Coluna do Gerson Nogueira – 19.11.15

19 de novembro de 2015 at 5:01 pm Deixe um comentário

Faltou respeito

A ideia de que o futebol comporte sentimentos como gratidão ou reconhecimento é, há algum tempo já, letra morta. Não significa que as atitudes dos clubes em relação a seus empregados devam ser frias e pouco transparentes. Pelo grande trabalho executado no Remo durante a temporada, conquistando o Campeonato Paraense e garantindo o acesso à Série C, Cacaio merecia pelo menos um tratamento mais decente.
Não havia necessidade de tanta demora e mistério – que, em bom futebolês, em geral significa enrolação – para definir a situação do técnico. Se não fazia parte dos planos para 2016, os dirigentes deveriam ter deixado isso claro desde o final do Brasileiro da Série D.
Deviam avisar Cacaio, agradecer pelos bons serviços e desejar boa sorte nos projetos futuros. Tudo conforme o figurino habitual desse tipo de desligamento. Mesmo que a decisão não fosse a mais satisfatória, o treinador certamente entenderia. E o clube ficaria livre do desgaste que o processo todo causou.
Constrangida em ter que despachar Cacaio, a cúpula dirigente do Remo começou um jogo de enganação que só causa mais irritação. Protelaram a reunião para discussão do novo contrato e, quando ela finalmente aconteceu, não houve maior esforço para superar o motivo do impasse: a duração do acordo.
O técnico, com base no que realizou no clube, reivindicou um contrato anual. A Diretoria contrapropôs seis meses e daí não arredou pé. Divergências dessa ordem são absolutamente normais, tanto no futebol como no mundo empresarial. O erro foi não deixar claro que o compromisso entre as partes acabava ali – pagando, é claro, os atrasados devidos ao treinador (em torno de R$ 80 mil, segundo fontes respeitáveis).
Entender que a torcida acolheria na boa a tese galhofeira de que “a imprensa demitiu o técnico”, como declarou ontem o presidente do clube, é acreditar em fadas e no saci pererê. Executivos do futebol precisam aprender a dar entrevistas e a esquecer o tempo em que piadinhas caíam bem diante de microfones, câmeras e gravadores.
A desculpa esfarrapada – e até desrespeitosa – apresentada pelo gestor azulino dá bem a medida da desatualização de grande parte da Diretoria atual do Remo. Em nome do clube, cabia ao seu representante abrir o jogo, explicar os motivos da não renovação com o técnico e fim de papo. Vida que segue.
Empurrar com a barriga, pilheriar ou simples desconversar não resolve o problema de fundo: a forma pouco profissional como o Remo tratou um dos heróis, talvez o mais importante, da bem-sucedida temporada dentro de campo.

Incerteza quanto ao substituto de Cacaio

Desde ontem, as especulações dominam o ambiente azulino quanto ao sucessor de Cacaio. A lista de nomes é extensa e cresce a cada minuto. Vai de Josué Teixeira a Marcelo Chamusca, passando por Flávio Araújo, Mazola Jr., Sidney Moraes, Marcelo Veiga e até Lecheva.
De concreto até o momento é que a Diretoria prioriza um treinador que tenha vivência e conheça a fundo o futebol nordestino. O motivo é a configuração do grupo A da Série C 2016, onde o Remo deve ter pela frente nove (ou oito) equipes nordestinas.
Marcelo Chamusca, que seria o preferido dos dirigentes, treinou o Fortaleza e fracassou na tentativa de subir à Série B. Flávio Araújo, muito citado nas últimas horas, tem a fama justificada de campeão de acessos, mas enfrenta resistências pela fraca campanha no Remo em 2013, quando decidiu dois turnos em vantagem e acabou derrotado por Papão e Paragominas.
Josué Teixeira foge ao perfil pretendido, embora tenha trabalhado no ABC de Natal nesta temporada. Marcelo Veiga, campeão da Série D com o Botafogo-SP, enfrenta as mesmas restrições sofridas por Araújo. Sidney Moraes (ex-PSC), muito ligado ao gerente Fred Gomes, corre por fora.
Mazola Jr. e Lecheva, mesmo citados, são opções improváveis. Identificado com o Papão, Mazola teve enfrentamento direto com a ex-direção do Remo em 2014. Dificilmente seria aceito pela torcida. Quanto a Lecheva há o desgaste da recusa do convite para treinar o time no Parazão deste ano.

A incômoda solidão de Neymar

A fase anda tão vasqueira que quando a Seleção de Dunga vence por 3 a 0 logo aparecem alguns afoitos aplaudindo a suposta grande atuação. Menos, menos… Contra o Peru, anteontem, a vitória era previsível contra um adversário que evoluiu muito, mas ainda padece de grande limitação técnica.
Com todos os titulares, inclusive Neymar, o Brasil não podia mesmo se embaraçar com a seleção peruana diante de 45 mil torcedores na Arena Fonte Nova. Pouco acionado e muito marcado, sempre com rispidez, o camisa 10 não brilhou. Douglas Costa apareceu bem mais, com ousadia e intensidade. Fez o gol de abertura, criou as jogadas dos outros dois e ainda mandou um belo chute na trave.
Mesmo com graves problemas de dispersão e apatia no meio-campo, o time produziu o suficiente para fazer os gols e superar o esforçado adversário. Deu pro gasto. Superou inclusive a omissão de Daniel Alves pelo lado direito e o sumiço de Elias na meia-cancha.
Mas a partida não foi inteiramente tranquila. Reservou alguns sustos à atabalhoada defensiva nacional. O primeiro aconteceu logo aos 3 minutos, quando uma bola espirrada para trás foi parar nos pés de Guerrero, que finalizou mal. Outros três sobressaltos ainda ocorreriam quase ao final do jogo. Com Farfan, Guerrero e Reyna, o Peru teve excelentes e seguidas oportunidades para marcar.
Douglas Costa, quase no mesmo nível do que joga no Bayern de Pep Guardiola, foi disparadamente o melhor da partida. Willian veio logo abaixo e Renato Augusto apareceu com algum destaque no segundo tempo. Neymar, sem companheiros que o municiem, fica inteiramente vulnerável aos pontapés adversários, sem conseguir produzir.
Algo precisa ser feito quanto a isso. Por Neymar – e pela Seleção.

Direto do blog

“Os dirigentes esqueceram que o time só conseguiu as conquistas de 2015 porque o grupo se fechou em torno do Cacaio. Agora vai acontecer a mesma coisa de anos anteriores: traz um técnico de fora, o qual indicará ‘seus’ jogadores, que serão titulares, deixando insatisfeitos os remanescentes do grupo de 2015 e gerando um racha no grupo. Tudo isso fazendo com que o time não renda em campo. Resultado: técnico demitido, jogadores importados dispensados, mais dívidas trabalhistas e o time caindo pelas tabelas”.

Bruno Oliveira, torcedor azulino insatisfeito com a saída de Cacaio.

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