Coluna do Gerson Nogueira – 28.09.15

28 de setembro de 2015 at 11:37 am Deixe um comentário

Papão fez quase tudo certo

O futebol tem lá seus caprichos e mostrou isso no sábado à tarde, na Arena Fonte Nova. O Papão jogou com uma audácia inicial digna de elogios. Partiu com tudo para fustigar os donos da casa, imprensou mesmo a defensiva do Vitória e esteve a pique de fazer gol. Fez tudo isso, mas perdeu por 3 a 1. Daquelas derrotas que não envergonham, nem diminuem ninguém. O time saiu de cabeça erguida, certo do dever cumprido.
Caso houvesse justiça no futebol, era jogo para terminar empatado. O Papão foi melhor ao longo dos primeiros 25 minutos, mas cedeu terreno na parte final do primeiro tempo, sofrendo gol de falta – em lance de categoria de Escudero e azar do goleiro Emerson. O Vitória ampliou logo de saída na etapa derradeira. Pikachu diminuiu com um golaço, mas o Papão capitulou em vacilo de marcação, permitindo o pênalti que liquidou a fatura.
Sobre o primeiro tempo, cabe observar que o meia-atacante Rony movimentou-se bem, dando a velocidade pelos lados que o Papão só costuma ter quando Welington Jr. joga. Em duas jogadas rápidas, Rony acertou chutes bem calibrados, defendidos por Gatito Fernandez. No comando da ofensiva, Aylon também teve chances, abriu espaços e quase balançou as redes. O Vitória cresceu nos 20 minutos finais, chegando ao gol em perfeita cobrança de Escudero.
Chegaria ao segundo gol em cobrança de escanteio mal policiada pela zaga paraense. Mas, Pikachu, depois de algum tempo sem marcar, apareceu com desenvoltura nas articulações com o meio-de-campo, contando com a cobertura de Jonathan quando ia ao ataque. O gol lembrou alguns dos mais bonitos da carreira do lateral. Recebeu passe de Fahel nas costas da zaga e emendou de sem-pulo, com a bola entrando na forquilha esquerda do gol de Gatito Fernandez, sem chance de defesa.
O lance do gol tirou o Papão da acomodação. Confiante na possibilidade do empate, passou a envolver o Vitória, cujo único bom marcador no meio era Reiner, espécie de faz-tudo do time. Rony, Pikachu, Jonathan, Fahel e Aylon levavam sempre a melhor e criaram seguidas oportunidades, fazendo de Gatito Fernandez o grande destaque da partida.
Ninguém contava com um deslize individual, que pôs tudo a perder justo num momento de ascensão na partida, explorando o visível cansaço do Vitória. Gilson perdeu bola na intermediária e deixou a defesa sem alternativa, a não ser conceder o penal. O gol (segundo de Escudero) tirou as forças (e as chances) do Papão no jogo.
Para quem temia ver um Papão sofrendo com desfalques no setor de marcação e a ausência de última hora do centroavante Betinho, o técnico Dado Cavalcanti surpreendeu com um esquema funcional, leve e rápido, que botou pressão principalmente sobre o lado mais frágil do Vitória, a lateral-direita ocupada por Kanu.
Com alguma sorte, poderia ter marcado antes do Vitória, o que teria desnorteado o anfitrião diante de sua impaciente torcida. O revés, embora indesejado, não compromete a boa campanha no returno, principalmente porque o time mostrou qualidades e não desistiu de atacar.

Faltou ousadia e vibração

O extremo oposto aconteceu em Palmas (TO) quase no mesmo horário do jogo de Salvador. O Remo perdeu para o Palmas por 1 a 0 levando um gol de pênalti inexistente, mas depois de passar quase 90 minutos fugindo à responsabilidade de vencer a partida.
Com bons jogadores, o time não consegue jogar como time. É tome passes pro lado, recuos até os zagueiros, dali pro goleiro, depois para os laterais e a bola nada de chegar ao ataque. Nessa brincadeira, o Remo foi deixando o tempo escorrer sob o sol abrasador do Tocantins.
Teve um susto logo aos 10 minutos, quando Ted invadiu a área e obrigou Fernando Henrique a uma grande defesa. O estreante Kiros teve uma chance desviando cruzamento da esquerda, mas o goleiro Carlão defendeu bem. Depois, Léo Paraíba experimentou de fora da área, à direita do gol. Foi o único chute do Remo em todo o primeiro tempo.
Na etapa final, com Rodrigo Soares substituindo a Alex Ruan (que havia recebido o cartão amarelo), o Remo seguiu na mesma pisada, toques laterais e improdutivos, raras arrancadas em direção ao gol inimigo. Vendo que o visitante não se decidia, o Palmas começou a se animar.
Leandrinho avançava pela direita, criando algumas situações, enquanto o Remo seguia os conselhos do técnico Cacaio, procurando se manter em seu campo, garatindo o empate em 0 a 0.
O Palmas resolveu arriscar um pouco mais e botou mais um atacante, Washington. Na primeira arrancada, fez uma ginga na entrada da área e em seguida se atirou ao chão. O árbitro cearense Avelar Rodrigues apontou a marca da cal, indiferente aos protestos dos jogadores remistas.
O pênalti inacreditável, obra de ficção, estava marcado e o gol saiu aos 44 minutos, após cobrança de Dão. O Remo então se lançou ao ataque como se não houvesse dia seguinte. Cacaio botou laterais, volantes e até zagueiros para ajudar na ofensiva desesperada pelo empate.
Nos oito minutos seguintes, o time foi tudo o que não tinha sido até então: agressivo, intenso e rápido. Kiros estourou bola em cima do goleiro, Ramos perdeu de cara e Edcléber desperdiçou a terceira oportunidade.
Caso tivesse toda essa volúpia desde o começo, o Remo certamente teria melhor sorte. Acontece que o falso controle das ações iludiu Cacaio. Quando ele substituiu Juninho por Edcléber na metade do segundo tempo, abriu mão de articulação no meio. A saída de Léo Paraíba também afetou o ataque. E a permanência de Kiros não se justificou, como já não se justificava sua estreia como titular.
Só não se pode dizer que a derrota remista foi castigo merecido porque a marcação do pênalti que deu origem a ela foi absolutamente ridícula, pelo primarismo da simulação. Mas a lição veio na medida certa. Se não aprender a atuar coletivamente, de maneira organizada, o Remo terá muitas dificuldades no prosseguimento da competição.
Apesar de contar com bons valores individuais, o Remo não parece um time, tamanha é a confusão em suas linhas. Além disso, falta vibração, combustível fundamental em jornadas eliminatórias.

Deu a lógica: Águia eliminado

O Águia passou mais de 90% do campeonato na zona da morte. Reagiu nas últimas rodadas, mas não a tempo de escapar. Levou uma goleada de 4 a 1 do líder Fortaleza e vai disputar a Série D em 2016. Não há nem motivo para lamento porque o filme estava desenhado desde o começo da competição. Erros acumulados nos últimos três anos resultaram no desfecho de ontem, na Arena Castelão.

Anúncios

Entry filed under: Uncategorized.

PAPO DO 40º – Ronaldo Porto – 28.09.15 BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 29.9.15

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: