Coluna do Gerson Nogueira – 13.12.15

14 de dezembro de 2015 at 2:45 pm Deixe um comentário

Fé e esperança no que virá

A centenária rivalidade entre Remo e Paysandu há muito que ultrapassou os limites do futebol. É bem mais que uma querela entre torcidas ou um simples gancho apelativo de locutores de aparelhagem aquecendo festas mixurucas. Tradição popular tão forte quanto o Círio de Nazaré na vida dos paraenses, a paixão pelos dois clubes divide o Estado ao meio, tornando-se cada vez mais forte, apesar dos muitos passos em falso ao longo das últimas décadas.
Por obra de reiterados desmandos de gestão, tanto Remo quanto Paysandu têm sido castigados duramente, deixando de transferir para os gramados o prestígio de que desfrutam nas arquibancadas. Na falta de conquistas expressivas em campo desde 2005, os titãs saboreiam a repercussão que a força de suas torcidas obtém pelo país afora.
Impressiona a todos a grandeza da rivalidade. Colegas de outros Estados, acostumados a estádios às moscas na maioria das capitais, mostram-se curiosos e impressionados com tamanha fidelidade do torcedor a times que nem sempre se mostram à altura dessa paixão.
No Campeonato Brasileiro da Série B deste ano, o Papão alcançou média de 13.737 pagantes por jogo, posicionando-se em terceiro lugar entre os 20 clubes disputantes da competição, perdendo somente para Bahia e Ceará, duas potências de popularidade no Nordeste.
O Remo, que chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro da Série D, tem números igualmente significativos. Em sete partidas como mandante – sendo que somente quatro delas no estádio estadual Jornalista Edgar Proença -, obteve a média (por partida) de 15.394 pagantes, liderando com folga a batalha nas arquibancadas, bem à frente do River (PI), o segundo colocado.
Em termos de desempenho técnico nas duas competições nacionais, o Remo obteve o almejado acesso à Série C, justificando a euforia de seus torcedores em todo o Pará. Já o Paysandu, mesmo sem subir para a Primeira Divisão, teve também bons motivos para deixar sua fiel torcida satisfeita com a permanência na Série B, conseguida com uma campanha das mais regulares (30 pontos ganhos no primeiro turno e 30 no segundo).
Para o próximo ano, as perspectivas são excelentes, principalmente para o Papão, que terá na Segunda Divisão um incremento nas verbas garantidas pela CBF. Deverá receber perto de R$ 5 milhões para se estruturar, buscar reforços e cumprir uma boa participação no torneio.
Antes, terá pela frente o Campeonato Paraense, cujo título está longe da Curuzu há dois anos. Com a base remanescente de 2014 e novos reforços, o time deverá ser um dos favoritos na disputa. Há, ainda, a participação já assegurada (pelo ranking nacional de clubes) na Copa do Brasil e a possibilidade de um convite para a Copa Verde.
Além da questão técnica, as competições citadas deverão representar um novo estímulo para a agregação de sócios torcedores, cujo programa oficial do Papão já contabiliza mais de 17 mil associados, com nível de adimplência em torno de 60%.
O Remo terá um ano como não tinha há sete temporadas. Terá calendário completo – Campeonato Paraense, Copa Verde, Copa do Brasil e Brasileiro da Série C. É a oportunidade para tentar retornar à ribalta e brigar pela ascensão nas divisões nacionais, imitando a arrancada do Santa Cruz (PE), que em cinco anos saiu do limbo para a elite.
Com quatro competições asseguradas, o clube terá condições de se preparar ao longo do certame estadual, planificando o que deve ser sua presença no torneio mais importante, a Série C. Com técnico novo (Leston Junior), o Remo tem também a chance de aproveitar jovens talentos surgidos em suas divisões de base, o que pode significar lucros mais à frente com negociações para outras agremiações.
Como o rival, o Remo terá ao longo do ano a oportunidade de ampliar ainda mais seu programa de sócio torcedor, denominado Nação Azul, hoje com mais de 13 mil associados – cerca de 70% adimplentes. A renda mensal proporcionada pelo ST, em torno de 400 mil, já permite que o clube pague despesas gerais de funcionamento e parte da folha de salários.
Para não dizer que não falei de flores, apesar do cenário amplamente favorável, existem inquietações. O processo político segue indefinido depois da renúncia do presidente Pedro Minowa. É provável que a nova eleição só ocorra em janeiro, deixando o clube sem presidente até lá e travando providências executivas. Há, ainda, o impasse envolvendo o estádio Evandro Almeida, que teve as arquibancadas laterais desativadas na gestão do ex-presidente Zeca Pirão e agora serve como um CT provisório para o elenco de profissionais. Será necessário um esforço extra, em meio ao programa de atualização da dívida trabalhista, para salvar o Baenão.
No Papão, a situação é bem mais tranquila. O clube desfruta de estabilidade institucional e conta com a participação incansável de colaboradores comprometidos com o sucesso da gestão. A calmaria política é tanta que o próximo presidente já está definido, faltando um ano para o pleito. Será Sérgio Serra, atual vice-presidente.
Apesar das diferenças de cenário, tanto remistas quanto bicolores têm motivos fundamentados para esperar um 2016 ainda melhor do que foi 2015. Seus torcedores confiam nisso. Que assim seja.
(Este texto foi originalmente escrito para a recém-lançada Revista Bacana, de Marcelo Marques).

Sob o signo da eterna muvuca

A CBF não tem jeito. Fechou a semana com a decisão judicial de suspensão da eleição do dia 16, que vai escolher o novo vice-presidente. O coronel Antonio Carlos Nunes, favorito absoluto na disputa, tem como principal desafiante o catarinense Delfim Peixoto, notório desafeto da turma de Marin e Marco Polo Del Nero.
Foi Delfim que obteve uma liminar na Justiça do Rio suspendendo o pleito. Alega possíveis irregularidades no processo de convocação e suposto impedimento do presidente interino, deputado Marcus Vicente.
É improvável que o catarinense consiga impedir a eleição do coronel. A CBF já avisou que vai recorrer e, antes mesmo de derrubar a liminar, confirmou a realização da eleição. Confia bastante na velha força de pressão sobre juízes e desembargadores.
O risco que ronda o futuro mandatário da entidade é de outra natureza: a investigação movida pelo FBI sobre esquemas de corrupção na Fifa e as confederações nacionais. A recente prisão do presidente da Conmebol foi apenas mais um passo dentro da ampla devassa que Tio Sam opera no futebol mundial. Só os muito ingênuos podem acreditar que essa cruzada moralizadora irá parar em Ricardo Teixeira, Marin e Del Nero.
Nunes fez sua pré-despedida da FPF na sexta-feira, em concorrido café da manhã. Ao explanar sobre o ano futebolístico no Pará, revelou sua pouca familiaridade com as minúcias do Parazão: referiu-se aos 28 jogos do segundo turno como sendo o número total da competição, que teve o dobro de partidas. A gafe indica que o foco está mesmo no trono da CBF.

Bola na Torre

O programa deste domingo terá Giuseppe Tommaso na apresentação, com participações de Valmir Rodrigues, Alex Ferreira e deste escriba de Baião. Começa logo depois do Pânico, na RBATV, por volta de 00h20.

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