Coluna do Gerson Nogueira – 02.11.15

2 de novembro de 2015 at 10:06 am Deixe um comentário

Com fúria e entusiasmo

Dois jogos num só. Foi assim Papão x CRB, sábado, no Mangueirão. No primeiro confronto, o placar ficou em 1 a 1, com predomínio alagoano e muita desorganização do lado paraense. Já na segunda refrega, a presença bicolor foi avassaladora, como ainda não se tinha visto nesta Série B. Foram quatro gols em 24 minutos, entre os 23 e 47 do segundo tempo. Um ritmo alucinante, com fúria, raça e coração, na melhor tradição dos grandes triunfos alviceleste.
A pasmaceira da primeira parte foi substituída pela maneira eletrizante adotada no segundo período. Se no primeiro faltou iniciativa e criativida, principalmente nas articulações pelo meio, depois do intervalo a transformação sofrida pelo Papão justificou plenamente a sensacional virada.
O gol de Zé Carlos aos 27 minutos do primeiro tempo foi produto da maior presença ofensiva do CRB, cujo meia Gerson Magrão ganhava praticamente todas as bolas na área central e partia com ela dominada, distribuindo para Gleidson Souza ou Ricardinho, principalmente este. O lance do gol nasceu da pressão sobre a zaga e de um escorregão de Ricardo Capanema na entrada da área. Magrão pegou a bola e tocou para Zé Carlos mandar para o barbante.
Com habilidade na frente, o CRB foi tomando conta do jogo a partir do momento em que percebeu o desequilíbrio do Papão na meia-cancha. Augusto Recife havia entrado com a função de fazer a ligação, revezando-se com Aylon, que teoricamente atuaria mais recuado. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Nem Recife se posicionou como articulador, nem Aylon deixou de correr pela direita do ataque.
O problema é que o Papão não conseguia tocar a bola em velocidade, permitindo sempre que os volantes do CRB se antecipassem e acionassem Magrão. Antes e depois do gol, o time alagoano desfrutou de pelo menos três boas chances para marcar, só não chegando a isso porque Magrão não perde o hábito de prender demais a bola.
Quando a torcida já se exasperava, vaiando e pedindo raça, eis que Welinton Jr., Pikachu e João Lucas resolveram empreender um esforço final para sufocar com bolas cruzadas na área. Isso durou pouco tempo, mais ou menos uns 10 minutos, mas foi o suficiente para tirar o Papão da letargia.
Aos 40, Pikachu cobrou escanteio e a bola quase traiu o goleiro Juliano. No instante seguinte, cruzou na cabeça de Aylon, que se posicionava no primeiro pau e desviou no canto oposto da trave do CRB, empatando o jogo. O Papão não fazia por merecer a igualdade, depois do sofrível primeiro tempo, mas buscou forças onde não tinha e voltou para o jogo.
O capital Fahel, peça destoante na partida até ali, desceu para os vestiários avisando que o time voltaria para conseguir a virada. Isso, de fato, aconteceu. Com gana e muito esforço, o Papão iniciou o segundo tempo no ataque, quase chegando ao segundo gol com Welinton.
Aos poucos, o CRB voltou a levar perigo nas saídas rápidas para o ataque. Isaac, que substituiu a Zé Carlos, perdeu um gol aos 18 minutos ao tentar driblar o goleiro Emerson. Ágil, o guardião pulou para o lado e segurou a bola que já escapava.
Cinco minutos depois, veio a resposta de Capanema, pelo qual os jogadores haviam prometido lutar até o fim. Cearense pressionou o zagueiro Jussani e tocou para o meio, encontrando o volante livre para marcar. Era o desempate e o começo de uma virada empolgante.
Aos 28, Cearense recebeu cruzamento da direita e em dois tempos mandou para as redes. O CRB, abatido com as falhas seguidas e exaurido fisicamente, pareceu se entregar. Magrão sumiu da partida e o Papão era todo entusiasmo nas ações ofensivas, superando até suas limitações e ausência de organização pelo meio.
Aos 40, veio o gol mais bonito. Cearense mandou um chute de curva no ângulo, sem defesa para Juliano. E ainda houve tempo para mais um. Aos 48, a zaga errou um passe no meio da área e Welinton entrou livre para bater na saída do goleiro.
Vitória acachapante, produzida mais pela transpiração do que pela elaboração de jogadas. A goleada deixa o Papão de novo na briga pelo acesso e quebra um jejum de seis jogos na competição.

Leão parou nos próprios limites

Com um esquema confuso, que hesitava entre o medo de ir com muita afoiteza à frente e a pressa em sair lá de trás, o Remo parou na frieza e no esquema mais organizado do Botafogo-SP. O empate sem gols classificou a equipe de Ribeirão, que veio a Belém posicionada para receber sufoco e conseguiu reduzir a zero os riscos diante de um atrapalhado ataque azulino.
Cacaio optou por Welton como parceiro de Kiros no ataque e a ideia não vingou logo de cara porque a zaga do Botafogo mantinha quatro homens fixos, mais o zagueiro Mirita na sobra. No meio, dois volantes e Vitinho, o cabeça pensante da equipe, livre para correr o campo todo, deixando dois homens bem avançados, com Canela e Diego Pituca.
Welton caía pela esquerda, mas era vigiado sempre por dois marcadores, enquanto os demais cuidavam de Kiros. Diante desse posicionamento, Eduardo Ramos deveria ser o terceiro atacante, chegando pelo meio. Ocorre que ele era ainda mais policiado, chegando a ter até três no seu encalço. Restava então a opção de Levy, jogando como falso atacante, mas que se limitava a cruzar bolas na área.
O melhor momento do Remo em todo o jogo foi ainda no primeiro tempo, quando Ramos cobrou falta e Caio Ruan desviou no travessão. Na sequência, Kiros cabeceou de cima para baixo e a bola passou rente à trave.
A partir daí, a partida se resumiu à insistência do Remo nas jogadas aéreas e a tranquilidade do Botafogo em resistir ao cerco, ora com saídas do goleiro Neneca, ora com saídas pelo meio através do perigoso Vitinho.
Sem se fechar totalmente, o visitante se manteve cauteloso e pronto a dar o bote, intranquilizando sempre o Remo com a possibilidade de um contragolpe fatal. Isso quase ocorreu aos 22 do segundo tempo, quando Fernando Henrique evitou o gol tirando com os pés o arremate de Canela.
Cacaio fez mexidas sem alterar posicionamentos. Colocou Léo Paraíba, Sílvio e Rafael Paty, tirando Welton, Macena e Ciro Sena. Nada mudou porque a equipe seguiu sem contar com o brilho de Eduardo Ramos, marcado em tempo integral, e não teve um outro jogador para dividir com o camisa 10 a tarefa de organizar.
Ao final, os 18 mil torcedores presentes aplaudiram intensamente a equipe que levou o Remo de volta à Série C, reconhecendo o esforço e as limitações. No fundo, uma rápida análise da campanha revela que o time chegou onde era possível chegar.

Fora de campo, velhos erros ainda atrapalham

A notícia de um assalto à sede azulina durante a noite, com prejuízo de cerca de R$ 450 mil, é reveladora do nível gerencial e administrativo do clube. É incrível, quase inacreditável, como nos dias de hoje alguém ainda guarda dinheiro em casa. Se evoluiu em campo, o Remo precisa crescer – muito – fora dele.

Entry filed under: Uncategorized.

Papo do 40º – Ronaldo Porto – 02.11.15 BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 03.11.15

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: