Coluna do Gerson Nogueira – 25.09.15

25 de setembro de 2015 at 3:15 pm Deixe um comentário

Sapateado de catita

Ex-companheiro de quarto do Baixinho na Copa do Mundo de 1994, Dunga pegou firme em resposta a Romário, que havia criticado o critério de convocações da Seleção Brasileira. O técnico exige que o senador prove as acusações sobre tráfico de influências em torno da escolha de jogadores. Aproveita para tecer loas ao supervisor de Seleções, Gilmar Rinaldi, dizendo que o conhece há muito tempo, como se isso fosse prova absoluta de lisura.
Em nota, Dunga renega as ligações com Romário. “Amizade pressupõe respeito, lealdade e estrita confiança na integridade de quem (sic) dedicamos aquele sentimento. Por isso, o senador Romário nunca esteve no meu rol de amigos e ele fica na obrigação, sobre o que disse, de apresentar fatos”, afirma, tomando as dores de Gilmar.
A presença de Gilmar no cargo é dessas excrescências próprias da CBF. Depois de encerrar a carreira de jogador, dedicou-se a agenciar atletas. Adriano Imperador foi um de seus mais notórios clientes. Na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, entrevistei Gilmar à beira do campinho de treinos de Köningstein.
Declarou na ocasião que levava fé no sucesso de Adriano naquele mundial, formando com Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Kaká o chamado quarteto mágico do Brasil. Dias depois, a Seleção seria eliminada pela França de Zidane e o centroavante iniciando ali sua derrocada. A atividade de empresariar jogadores representa um flagrante conflito de interesses com a de supervisor da Seleção. Isso deveria ter impedido a indicação de Gilmar para a função.
Grosso modo, é como botar a raposa para vigiar o galinheiro.
O fato é que as convocações se tornaram um prato cheio para especulações e suspeitas. Tudo começou com a dupla Zagallo e Parreira, responsável por lembrar de atletas que ninguém conhecia ou por outros que eram bem conhecidos pelo futebol limitado – casos de Amaral, Viola, Paulo Sérgio e outros.
Desde então, as chamadas de jogadores para o escrete se transformaram em sinônimo de balcão de negócios, envolvendo empresários, agentes de atletas e clubes. Essa promiscuidade tem sido combatida à meia força, com evidente má vontade.
CBF e autoridades não têm interesse em enfrentar a situação, talvez pelo próprio grau de comprometimento. Nenhuma apuração a respeito teve caráter conclusivo. Na prática, persiste blindagem poderosa, que impede avanços e ignora denúncias.
A CPI do Futebol, que Romário ora preside no Senado, tornou-se um palco dos mais privilegiados para que o assunto volte a ser investigado e discutido a sério. O jornalista inglês Andrew Jennings participou de audiência no mês passado, afirmando com todas as letras que o esquema de corrupção que domina a Fifa teve início pelo Brasil.
Não se ouviu qualquer resposta por parte da CBF, diretamente acusada pelo repórter. Ao contrário, o presidente Marco Polo Del Nero faz questão de fingir o tempo todo que não ouve, não lê e não sabe nada sobre os escândalos que levaram à prisão de seu antecessor no cargo, José Maria Marin.
Por enquanto, Romário brada sozinho, bem ao estilo justiceiro que o levou à câmara mais alta do parlamento brasileiro, mas com resultados até aqui muito parecidos às tentativas anteriores de revirar no lixo produzido pelo futebol e seus donos no país.
Dunga se abespinhou com as críticas do ex-parceiro, advogou por Gilmar, mas não abriu mão de nomes controvertidos nas últimas convocações. Por seu turno, o Baixinho até agora fez firulas, mas não invadiu a área dos grandes latifúndios do futebol no Brasil, a começar pela detentora dos direitos de transmissão e dona dos campeonatos. Enquanto não encarar isso de frente, tudo não passará do nosso conhecido sapateado de catita.

Tio Sam investe para virar potência

Considerado o novo eldorado do futebol, a liga norte-americana (MLS) terá investimento total de US$ 168 milhões. Os 20 clubes torraram essa fortuna contratando 574 atletas nesta temporada. O curioso é que a maioria desses atletas já está remando pra beira, para usar uma expressão do amigo Valmireko.
O brasileiro Kaká lidera o ranking, com US$ 7,16 milhões/ano. O craque italiano Pirlo vem logo abaixo, faturando em torno de US$ 6 milhões.
Os EUA seguem a receita inaugurada nos anos 80 pelos japoneses. A criação da J-League foi a alavanca que faltava para popularizar e rentabilizar o futebol no Japão, com forte importação de atletas veteranos e alguma sucata de países do primeiro mundo da bola.
O Brasil cedeu muitos atletas, contribuindo para a evolução do futebol como negócio no país do sol nascente. Com muito dinheiro e austeridade gerencial, o programa foi bem executado e o Japão começou a revelar seus próprios jogadores. Hoje, merecidamente, ocupa posição honrosa no mapa do futebol.
A ambição americana vai além. O objetivo é ingressar na elite do esporte mais popular do planeta nas próximas décadas.
Alguém duvida de que chegarão lá?

E se o futebol pudesse imitar o rock¿

O futebol, que tem tanto em comum com o rock (alegria, vibração, irreverência, rebeldia), infelizmente não consegue ter a capacidade de se manter eternamente jovem como o gênero que é a trilha sonora de minha geração. Vi ontem o show no Rock in Rio do projeto-curtição de Alice Cooper, Hollywood Vampires, arrebentando em performances caprichadas de grandes clássicos de bandas legendárias.
No time, Joe Perry, Zak Starkey, Duff McKagan e vários outros cobras, além de Johnny Depp, o capitão Sparrow, brincando de guitarrista. Pura diversão, elemento essencial no rock.
Seria mais ou menos como se numa Copa do Mundo um dos times fosse convidado exclusivamente para divertir a massa, mesclando cobras do passado, como Zidane e Platini, e alguns mais recentes, como Henry e Ronaldo. Cabia até incluir ex-jogadores ainda em atividade, como Ronaldinho Gaúcho. A galera ia vibrar com os dribles e lances de efeito, como nas viradas de guitarra de Perry ontem à noite.

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