Coluna do Gerson Nogueira – 25.02.16

25 de fevereiro de 2016 at 12:15 pm Deixe um comentário

Operários da bola

Aos que julgam que profissão de jogador de futebol é tudo de bom e que a vida é sempre maravilhosa, com direito a viagens pelo mundo, fama, esbórnia & fortuna, eis que dados divulgados pela CBF servem para baixar a bola de muita gente. O levantamento é confiável, pois tomou por base os contratos de trabalho entre clubes e atletas.
Dos 28.203 futebolistas em atividade no país, mais de 23 mil (82,4%) ganham por mês menos que R$ 1 mil ou pouco mais de um salário mínimo. Um grupo intermediário, de apenas 3.859 profissionais, fica na faixa entre R$ 1 mil e R$ 5 mil mensais.
Os que ganham entre R$ 5 mil e R$ 10 mil são 381 boleiros. Um time especialíssimo ocupa a galeria dos que faturam entre R$ 10 mil e R$ 50 mil. Não chegam a meia centena: são exatos 49 boleiros.
Outros 35 privilegiados estão entre os que se situam no chamado topo da pirâmide, entre R$ 200 mil e R$ 500 mil. Acima disso, oficialmente, só há um jogador. Pelo que se comenta, seria o atacante tricolor Fred.
É a prova definitiva de que a desigualdade existente em outras áreas se estende ao futebol, onde as oportunidades podem ser tão raras quanto em qualquer outro ofício. O talento e a habilidade natural, virtudes requisitadas na profissão, nem sempre significam garantia de remuneração satisfatória.
Há que depender de inúmeros outros fatores, como a idade certa para despontar em torneios e clubes de boa visibilidade. Ou, ainda, a sorte ou coincidência feliz de trabalhar com bons técnicos e ter agentes bem relacionados no mercado.
O fato é que vencer no universo do futebol no Brasil é façanha para poucos. A maioria dos trabalhadores da bola é mal remunerada, tem poucas garantias ou estabilidade no emprego e vive sob a eterna ameaça de calote.
Os clubes empregadores somam 776 (435 amadores), mas a maioria não disputa competições regulares. Participam das divisões oficiais somente 100 equipes, que empregam cerca de 4 mil atletas. Com base nisso, é possível avaliar que a multidão invisível mencionada no censo da CBF vive praticamente de trabalho temporário, disputando torneios amadores pelos campinhos de várzea (sim, eles ainda existem) do interior.
Um outro aspecto, atrelado ao tema da coluna de ontem – o escândalo da Fifa e seus muitos tentáculos -, diz respeito ao aquecido vaivém de atletas transferidos para outros países. No papel, a quantia de R$ 680 milhões entrou nos cofres dos clubes nacionais como pagamento por 99 jogadores. Em contrapartida, gastou-se aqui R$ 114 milhões pela aquisição de estrangeiros ou repatriamento de brasileiros.
Quanto a este último item, cabe guardar certa cautela, pois nem tudo que está escrito é realmente crível, vide o nebuloso caso da negociação entre Santos e Barcelona pelo passe do atacante Neymar. O fato é que há mais buracos negros nesse tipo de escambo do que no espaço sideral.
De todo modo, a divulgação do mapa pela CBF põe por terra alguns mitos e ilusões.

Na era digital, boato pode virar incêndio

As redes sociais prestam serviços inestimáveis, pela agilidade dos canais de informação, que tornam o mundo muito menor e bem explicado. Como nem tudo são flores, há o lado negro da força, sempre a cobrar uma conta salgada.
No caso específico da web, o problema está na profusão de perfis falsos a gerar desinformação e calúnias. Reputações são alvejadas e muita gente sofre por conta da ação de criminosos cibernéticos.
Um deles tentou ontem intrigar o atacante Ciro, candidato a ídolo da torcida do Remo, disseminando um suposto pré-contrato com o maior rival.
O que antes era transportado pela famosa rádio cipó, em boatos espalhados nas ruas, hoje se espalha como fogo no capim seco, alvejando pessoas inocentes.
Bem orientado, Ciro teve reação imediata, como a situação exigia. Divulgou um comunicado através de uma rede social, dirigindo-se diretamente ao torcedor azulino para desmentir a fofoca. Com isso, conseguiu brecar a boataria e prevenir maiores danos.
Jogadores de futebol, principalmente os que defendem times de massa, precisam estar sempre atentos e prontos a enfrentar esse tipo de situação. De repente, quando menos se espera, brota o vírus da maledicência.

Tapajós ou o anti-planejamento

O Tapajós vem batendo recordes de rotatividade de técnicos, exibindo o chamado planejamento às avessas. Depois de Marcelo Rocha, que deixou o clube na véspera da estreia no campeonato estadual, o clube efetivou Vítor Hugo, responsável pela boa campanha no ano passado.
Com os maus resultados nas primeiras rodadas do Parazão, Vítor Hugo rodou. Aí, a diretoria trouxe Marcos Píter, técnico amazonense pouco conhecido por aqui. Ficou apenas uma partida no comando. Levou uma goleada do Papão e foi mandado embora.
Diante dos custos dessas apostas equivocadas, o Boto optou por uma solução caseira. Caio Cavalcante Simões, de 26 anos, assume o posto. Era auxiliar técnico e conhece bem o elenco. Espera-se que tenha um mínimo de tempo para trabalhar.

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