Coluna do Gerson Nogueira – 12.02.16

12 de fevereiro de 2016 at 11:52 am Deixe um comentário

Uma história de craque

Quem disse que é necessário ter uma Copa do Mundo no currículo para merecer as honras de grande craque? Tanta gente boa não obteve esse galardão e ainda assim conseguiu obter reconhecimento público pela excelência de seu talento. Ademir da Guia. Falcão. Sócrates. Zico. Platini. Junior. Dirceu Lopes. Joãozinho (o pai). Figuras notórias do futebol bem jogado, mas esquecidas pelos técnicos de plantão ou impedidas pelos chamados atalhos da sorte.
Pode-se acrescentar um nome mais recente, de um jogador que até pouco tempo abrilhantava o futebol brasileiro, com categoria e destreza para dribles, lançamentos e chutes. Alex, ídolo das torcidas de Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe.
Pois o bom Alex, além de craque indiscutível, é também um cara bom de papo e tem uma história digna de atenção. Estou justamente concluindo a leitura de “Alex, a biografia” (Ed. Planeta), escrita por Marcos Eduardo Neves, autor também de “Heleno”, um festejado estudo sobre o boleiro mais doidaço que o Brasil já viu e que honrou a Estrela Solitária nos anos 50.
Ao historiar a vida de Alex, Marcos Eduardo Neves traça um esclarecedor painel do futebol brasileiro moderno, suas relações intrincadas com empresários, a autonomia de alguns “professores” e o poder de dirigentes que agem ainda como sultões.
Como tantos outros rapazes latino-americanos, sem parentes importantes e sem grana no banco, Alex deu seus primeiros passos na várzea e migrou para o futsal, abrigado na AABB paranaense, que lhe pagava a passagem de ônibus e ainda fornecia um dinheiro para o lanche diário.
De família humilde, morador da periferia curitibana, Alex passou a infância nos campinhos de barro e lama, sujando o calção e aperfeiçoando fundamentos. O ingresso num clube organizado para disputar futsal permitiu a ele mostrar toda a categoria no trato da bola. Fez tantas façanhas em quadra que logo foi notado por um olheiro do Coritiba.
Sob a batuta de Paulo César Carpegiani, Alex foi ganhando lugar no Coxa pela técnica apurada e a privilegiada visão de jogo. Naquele tempo, o clube ambicionava voltar à Primeira Divisão. Graças ao futebol do menino franzino, mirradinho e de cabelo pixaim, acabou atingindo o objetivo. Na obra, fica claro que mesmo nesse período o jogador já nutria noções claras de consciência profissional.
Era sempre atento à exploração e aos efeitos perniciosos da má gestão no clube, então presidido por Evangelino da Costa Neves. Como milhares de outros garotos Brasil afora, Alex começou ganhando pouco e recebendo menos ainda. Mas, do pouco que entrava, reservava mais da metade para os pais, ajudando sempre em casa.
A história é ilustrativa sobre os perrengues reservados a quem abraça a carreira futebolística. Deveria ser lida por todos que anseiam pela glória nos estádios e os milhões de reais pagos aos grandes astros. Como atleta, Alex foi um exemplo de dedicação incansável aos treinos e ao aperfeiçoamento das habilidades naturais, como os chutes de longa e média distância e os passes caprichados. E aprendeu isso desde pequeno, quando vivia sempre perto de uma bola.
Em linguagem simples e objetiva, o livro aborda aspectos da vida doméstica do ex-jogador, com espaço até para o lado romântico, como a sua união com a herdeira de um dos mais respeitados empresários da construção civil no Paraná. Conheceu Daiane por intermédio do próprio pai dela, Edison Mauad, que presidia o Coritiba após o rastro de mazelas deixado por Evangelino.
Quando se transferiu para o Palmeiras em 1997, o craque buscava mais visibilidade, confiando no próprio taco e sujeitando-se inicialmente a ganhar até menos do que o Coritiba lhe pagava. A mudança de ares acabou levando ao casamento com Daiane.
Do Palmeiras foi para o Cruzeiro, com Vanderlei Luxemburgo, e em seguida participou da conquista da Copa América de 1999. Mas os bons momentos não escondem as mágoas, como o surpreendente esquecimento na lista de convocados para a Copa do Mundo em 2002.
Scolari, que sempre o elogiou e distinguiu, optou por outros armadores – Ronaldinho Gaúcho e Kaká. A ausência de Alex, então no auge da forma, até hoje não foi bem explicada. O jogador tem lá suas teorias sobre os motivos que levaram o técnico gaúcho a preteri-lo. A falsa lentidão em campo e o temperamento frio teriam contribuído bastante.
E mais não digo para não estragar o prazer de quem for ler o livro. Só posso afiançar que vale a pena.

Galo vence leilão e repatria Robinho

E o Atlético ganhou o leilão por Robinho. Corre o risco de estar festejando uma falsa conquista. Aos 32 anos, o atacante não joga em alto nível há pelo menos três temporadas. Mais que isso: demonstra cada vez menor interesse por grandes conquistas em campo. Está sem atuar desde dezembro e levará algumas semanas para entrar em forma.
No pouco competitivo futebol chinês, Robinho conseguiu a façanha de ser reserva no time do Guangzhou Evergrande, treinado por Felipão. É com este histórico que chega ao Galo, cuja determinação para trazer o jogador foi turbinada pela ajuda financeira da fábrica canadense Dry World, nova fornecedora de material esportivo do clube.
Buscavam ficar com Robinho um clube norte-americano, o Santos e o Grêmio. Em breve, saberemos quem de fato saiu ganhando neste negócio próprio do Brasil que parou no tempo após a goleada alemã na Copa 2014.

Vidraça da CBF fica cada vez mais exposta

Uma investigação presidida pelo promotor de Justiça Sávio Brabo tenta descobrir o destino de uma verba de R$ 3,5 milhões, repassada pelo governo do Estado, à Federação Paraense de Futebol entre 2011 e 2013.
O alvo é o presidente da entidade e atual ocupante interino da presidência da CBF, coronel Antônio Carlos Nunes, que guarda lugar para o licenciado Marco Polo Del Nero.
A informação é do blog da jornalista Franssinete Florenzano.

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