Coluna do Gerson Nogueira – 12.11.15

12 de novembro de 2015 at 12:41 pm Deixe um comentário

Um regresso valioso

A festa que a torcida botafoguense faz desde ontem pela volta à Primeira Divisão é mais do que justificada e deveria ter a adesão de todos os que gostam de futebol no país. Sou suspeito, afinal meu coração é alvinegro, mas arrisco dizer que não há elite de futebol no Brasil sem a presença do clube da Estrela Solitária.
A razão é bem simples: com o Botafogo em baixa, fora da principal disputa nacional, a tendência é que caia ainda mais o nível geral do futebol no país pentacampeão, bastante estropiado depois daquele 7 a 1 em Belo Horizonte. Não que o Botafogo tenha apresentado grandes times nos últimos anos ou que tenha revelado algum grande craque, mas pela força de sua marca.
Acontece que o Botafogo é um símbolo do melhor futebol que o Brasil já produziu. Mesmo depois de ter sido saqueado por um presidente irresponsável e vilipendiado por gestões anteriores igualmente nefastas, a marca continua sólida, impávida.
Na verdade, o próprio Botafogo não sabe a força que tem. Longe de competições internacionais há anos – a passagem fugaz pela Libertadores de 2013 não conta -, o clube ainda desfruta de muito prestígio e é um dos mais conhecidos no exterior.
Essa longevidade da marca está diretamente vinculada à legião de craques que puseram a estrela do lado esquerdo do peito ao longo de décadas. Nenhuma outra agremiação brasileira reuniu tantos craques ao longo da história. Ouso dizer que somente o Santos de Pelé é páreo para a formidável coleção de cobras do Botafogo.
Nilton Santos, Mané Garrincha, Didi, Jairzinho, Gerson, Amarildo, Zagallo, Manga, Carlos Alberto Torres, Paulo César, Quarentinha, Paulo Valentim, Roberto Miranda, Afonsinho, Rogério, Marinho Chagas. Nem mencionarei o craque Clarence Seedorf, por muito recente ainda.
A simples escalação acima já ajuda a explicar o conceito defendido na abertura do texto. O papel histórico do Botafogo é intocável, não perdendo relevo mesmo que não consiga mais ganhar títulos importantes, tarefa cada vez mais inglória com a divisão de verbas vigente na Série A.
Ouço desde ontem à noite a frase “o Botafogo volta para o lugar de onde nunca deveria ter saído”. É verdade, mas o clichê não explica por inteiro a importância desse retorno, o segundo na história do clube. O acesso do Glorioso é acima de tudo significativa para um país que sempre foi protagonista em futebol e que jamais pode abrir mão de sua identidade histórica – e é justamente aí que entra o Botafogo.
A campanha foi meritória, centrada na transpiração e sem direito a maiores luxos técnicos. Um time operário e barato, montado dentro das possibilidades de um clube em processo de reconstrução. Por tudo isso, a nova diretoria, séria e discreta, merece aplausos. E que a austeridade marque os passos administrativos a partir de agora.
Papão faz promoção para driblar baixo astral

Alvo de zoação na internet, a promoção na venda de ingressos anunciada ontem pelo Papão é uma saída inteligente para combater a desmotivação da torcida e garantir uma boa arrecadação no jogo com o Luverdense, sexta-feira à noite. Gozações entre torcedores são absolutamente normais e não diminuem o acerto da medida adotada pela diretoria do clube. A cada ingresso comprado, o torcedor ganha um de bônus.
Ao longo da campanha, o presidente do Papão fez vários apelos ao torcedor e chegou a ameaçar levar jogos para fora do Estado, desapontado com os números de bilheteria. Apesar de manter a excelente média de 14 mil pagantes por partida, o time realizou campanha na Série B que merecia um apoio mais expressivo.
As queixas dos dirigentes se baseiam nos altos custos de jogos no estádio Jornalista Edgar Proença. Em situação normal, o prejuízo só é evitado quando o público supera a casa de 20 mil pagantes.
Como a situação já é praticamente de fim de festa, com remotíssima chance de acesso, o clube decidiu flexibilizar nos preços para o penúltimo jogo em Belém, a fim de atrair plateias que ajudem a cobrir as despesas de um elenco caro. A ideia podia ter sido experimentada bem antes, certamente com resultados interessantes.
No Remo, a solução pode estar nas urnas

Para um clube afundado em dívidas, com orçamento comprometido para 2016 e patrimônio permanentemente ameaçado por pendências trabalhistas, surpreende a quantidade de pré-candidatos que se movimentam para concorrer à eleição presidencial no Remo.
André Cavalcante, Marcelo Carneiro, Carlos Rebelo, Sérgio Dias, Coronel Maroja, Fábio Bentes, Antonio Miléo, Milton Campos e o próprio Manoel Ribeiro são os mais citados.
Ao que tudo indica, algumas pré-candidaturas se fundirão a partir de pontos de afinidade, mas a simples pretensão de concorrer ao cargo já é demonstração de vitalidade da instituição.
Que os pleiteantes estejam conscientes da imensa responsabilidade e que tenham projetos capazes de tirar o clube do aperreio atual. Nesse sentido, reconstruir o Baenão é um bom ponto de partida.

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