Coluna do Gerson Nogueira – 07.12.15

7 de dezembro de 2015 at 2:03 pm Deixe um comentário

Sem deixar saudades

E o campeonato mais sem graça dos últimos tempos finalmente chegou ao fim. Corinthians, já campeão, cumpriu tabela, como grande parte dos outros participantes. Só quem ainda sonhava com alguma coisa eram os cinco ameaçados de rebaixamento e os dois (São Paulo e Internacional) que buscavam garantir presença na Taça Libertadores do próximo ano.
As torcidas de treze clubes estavam como meras espectadoras da cena. No máximo, torciam pela desgraça dos outros. A tese de que os pontos corridos são mais justos não é suficiente para compensar o estrago motivacional que um campeonato sem emoção é capaz de causar.
Fiquei vendo a luta inglória do Vasco para se safar da terceira queda no espaço de oito anos. Lutou bravamente, apesar da ruindade geral do time, mas não conseguiu. O Coritiba, mais ruim ainda, se segurou de todas as formas, deu chutão para todos os lados e sustentou o 0 a 0.
Mesmo que tivesse vencido em Curitiba o Vasco seria rebaixado pela vitória do Figueirense sobre o Fluminense. E nem se pode falar em facilitação por parte do tricolor carioca, pois todos os times chegam naturalmente desinteressados às últimas rodadas.
Sem nada a aspirar mais na competição, o Flu foi a Santa Catarina apenas cumprir tabela. Com vários reservas no time, não teve forças para impedir a vitória do Figueirense, que lutava desesperadamente contra o descenso.
Campeonatos de verdade, à moda antiga, têm nas últimas rodadas a sua fase de coroamento. É quando as primeiras posições são definidas e se conhece o campeão, permitindo emoção pura até os minutos finais das partidas decisivas. Desde que a CBF e a maioria dos clubes apoiou a teoria europeia dos pontos corridos a coisa degringolou.
Para complicar ainda mais as coisas neste ano, o nível técnico foi rés ao chão. Times muito fracos, jogadores apenas medianos e muita retranca produziram jogos horrorosos, vencidos muito mais pela força dos contra-ataques do que por domínio técnico incontestável.
Até o campeão Corinthians, com seus números grandiloquentes, foi quase sempre pragmático, o que em bom português significa o manjado feijão-com-arroz. Sistema fechado até os dentes, como aprecia Tite, e bolas esticadas para a correria de laterais e dois atacantes. O diferencial foi a presença de dois meias de qualidade, Jadson e Renato Augusto.
O vice-campeão Atlético-MG esteve bem até começar a ser fustigado pela instabilidade de alguns titulares e infortúnios com a arbitragem. Por conta disso, mais ou menos no começo do returno já se sabia que o Galo dificilmente iria conseguir encostar e ultrapassar o líder Corinthians.
A equipe de Levir Culpi também pecou pelo excesso de aplicação e o predomínio de volantes. Não lembro de nenhuma atuação brilhante, digna de nota. Grêmio e São Paulo seguiram a mesma toada, perdendo jogos fáceis e ganhando alguns mais complicados na força e na coragem. Sem qualquer vestígio de bola no chão, dribles, lançamentos e outras bossas.
Ao longo dos próximos dias, a mídia esportiva do Sul e Sudeste vai eleger os melhores da competição, vai novamente glorificar (com o exagero habitual) o trabalho de Tite e o modelo corintiano de triunfar nos pontos corridos. Mais ou menos como fazia com o São Paulo vencedor de Muricy Ramalho e seu estilo bate-estaca.
Em face do que não vi em campo, prefiro não escalar seleção de melhores. Opto por destacar o Sport-PE como a equipe que mais gostei de ver atuando. Pela simplicidade do esquema e a troca de passes que ia da defesa ao ataque, sem recorrer à mesmice das ligações diretas.
Por essa razão e a ausência de unanimidades, Diego Souza foi o mais regular da Série A deste ano. É claro que ele não entrará na seleção dos colegas paulistas, gaúchos e cariocas, mas foi quem melhor se apresentou, liderando um time tecnicamente modesto, mas muito consciente sobre o que podia fazer em campo.

Direto do blog

“Já deu. A CBF deve encerrar as atividades. Altamente lucrativa, a atividade futebolística deve retornar mais em valor aos clubes. E os clubes, por sua vez, devem investir mais, muito mais na base. O futebol como negócio não tem sentido quando visto apenas como palco do retorno de nomes que foram à Europa e um dia jogaram muita bola. Se o futebol fosse tratado com mais seriedade, nas categorias de base haveria menos espaço para protegidos de cartolas, o sobrinho desse, o afilhado daquele. Por incrível que pareça, essa prática é ainda bastante comum. E isso só aponta para o amadorismo reinante no futebol brasileiro. Dá-se prioridade para contratações badaladas, de grandes nomes e a formação de grandes elencos. Diga-se, contratações caras, folha salarial cara. E resta a dívida trabalhista depois, gigantesca. O fim da CBF abrirá um novo horizonte para o futebol. Para os clubes mais propriamente. Por que, com o fim da CBF, uma liga nacional de futebol começa com todos os clubes fazendo nova partilha dos recursos e premiações dos campeonatos, de modo mais democrático, sem a intervenção de cartolas suspeitos de privilegiar este ou aquele clube. Até a comissão de arbitragem deve mudar de comportamento. Enfim, o fim da CBF não trará maiores prejuízos para o futebol, mas esperança”.

Lopes Junior, fazendo coro com o posicionamento da coluna de ontem.

Sobre o destino de Pikachu

O Vasco caiu e, ao que parece, Pikachu vai junto. Pelas últimas declarações do jovem lateral, mencionando a capacidade de dar a volta por cima, seu destino deve ser mesmo São Januário. Especulado como possível reforço do Flamengo, aos poucos a história foi mudando de direção com a súbita entrada em cena de Eurico Miranda.
Ao lado dele, por sinal, o pai e procurador de Pikachu acompanhou o jogo entre Vasco e Corinthians, que decidiu (por antecipação) o título da Série A em favor dos paulistas.
Não se sabe ainda se Pikachu já é jogador vascaíno, muito menos a natureza do acordo firmado, mas se a transação se confirmar o declarado sonho de disputar a Primeira Divisão fica adiado por enquanto.

Papão já conhece todos os oponentes

Com a definição dos participantes da Série B 2016, já se pode projetar um campeonato dos mais encardidos e equilibrados, sem favoritos quanto a acesso e queda. O Papão vai se digladiar com 6 do Sul (Joinville, Criciúma, Avaí, Brasil, Londrina e Paraná), 5 do Nordeste (CRB, Bahia, Náutico, Sampaio e Ceará), 4 do Centro-Oeste (Vila Nova, Luverdense, Atlético-GO, Goiás), 4 do Sudeste (Vasco, Tupi, Bragantino e Oeste). Dureza.

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