tenha sido decisiva para a construção da vitória.
Nas batalhas com o Palmas, o Remo terá que contar com jogadas pelos lados e alternativas pelo meio, principalmente se o atacante Kiros (foto) entrar como titular. Acostumado a jogar fixo na área, dependerá da produção e da aproximação dos demais atacantes e armadores. Juninho, provável substituto de Edcléber, deve ser o responsável pela organização de jogadas, mas Ramos só funcionará como atacante se jogar junto à grande área.
Este desenho ofensivo incluindo Kiros, que não foi testado com Eduardo Ramos em campo, é a principal incerteza para o jogo de sábado. Ao mesmo tempo em que dependerá da criatividade de seus armadores, o Remo terá que contar com os laterais Levy e Alex Ruan mais ativos e presentes no ataque, pois Kiros só terá utilidade se receber bons cruzamentos.
Pelo porte físico, que leva a comparações apressadas com Alcino, Kiros é visto como solução para quase todos os problemas do ataque remista. Pode vir a ser, caso bem aproveitado no jogo aéreo, mas o time não pode abrir mão de outras opções, como a movimentação de Léo Paraíba e a presença de área de Rafael Paty, principal goleador remista na temporada.
Por ora, o rendimento de Kiros ainda é um enigma. Estava sem jogar há meses, treinou três vezes com o elenco e estreou no amistoso com o Castanhal sem maior destaque. A lógica diz que talvez fosse mais produtivo usado como arma para mudar o jogo no segundo tempo.

A incrível proeza do polonês goleador

Em incríveis nove minutos, dos 6 aos 15 minutos do segundo tempo de Bayern de Munique x Wolfsburg, Robert Lewandowski cravou seu nome na história do futebol moderno. Cinco gols em tão curto espaço de tempo constituem façanha incomum em tempos de dura marcação, vigilância defensiva e poucos craques em campo. Mesmo pertencendo ao timaço do Bayern, o atacante polonês esbanjou categoria e oportunismo para fulminar a zaga adversária.
O Wolfsburg vencia por 1 a 0 no primeiro tempo e parecia pronto a aprontar uma zebra em Munique. No intervalo, o técnico Pep Guardiola lançou Lewandowski no comando do ataque, deslocando Douglas Costa para a esquerda e Thomas Müller para o lado direito.
Foi o suficiente para confundir o sistema defensivo do Wolfsburg, entregue aos brasileiros Naldo e Dante. Quatro dos cinco gols saíram em cima de Dante, o espalhafatoso beque que parece realmente predestinado a protagonizar goleadas infames, como no histórico 7 a 1 em Belo Horizonte na última Copa, no qual teve papel destacado, falhando em pelo menos cinco gols.
E Lewandowski esteve perto de fazer mais dois gols, mas a zaga interceptou seus arremates. Uma atuação estupenda, valorizada por ter acontecido num campeonato de alto nível, como o Alemão.
Não se pode dizer que foi apenas um espetacular golpe de sorte. Pelo Borussia Dortmund, ele marcou quatro vezes contra o poderoso Real Madri na semifinal da Champions 2013-2014. Óbvio que o fator sorte está sempre presente em goleadas, mas é preciso fazer por onde ele se manifeste. Lewandowski fez e aconteceu.

Lateral troca Brasil pela Alemanha

No fim do dia, a Alemanha produziu outra notícia surpreendente. O lateral brasileiro Rafinha anunciou publicamente sua desistência da Seleção Brasileira, abrindo mão de convocações futuras e confirmando o processo de naturalização para defender a seleção germânica. Nos tempos de Zagallo e seu discurso “ame-o ou deixe-o”, Rafinha seria execrado por esnobar a camisa canarinho pentacampeã do mundo.
Seu gesto só não causa mais espanto porque a fase da Seleção Brasileira não é mesmo das mais atraentes. O time se transformou num fantasma, com lampejos em alguns amistosos furrecas, mas sem jamais comover ou tocar o coração da torcida depois do desastre de 2014.
Além do mais, Rafinha toma um caminho que Diego Costa já havia seguido há três anos, quando decidiu pela cidadania espanhola e virou as costas para o escrete então dirigido por Felipão. Teve peito e veio jogar a Copa pela Espanha de Vicente Del Bosque.
Longe de embarcar naquele discurso xiita de amor à pátria e outras baboseiras do gênero, entendo que um atleta precisa ter responsabilidade. No último dia 17, ao ser convocado para as Eliminatórias, Rafinha postou mensagens nas redes sociais exultando com a chance de representar o país e “feliz com a oportunidade”.
Pelo visto, mudou de ideia em apenas uma semana.

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