Coluna do Gerson Nogueira – 26.10.15

26 de outubro de 2015 at 3:15 pm Deixe um comentário

Tropeço reversível

A derrota em Ribeirão Preto não chega a ser um resultado desastroso para o Remo, mas o desempenho do time deixou algumas preocupações no ar. É verdade que a ausência de Eduardo Ramos, principal organizador da equipe, deixou um vazio no meio-de-campo que facilitou bastante as ações do Botafogo no jogo, respondendo em grande medida pela pressão exercida pelos donos da casa. Mas, além dessa deficiência, o Remo não mostrou força para explorar contra-ataques, aceitando excessivamente o domínio territorial do adversário.
Como a bola era constantemente rifada pelos meio-campistas do Remo, voltava sempre na forma de cruzamentos sobre a área, sobrecarregando o trabalho do trio de zagueiros. Apesar disso, Henrique, Ciro Sena e Igor João estiveram muito bem, resistindo até quase ao final, quando ocorreu a falha coletiva que resultou no gol do Botafogo.
Mesmo sem ser criativo, o time da casa buscou o gol o tempo todo, mas encontrou pela frente uma firme zaga azulina e pecou pela insistência nas bolas aéreas visando o cabeceio de Nunes. Nas raras ocasiões em que diversificou suas manobras, levou algum perigo com o meia Guaru e o avançado Samuel Alves.
O Remo se defendia no 3-5-2, tendo inicialmente Felipe Macena deslocado para o meio e Chicão na ala direita. Depois, a situação se inverteu e Macena apareceu com destaque, combatendo e tentando organizar a saída para o ataque. Na ala esquerda, Mateus foi discreto no primeiro tempo e muito dispersivo no segundo, falhando seguidamente nas arrancadas em contragolpe.
Ratinho era o homem da ligação, mas se perdia em jogadas confusas, errando passes e passando a maior parte do tempo sem encontrar a faixa certa de atuação. Em consequência disso, Aleílson e Welton desfrutavam de poucas oportunidades, enfrentando a dura marcação adversária.
O primeiro tempo decorreu sem grandes oportunidades de gol, que apareceram logo no início da etapa final. Caio acertou cabeceio fulminante aos 4 minutos para grande defesa de Fernando Henrique. Em seguida, aos 11, Samuel recebeu livre na pequena área, mas finalizou por cima da trave.
Do lado azulino, Cacaio tirou Ratinho e lançou Juninho, que deu mais consistência às ações na meia-cancha. A primeira boa tentativa foi com Chicão, que acertou um chute longo aos 17 minutos, passando perto da gaveta esquerda de Neneca. Depois, desviando com o lado do pé, Henrique quase marcou, aos 29.
O Botafogo insistia com os cruzamentos, mas os zagueiros do Remo respondiam bem, até que aos 35 minutos Macena sentiu contusão e teve que deixar o campo. Na dúvida entre o lateral direito Gabriel e o atacante Sílvio, Cacaio optou pela ousadia. E pagou por isso.
Sílvio não conseguiu explorar os contra-ataques, nem acompanhar o rápido Canela, que era vigiado de perto por Macena. E foi por ali que o Botafogo chegou à vitória, aos 40 minutos, em finalização de Canela depois que Fernando Henrique espalmou o cabeceio de Nunes. Indecisão entre o goleiro e os zagueiros facilitou a jogada.
A desvantagem mínima sabotou o plano de voo cuidadosamente traçado por Cacaio, que consistia de atuar fechado à espera da chamada “bola do jogo”. Deu certo contra o Operário, em Ponta Grossa, mas ontem beneficiou o adversário na única falha de marcação e cobertura do trio defensivo remista.
É o risco natural de quem joga para se defender, com poucas alternativas de ataque. A estratégia de esperar o adversário é sempre perigosa. Pode funcionar, mas é sujeita a falhas pontuais.
O primeiro tempo da decisão de 180 minutos foi do Botafogo e a expectativa é de que o segundo pertença ao Remo, desde que jogue em nível de aplicação e ofensividade que permita reverter o placar adverso.

Sobre Ramos, preocupação e esperança

Depois do jogo, o técnico Marcelo Veiga observou que o placar havia premiado seu time, mas mencionou a preocupação com os reforços azulinos para a segunda partida. Referia-se, principalmente, a Eduardo Ramos. Tem razão o treinador do Botafogo. Ramos fez muita falta ao Remo pela qualidade técnica e a liderança que tem em campo.
Ao mesmo tempo, Ramos é o principal motivo de otimismo de Cacaio quanto à recuperação da equipe em Belém. Com ele, as jogadas fluem e fazem com que o time tenha um repertório menos previsível que o do adversário.

Entre o cansaço e a falta de inspiração

O fato de Emerson ter sido a melhor figura em campo já diz muito da atuação do Papão, sábado à tarde, em São Luís. O time entrou consciente da necessidade de obter uma vitória, a fim de compensar os pontos desperdiçados em casa nas últimas rodadas.
A postura exibida nos primeiros minutos, porém, não confirmou a expectativa e se estendeu praticamente pelo resto do confronto.
O Sampaio atacava com três homens, destacando Nadson na articulação, Jheimy na área, Edgar e Pimentinha pelos lados do campo. Com isso, acuava o Papão em seu próprio campo. Logo no começo, Edgar mandou um tiro na trave, assustando a defesa bicolor.
Depois de várias investidas em velocidade, Jheimy marcou aos 25 minutos, aproveitando rebote dentro da área. Em busca do empate, o Papão viveu seu melhor momento na partida, forçando jogadas pelos dois lados e criando duas oportunidades, com Welinton Jr. e Jonathan.
Aos poucos, o Sampaio retomou as rédeas da partida encontrando facilidades porque o meio-de-campo paraense não funcionava. Carlinhos mostrava-se lento e pouco participativo. Isolados na frente, Leandro Cearense e Welinton Jr. nada produziam.
Na segunda etapa, o Papão seguiu aceitando a pressão do Sampaio, que explorava bem o espaço deixado pelas subidas de Pikachu. Para piorar, Fahel se posicionava mal e Ricardo Capanema, voltando de longa inatividade, parecia sem ritmo.
Henrique e Valber (que substituiu a Edgar) perderam duas chances seguidas, salvas por intervenções precisas do goleiro Emerson. Impressionava a facilidade com que os jogadores do Sampaio se movimentavam no campo de defesa do Papão, levando sempre muito perigo.
Em contra-ataque rápido, Welinton Jr. quase empatou, mas a finalização estourou na trave e a bola caiu na linha do gol, saindo em seguida. Com a zaga aberta, o Papão quase sofreu o segundo em arremate de Válber no travessão. No final, não conseguiu evitar que Jheimy fizesse mais um gol, após falha de Capanema.
O cansaço físico voltou a pesar no desempenho do Papão, aliado à má jornada de peças importantes – como Capanema, Pikachu, Fahel e João Lucas – e a crônica falta de inspiração no meio-campo. A pressão por resultados que permitam sonhar com o acesso completa o rosário de dificuldades enfrentado pela equipe de Dado Cavalcanti.

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