Coluna do Gerson Nogueira – 02.12.15

2 de dezembro de 2015 at 1:11 pm Deixe um comentário

Filantropia x realidade

O gesto é bonito, generoso e altruísta. Renderia merecidos elogios à diretoria caso a função anunciada fosse outra. Mas o comunicado sobre a contratação de Vélber para voltar a jogar pelo Papão pegou todo mundo de surpresa e suscitou compreensivas reações negativas da torcida. Não pelo passado do jogador – seguramente um dos melhores surgidos no Pará nos últimos 20 anos –, mas pelo presente e pelo futuro.
Vejamos o seguinte. Vélber tem hoje 37 anos, está fora do futebol profissional há mais de dois anos. Suas últimas aparições como atleta foram indignas do padrão que exibia no auge da forma, entre 2001 e 2005, quando defendeu o Papão na Copa dos Campeões e Libertadores da América, além de jogar pelo São Paulo.
No fim da carreira, disputando o Campeonato Paraense pelo Cametá e pelo São Raimundo, arrastava-se em campo e foi apenas reserva de jogadores pouco expressivos e não deixou saudades nas duas equipes.
O presidente do Papão apresentou Vélber na entrevista coletiva de ontem na Curuzu, juntamente com o recém-contratado executivo de Futebol, Alex Brasil, que admitiu desconhecer o contrato com o veterano meia. A explicação oficial sobre o inesperado reforço é mais de cunho filantrópico do que técnico: a contratação busca resgatar a dignidade do jogador, dando-lhe uma nova chance na vida.
Tudo bem, ninguém pode ir contra um gesto dessa natureza, mas alguns pontos devem ser questionados.
Em primeiro lugar, clubes de futebol profissional não são avaliados pela benemerência. São entidades de caráter público que mobilizam milhares de aficionados e sócios, todos ávidos por vitórias e conquistas. Depois da boa campanha na Série B, a expectativa era pelo anúncio de um meia-armador em plena forma e que viesse resolver o crônico problema do setor de criação.
Difícil imaginar o exigente e metódico Dado Cavalcanti lançando mão de Vélber para comandar a meiúca do Papão em partidas realmente importantes. É mais provável que, depois de passar por um rigoroso período de recondicionamento, seja utilizado em ocasiões pontuais.
Outro aspecto a considerar é que, se a intenção era dar uma força a Vélber, o mais sensato seria lhe oferecer uma função de auxiliar técnico – ao lado de um ex-companheiro de time, Rogerinho – no elenco de profissionais ou da própria divisão de base, hoje nas mãos de um outro ex-parceiro – Vânderson.

Novo formato da Copa Verde quase confirmado

A escolha do Papão para, junto com o Remo, representar o Pará na Copa Verde 2016 seria inteiramente aceitável se tivesse sido viabilizada através de convite dos promotores do torneio. Nas últimas semanas, chegou-se a especular que a competição poderia passar de 16 para 20 participantes, permitindo a inclusão do Papão e de clubes goianos.
Esse formato deixaria a Copa mais atraente, com garantia de bons públicos e elevação do nível técnico. Ocorre que a CBF, a pedido do Esporte Interativo, canal de TV que detém os direitos de transmissão, optou como sempre pelo procedimento menos óbvio e sensato. Encaminhou anteontem uma consulta à Federação Paraense de Futebol sugerindo novo formato.
Ao invés de 20 clubes, a CBF pretende autorizar um torneio com 18 participantes. Pelo andar da carruagem, a medida deve ser oficializada nos próximos dias. O novo arranjo contempla a presença do Papão, mas faz com que o Pará perca dois representantes que haviam garantido presença pelos critérios técnicos – Independente, vice-campeão paraense, e Parauapebas, terceiro colocado.
Além do prejuízo direto aos dois clubes, o formato é lesivo ao futebol paraense, que poderia ter quatro representantes e de repente fica com apenas dois. É claro que, para o Esporte Interativo, não há interesse em ter Independente e Parauapebas na sua grade de jogos. O que importa mesmo é o faturamento certeiro junto às torcidas de Leão e Papão. Tudo isso é compreensível, mas os dois clubes interioranos merecem respeito.
Mais que isso: os critérios dos dois primeiros anos deveriam ser mantidos, acrescentando apenas mais quatro convidados. Até mesmo a distribuição dos grupos fica mais complexa com 18 participantes. O mais provável é que sejam criadas três chaves de seis, mas o desdobramento da competição ainda não ficou definido. E há, obviamente, o risco de embaraços judiciais, pois Independente e Parauapebas não deverão aceitar passivamente a exclusão sumária que a nova forma de disputa impõe.
Criada há três anos com o intuito de levantar o Remo, à época sem divisão, a Copa Verde é um evento esportivo que ainda está longe da viabilidade financeira da Copa do Nordeste e das promessas de premiações da Liga Rio-Sul-Minas. O relativo sucesso das duas primeiras edições deveu-se exclusivamente à exploração da rivalidade da dupla Re-Pa. Ironicamente, os titãs chegaram às duas finais, mas foram derrotados por Brasília e Cuiabá.

Proposta de artigo para conter os desvairados

Por exemplar e oportuna, transcrevo aqui a mensagem enviada pelo grande benemérito Ronaldo Passarinho ao Conselho Deliberativo do Remo, que tem reunião marcada para hoje à noite. Ronaldo propõe a inclusão de um artigo que pode frear abusos e aventuras nas gestões do clube.
“Baseado em pedido do conselheiro Domingos Sávio, ouso apresentar (com justificativa) a inclusão de um artigo no nosso estatuto, ad referendum da Assembleia Geral, no seguinte teor:
– O presidente do Clube do Remo durante o seu mandato é responsável, solidariamente, pelos danos causados ao clube. ‘Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repetí-lo’.
Justificativa:
É de conhecimento de todos os que participam da vida do Clube do Remo a situação dramática pela qual atravessamos, fruto do desvario de administrações passadas. Cito, apenas como exemplo, o acordo possível feito na Justiça do Trabalho, no Projeto Conciliar, pelo clube em magnífica atuação dos advogados Ângelo Carrascosa, Domingos Sávio e André Meira. Mesmo com êxito, o Clube do Remo terá todos os seus patrocínios bloqueados até o final do ano de 2016 (Funtelpa e Banpará), além de 30% sobre as rendas de cada jogo que tivermos. Sem duvidar de ninguém, o meu espírito ao apresentar essa emenda é no sentido de desestimular quem quer que venha a exercer a presidência do Clube do Remo. É necessário um basta na farra de contratações ocorridas, como bem definiu o grande benemérito Paulo Mota. É importante salientar que temos o calendário cheio para o ano que vem e, portanto, não há necessidade de contratações imediatas e que vão além dos recursos do clube. Finalmente, se este acordo na JT for interrompido, as consequências recairão sobre o nosso patrimônio. Saudações azulinas. a) Ronaldo Passarinho”.

Entry filed under: Uncategorized.

BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 02.12.15 BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 03.12.15

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: