Coluna do Gerson Nogueira – 05.02.16

5 de fevereiro de 2016 at 10:36 am Deixe um comentário

Vitória difícil e importante

O primeiro tempo foi bem favorável ao Independente, que teve espaço e arriscou sempre chutes a gol, mas não conseguiu passar pelo paredão representado pelo goleiro Emerson, responsável por três difíceis defesas. O segundo tempo estava equilibrado até o gol de Christian, aos 22 minutos. Com a vantagem no placar, o Papão se agigantou, passou a tocar a bola com inteligência e levou a partida até o final sem maiores sustos.

O confronto expôs o cenário deste campeonato, com equipes interioranas aguerridas e fisicamente fortes enfrentando os times da capital de igual para igual. A importância do triunfo de ontem para o Papão está no grau de dificuldades que enfrentou em Tucuruí, driblando ainda um certo desentrosamento e a voracidade ofensiva do Independente.

Além do mais, a vitória isola o time de Dado Cavalcanti na ponta da tabela do grupo A2 com 6 pontos, muito próximo de se garantir nas semifinais.

 

De maneira geral, foi um jogo para ser lamentado por Lecheva e seus comandados, visto que o Independente seguiu à risca o manual de comportamento de times emergentes contra visitantes favoritos. Não se entregou, mostrou força para ir ao ataque o tempo todo e só não se saiu bem nas finalizações – embora deva se atribuir a Emerson a maior responsabilidade pela invencibilidade da meta alviceleste.

As jogadas do Independente passavam sempre por Jakinha, Fabrício e Chaveirinho, buscando tramas em velocidade com os outros dois atacantes, Jaime e Monga. A audácia de Lecheva quase foi premiada. Fabrício, Chaveirinho e o próprio Monga jogavam à vontade diante do ainda vulnerável setor de marcação do Papão, mas não souberam aproveitar.

A zaga bicolor, atrapalhada nos primeiros 45 minutos, se comportou melhor no segundo tempo, depois do gol de Christian. Tudo porque o Galo Elétrico não foi mais o mesmo. Nem a entrada de Daniel para aumentar a pressão ajudou a repetir o bom pique da fase inicial. O time não acertou mais nem os cruzamentos para o cabeceio de Monta, permitindo ao sistema de zaga do Papão um final de jogo relativamente tranquilo.

Para isso, contribuiu a observação de Dado aos movimentos dos laterais do Independente, que passaram a ser mais fiscalizados depois do intervalo. Lucas ainda entrou quase no final para fechar ainda mais o meio-campo.

No Papão, poucos destaques individuais no jogo.

Emerson voltou a brilhar, sendo decisivo no primeiro tempo. Cristian fez o gol. Fabinho Alves é muito serelepe, mas improdutivo. Celsinho e Rafael Luz não reprisaram a boa atuação da estreia contra o Paragominas. Lombardi, inseguro, dá saudades de Pablo. Capanema paira como sombra sobre Ilaílson, que não se encontrou ainda. Até Cearense rendeu abaixo do esperado. Betinho entrou no final, mas quase fez um gol. A entrada de Marcelo Costa de tão discreta não valeu como estreia.

 

 

Tudo em nome do sistema

 

De todas as considerações de Leston Junior sobre o jogo de anteontem em Santarém a que mais chama atenção é a de que não pretende mudar o sistema de jogo adotado até agora. Escala o time num 4-4-2 que se desdobra em 4-5-1 quando o adversário tem a capacidade de isolar Eduardo Ramos, como fez o São Francisco de Valter Lima. Para um campeonato de tiro curtíssimo como o Parazão, se agarrar a ferro e fogo a um modelo é sempre uma temeridade, ainda mais quando o elenco não tem os jogadores adequados para determinadas funções.

No jogo, o sistema foi inteiramente anulado pela correria e marcação impostas pelo adversário. O Remo não conseguia acompanhar os avanços do São Francisco e a zaga (em linha, de novo) quase tomou um gol na única bola lançada em profundidade para Ricardinho.

Quanto ao eixo principal do sistema de Leston, a presença de três volantes (Chicão, Michel e Yuri) em nada contribuiu para segurar o ímpeto do adversário e nem deu tranquilidade aos armadores Marco Goiano e Eduardo Ramos. Ramos foi anulado pela marcação. Goiano foi discreto e depois foi para a lateral-esquerda. Ciro não teve uma chance sequer. Aliás, o Remo não deu um chute a gol durante todo o período.

Na segunda metade do jogo, o São Francisco se preocupou em minar o setor defensivo do Remo usando velocidade e força. Quase abriu o placar aos 17 minutos com Elielson, que havia substituído a Ricardinho. Alguns minutos depois chegou ao gol em jogada rápida, como tantas que buscou ao longo do embate. Buiú aproveitou uma saída errada do Remo e um buraco no centro da defesa para balançar as redes. O próprio Buiú teve mais duas chances para dilatar o placar.

Enquanto isso, o Remo atacava sem convicção. Faltava punch para incomodar o adversário. Fechado atrás, com até nove jogadores atrás da linha da bola, o São Francisco recuperava a bola e partia com vontade para cima do atrapalhado bloqueio defensivo azulino, levando sempre perigo.

O atual sistema aproxima-se muito em conceito da configuração utilizada pelo técnico Flávio Araújo, que há três anos passou pelo Evandro Almeida e perdeu dois turnos de campeonato jogando numa retranca infernal. Tem semelhanças também com a confusa equipe de Zé Teodoro, que deixou o clube logo depois de um turbulento início de campeonato em 2015.

Todo mundo sabe das dificuldades que o Campeonato Paraense impõe nesta atual forma de disputa. É um torneio atípico, que exige muita força de marcação e capacidade de segurar adversários velozes. Com um time de faixa etária perto dos 30 anos e um meio-campo engessado sempre que Eduardo Ramos é bem policiado, o Remo terá que refazer (e rejuvenescer) sua proposta de jogo para manter vivo o sonho do tricampeonato.

O ponto de partida seria trabalhar com apenas dois volantes, apostar na criatividade de Ramos e Goiano e dar a Ciro um companheiro de ataque (Léo Paraíba ou Sílvio). Acima de tudo, Leston tem que atentar para o fato de que o campeonato não permite muito laboratório. Ou o time se ajusta logo ou vai acompanhar o desfile dos concorrentes diretos.

Direto do Twitter

“Time mal. Imprensa critica. Forma opinião. Torcida exige contratação. Dirigente pressionado, contrata sem dinheiro. Dívidas…”.

Sentença cruel, mas certeira, do internauta Chico Lins

De virada, Pantera derruba Jacaré

O São Raimundo conquistou triunfo dos mais expressivos na Arena Verde. Perdia o jogo por 2 a 0, diminuiu no fim do primeiro tempo e conseguiu reverter o placar na etapa final. Jefferson marcou o terceiro gol a dez minutos do fim. Grande resultado para o time de Samuel Cândido, que cresce na briga por uma vaga nas semifinais.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 05.02.16. A Bola no Bola – Giuseppe Tommaso -07.02.16

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