Coluna do Gerson Nogueira 22.11.15

22 de novembro de 2015 at 1:13 pm Deixe um comentário

Um Brasileiro chinfrim

Não há o que discutir. No papel, olhando os números, não há nada que possa ser alegado contra a conquista corintiana. Pelo contrário: o time de Tite tem a melhor artilharia, melhor defesa, saldo de gols superior ao dos concorrentes etc. etc. As resenhas são grandiloquentes, verdadeiros rapapés aos novos campeões nacionais. No entanto, para quem acompanhou o Brasileiro da Série A com atenção, sem os olhos marejados da paixão, há pontos a observar no hexacampeonato do Timão de Itaquera.
O fosso de 11 pontos entre o Corinthians e o Atlético-MG, que se manteve nas últimas seis rodadas, até justifica a afirmação de que o título não contém manchas. A expressão vem de uma declaração do ex-presidente atleticano Alexandre Kalil logo depois de uma das rodadas mais questionadas da competição. Foi precisamente na noite em que o Galo foi vergonhosamente garfado contra o Atlético-PR enquanto o Corinthians era flagrantemente beneficiado, no Itaquerão, contra o Sport.
Naquela noite, além de ter um jogador (Marcos Rocha) injustamente expulso, o Galo questionou gol em impedimento e penalidade não marcada. Do outro lado, o Corinthians acabou salvo com um penal assinalado a 15 minutos do final no tipo de interpretação que se passaria a denominar de “pênalti à corintiana”. O zagueiro do Sport deslizou no chão para impedir com o corpo a passagem de um cruzamento e a bola resvalou em sua mão, que se apoiava no chão para impedir a queda.
O jogo era duríssimo. O Sport estava em cima, tendo revertido a diferença de dois gols para um empate em 3 a 3. Partia para a virada quando o pênalti fatal esfriou sua reação. Com a vitória em casa e a derrota do Atlético, o Timão conquistou naquela noite a chamada cesta de seis pontos. Nem seria caso para tanto alarido se uma rodada antes o time não tivesse sido beneficiado em lance que lembrou bastante aquele penal contra o Sport.
Ao enfrentar o São Paulo, o Corinthians escapou de um pênalti (e da derrota) graças a uma interpretação simpática da arbitragem. Chute em direção ao gol foi interceptado por um beque alvinegro com as mãos espalmadas. Pelo critério que seria usado depois contra o Sport, o lance resultaria em penalidade máxima. Pela ótica do apitador, a jogada foi normal e o placar terminou empatado.
Outros lances, contra Santos, Fluminense e Coritiba, também resultaram em fortes questionamentos contra arbitragens em jogos do Corinthians. Advém desse período a suspeita de um campeonato de cartas marcadas, como arguiu o sempre contundente Kalil.
É um exagero afirmar isso, como é exagerado entender que havia um complô da arbitragem pró-Timão. Mas é fato que, até então, o campeonato era extremamente equilibrado, com o Galo inicialmente à frente. Mesmo depois de ultrapassado pelo Corinthians, os atleticanos se mantinham próximos, dois ou três pontos atrás.
A partir da ocorrência dos erros citados, a distância se alargou, atingindo sete pontos e se ampliando definitivamente com o categórico triunfo corintiano sobre o Galo em Belo Horizonte, marcando 3 a 0 e dando um belo exemplo do estilo Tite, tão feio quanto eficiente: time compacto, marcando até arremesso lateral, saídas rápidas e atacantes escoltados por dois meias produtivos, Jadson e Renato Augusto.
Acima das desconfianças, é importante ressaltar que nenhum outro time foi tão regular e demonstrou tanto apetite pelo título quanto o Corinthians. Vale dizer também que poucos campeonatos nacionais foram tão chinfrins quanto este. A bem da verdade, foi o triunfo do menos ruim e nem craque pode-se dizer que houve na disputa.

Livros de traço e resgate histórico

No dia 9 de dezembro, na sede campestre da Tuna, o chargista Atorres lançará “Leão, Papão e outros Bichos”, livro reunindo as melhores charges sobre futebol publicadas em 20 anos de DIÁRIO. Está tudo lá. As idas e vindas de Leão e Papão pelos campeonatos paraenses, brasileiros e torneios diversos, compondo um painel de fino humor nas 100 páginas da publicação. Para quem aprecia o traço do melhor cartunista de sua geração, o livro é pura gozação. Segundo Atorres, “torcedores, secadores, sofredores e campeões vão poder acompanhar um pouco da história do futebol paraense contada com muito riso e deboche”.
Aproveito a deixa da notícia sobre o livro do companheiro Atorres para agradecer penhoradamente pelo belíssimo presente que recebi do amigo botafoguense Ronaldo Passarinho: “Recados da Bola”, livro-álbum de Jorge Vasconcelos, contendo depoimentos de 12 mestres do futebol brasileiro. Um primor. Ainda escreverei a respeito dele aqui neste espaço.

Fogão campeão, com méritos

Título da Segunda Divisão nem devia ensejar festejos. É como muitos pensam, inclusive o hoje comentarista Mário Sérgio. Problema dele. Eu que sempre defendi comemoração máxima para toda taça conquistada, sigo a festejar o suado campeonato ganho pelo Botafogo. Pode não valer nada para os outros, mas para os seguidores da Estrela Solitária tem a importância de uma Champions League.
Fooogoooooo!

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta, com participações de Giuseppe Tommaso e Valmir Rodrigues. O convidado da noite é Yago Pikachu, que realizou neste sábado sua última partida com a camisa do Papão diante da torcida alviceleste. Programa começa logo depois do Pânico, por volta de 00h20.

Direto do blog

“O Mais Querido não terá orçamento de Série C. No máximo, terá demanda financeira, despesa de Série C. Mas as receitas serão as mesmas da Série D, ou até mais deprimidas, tendo em vista o roubo dos R$ 423 mil e demais comprometimentos, inclusive decorrentes dos acordos trabalhistas. Assim, o que se impõe é o pé no chão, a criatividade, a credibilidade para conservar e aplicar os parcos recursos que direta ou indiretamente a torcida, e só ela, vai conseguir disponibilizar”.

Antonio Oliveira, atento às dificuldades que aguardam pelo Leão em 2015.

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