Coluna do Gerson Nogueira – 30.10.15

30 de outubro de 2015 at 12:30 pm Deixe um comentário

Duelo fora das quatro linhas

Quando o Papão obteve o acesso à Série B em campanha surpreendente – embora tortuosa – na Terceira Divisão do ano passado, o então técnico Mazola Jr. teve seu valor questionado por muitos torcedores e boa parte da diretoria do clube. Havia o mal disfarçado temor de que ele não tivesse o perfil para trabalhar na segunda divisão nacional.
Apesar de entendimentos para sua permanência terem sido encaminhados pela nova diretoria, o técnico acabou descartado por ter cobrado valores muito acima do orçamento estabelecido pelo clube para 2015.
À época, foi informado extraoficialmente que Mazola pedia algo em torno de R$ 100 mil para ele e sua comissão técnica, mais carro e apartamentos, um para o treinador e outro para os auxiliares. Mazola negou esses valores, mas ficou a imagem de um profissional que buscava se valorizar em cima do reconhecimento pelo trabalho bem executado.
Na comparação direta com Dado Cavalcanti, que substituiu ao sucessor de Mazola (Sidney Morais), o custo não ficou tão distante assim do valor pretendido pelo técnico responsável pelo acesso. Mas neste caso não cabem críticas ao clube, pois os gastos têm a ver com situação de um mercado sempre inflacionado.
Mazola, técnico do CRB, está de novo na berlinda porque vem a Belém enfrentar o Papão em jogo que vale muito para os bicolores quanto às possibilidades de subida à Série A. Há seis jogos sem vencer, o time de Dado está sob pressão e precisa urgentemente dar uma resposta ao torcedor.
Sabedor disso e conhecendo bem os intestinos do Papão, Mazola espertamente já começou a botar o dedo na ferida. Em entrevista a um portal alagoano, falou de seu amor pelo clube paraense, jogou charme para a torcida e meneios à imprensa, mas não perdeu a chance de deixar umas cascas de banana pelo caminho.
Disse, sobre o atual momento de seu ex-clube, que jogadores e comissão técnica estão sob pressão “porque cantaram o acesso e o título muito antes da hora, e estão pagando o preço disso”. E, bem ao estilo professoral que cultiva, acrescentou: “Uma pressão totalmente desnecessária em um momento desnecessário”.
Cinco pontos atrás do Papão na tábua de classificação, o CRB tem remotas chances de subir, mas Mazola quer obviamente fechar a temporada com uma grande campanha e pretende usar de toda a expertise motivacional para alcançar esse objetivo, daí o enorme perigo que representa na partida de amanhã.
Sobre Dado, ele tem a vantagem de haver vencido o confronto direto no primeiro turno, por 3 a 0, na atuação mais criticada do Papão na competição. Não é preciso ser pitonisa para saber que o CRB vem disposto a explorar ao máximo a instabilidade que ronda o time bicolor.
Ainda na entrevista, Mazola disse que seu único motivo de má lembrança em relação ao futebol paraense se localiza “do outro lado da avenida (Almirante Barroso)”, referindo-se à perda do título estadual de 2014. Em tempo, há empate nesse quesito entre os dois técnicos, pois Dado também foi vice-campeão estadual nesta temporada.
Por todos esses ingredientes, a disputa particular entre os dois comandantes é um dos atrativos mais interessantes do confronto que pode dar ao Papão novo alento na batalha para voltar ao G4.

Ataque do Leão pode ter Kiros e Welton

Na penúltima movimentação para o jogo de domingo, Cacaio treinou o Remo ontem com os titulares Max, Levy e Eduardo Ramos de volta ao time. A entrada de Felipe Macena no meio-campo, substituindo ao suspenso Chicão. Para o ataque, a dupla testada no treinamento foi Kiros e Welton, combinando força e jogo aéreo. Os dois atacantes nunca atuaram juntos na competição.
A não ser por uma surpresa de última hora, a escalação deve ser mantida para enfrentar o Botafogo-SP no Mangueirão.
As características do jogo, mesmo ressalvando a diferença de nível entre os adversários, lembram a do mata com o Palmas-TO. Na ocasião, o Remo precisava também reverter em Belém a derrota sofrida pelo escore mínimo no jogo de ida. Kiros foi o centroavante escalado e marcou dois gols, decidindo o confronto.

Direto do blog

“Bruno Rangel era o atacante titular no jogo do Salgueiraço e, mesmo não tendo culpa de o Papão não ter conseguido o acesso, ele foi dispensado na época pela diretoria do LOP. Isso só serve pra mostrar o quanto nossos dirigentes são despreparados”.
Marcelino Jr., a respeito da competência de Bruno Rangel (hoje na Chapecoense) para fazer gols

Cobrar pênalti não é para qualquer um

Quando o zagueiro Gum ajeitou a bola na marca penal e recuou cerca de dois metros apenas para armar o chute, tive a quase certeza de que iria se complicar na cobrança. Isso de fato aconteceu, com a bola indo parar lá nas cadeiras especiais da Allianz Arena palmeirense.
Esse pressentimento mais ou menos óbvio deve ter ocorrido a muitas pessoas na noite de anteontem, por ocasião da semifinal entre Palmeiras e Fluminense.
Gum, zagueiro de estilo duro e bom de cabeceio, nunca brilhou pela técnica ou elegância no trato com a bola. Sempre deu chutão e era justamente isso que se esperava dele na execução do penal. Ao ensaiar uma cobrança mais caprichada, como os craques costumam fazer, buscando pouca distância, anunciou que iria desperdiçar a penalidade.
A regra não escrita do futebol ensina que jogadores habilidosos costumam bater pênaltis colocando a bola fora do alcance do goleiro, encaixando geralmente nos cantos ou nos ângulos superiores. Raramente se aventuram a disparar foguetes.
O oposto ocorre com os beques e volantes roceiros, que fecham os olhos e enchem o pé, quase sempre vencendo o goleiro pela violência do chute.
O pecado de Gum foi tentar quebrar essa regra sagrada. Deu-se mal e levou o Fluminense junto com ele.

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