Coluna do Gerson Nogueira – 14.01.16

14 de janeiro de 2016 at 4:28 pm Deixe um comentário

Sobre enganos e semelhanças

A temporada de contratações ainda está aberta para o Campeonato Paraense. A dupla Re-Pa, como é praxe, está correndo atrás de jogadores. Em tempo de dinheiro curto, só é possível trazer atletas sem grande cartaz, a maioria completamente desconhecida.
Uma exceção é Celsinho, anunciado ontem como reforço pelo Papão. É um meia-armador habilidoso, com facilidade para dribles e algum talento na cobrança de faltas.
Surgiu na Portuguesa de Desportos e logo despertou grande expectativa – pelas razões erradas. Ao invés de prestar atenção em seus talentos, a maioria preferiu enxergar a semelhança física com Ronaldinho Gaúcho, que vivia à época os estertores da glória no futebol espanhol.
Como quase sempre acontece em casos do gênero, a comparação foi extremamente prejudicial ao desenvolvimento do jogador, que rodou por vários clubes sem jamais conseguir se consolidar de verdade.
Permaneceu mais tempo defendendo o Londrina. Ficou três anos no clube paranaense, empolgando na primeira temporada e em situações esporádicas, como em alguns jogos da campanha na Série C 2015.
Ficou mais conhecido, porém, pelo mau comportamento fora de campo, incluindo confusões em boates. Depois de tanta rodagem, chega aos 27 anos já com jeito de veterano, o que pode ser bom para ele e para o Papão.
No final do ano, o diretor Roger Aguillera comentou no Bola na Torre que havia um esforço da diretoria para trazer um grande jogador de meia-cancha, com experiência internacional e perfil para virar ídolo em Belém.
Não se sabe se Celsinho é mesmo esse tal candidato a ídolo, mas o certo é que precisa mostrar futebol acima de tudo. O torcedor do Papão sabe aplaudir e reconhecer, mas é também exigente e crítico, não tendo paciência com jogadores erráticos em campo.
Por ora, o camisa 10 chega cercado de dúvidas e interrogações. Só ele poderá dizer se tem mais semelhanças com Ronaldinho Gaúcho – aquele que era craque de bola, não o pagodeiro atual – ou Ramon, o veterano meia que enganou no Remo há dois anos.

O debate sobre a marca do Papão

O amigo José Marcos Araújo, o Marcão, bravo militante das lutas sociais e alviceleste de corpo e alma, envia um breve comentário à coluna sobre a discussão em torno do novo uniforme do Papão.
“Na questão do fornecedor do material esportivo do Paysandu,entendo ser um tema delicado e que não pode ter apenas Uma visão comercial. A produção de camisas de jogo hoje interferem no jogo. Os tecidos facilitam o desempenho dos atletas, ao serem mais leves, não acumularem suor em demasia é isso exige muita tecnologia. Não podemos nos dar ao luxo de disputarmos campeonatos em condições inferiores às dos adversários.
Do ponto de visto econômico está correta a decisão, desde que resolvamos o aspecto técnico. O Paysandu é um clube-nação que tem uma massa de apaixonados torcedores cuja prioridade é o futebol é não uma empresa para vender camisa”.
Acrescenta que “se o time se prejudica na parte técnica acaba influindo negativamente nas vendas de camisas. Referindo à questão de defensores das marcas mundiais de material esportivo é importante que, no caso do Papão eles não são patrocinadores mas sim beneficiários de grandes lucros em cima da força da marca Paysandu. É preciso ver que nem é só a produção de camisas ou calções e meiões de jogo. A questão envolve centenas de materiais, como agasalhos, bolsas, calçados, capas, cuja opção por empresa própria ou pequena pode trazer problemas para a imagem do Clube, que passaria a usar materiais inferiores ou sem padronização – o que não ocorre atualmente”.
E conclui: “Diferente do que fazem com outras equipes nacionais, como Flamengo, Corinthians, Santos ou Fluminense, que recebem milhões para vestir essas marcas de materiais, no caso de equipes do Norte e Nordeste, apenas se dispõem a repassar migalhas do que arrecadam”.
O projeto de partir para a marca própria pode ser arriscado do ponto de vista mercadológico, mas é extremamente certeiro no aspecto de robustecer a receita do clube. Depois de passar anos faturando um pequeno troco propagandeando grifes famosas, a atual diretoria criou coragem e tem tudo para abrir uma nova frente de lucro. Desde que não descuide jamais da qualidade do material que será posto à venda, consciente de que o torcedor que consome esses produtos é cada vez mais exigente e em parte dependente do fascínio exercido pelas grandes marcas.

A síndrome da China

Os encantos da China estão virando a cabeça dos boleiros nacionais. Não é admiração pela terra de Mao Tsé-Tung ou pelo gigantismo da célebre muralha. Tudo se resume ao dinheiro que jorra fácil nos contratos firmados com futebolistas e técnicos brasileiros, alvo preferencial dos clubes de lá.
Mais até do que no boom do futebol japonês, cuja admiração pelo futebol brasileiro não afetava a habitual parcimônia nipônica no trato com dinheiro. Novo eldorado da bola, a China aproveita a força de sua economia e o enfraquecimento do real.
A tradição diz que tais aberturas não duram muito tempo. É provável que as torneiras se fechem em até dois anos, obrigando alguns dos novos milionários a tomarem o rumo de casa. Por enquanto, a onda continua e muitos outros atletas e treinadores ainda serão importados pelos times chineses.
O contraponto da história – e sempre há um – é que, pela própria irrelevância da China no mapa do futebol, todos que aceitam jogar lá perdem espaço e visibilidade no Brasil. Este é o preço mais doloroso a ser pago principalmente para os jovens talentos, que põem em risco suas chances na Seleção.

Troféu Camisa 13

Gandur Zaire Filho avisa à coluna que a festa de lançamento do Troféu Camisa 13 será no próximo dia 28, no Metropolitan Tower. No evento serão mostradas as novidades da edição 24 da promoção e será realizada a apresentação do case “Desportiva, clube formador – O futuro do futebol”.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 14.01.16 Bola pra Frente – Claudio Guimarães – 15.01.16

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