Coluna do Gerson Nogueira – 21.03.16

21 de março de 2016 at 7:04 pm Deixe um comentário

Pelas honras da firma

O Campeonato Paraense está se desenrolando há 50 dias, o primeiro turno já foi disputado e os times tiveram tempo suficiente para se ajustar. Apesar disso, o nível geral da competição é dos mais rasos, talvez o pior dos últimos cinco anos. A dupla Re-Pa, principal atração e chamariz de público, responde pelas maiores decepções até aqui.
A rodada disputada no fim de semana é um retrato da indigência técnica. O Remo empatou com o Independente em casa, sábado à noite, alternando bons momentos com rasgos de extrema pobreza de jogo. O empate, no fim das contas, premiou o equilíbrio entre os times.
Na primeira etapa, o Remo acuou o Independente e conseguiu fazer uma boa transição. Surgiram boas jogadas em velocidade, empreendidas na direita pelo lateral Levy e por Eduardo Ramos, que explorava o setor esquerdo do Galo, desfalcado do titular e bom Jaquinha (suspenso).
O cruzamento para o gol nasceu justamente por ali. Depois de rebote do goleiro Alencar Baú, Ciro tocou para as redes, depois de ter desperdiçado duas grandes oportunidades. Yuri já tinha errado um cabeceio na pequena área. Welton também perdeu gol certo. Henrique fez o seu, mas o árbitro viu falta em lance absolutamente normal. Pelo Galo, Fabrício e Chaveirinho ameaçaram em chutes de fora da área.
Depois do intervalo, tudo mudou. O Remo voltou a ser o Remo de sempre, acomodado e confuso. Recuado, cheio de volantes, permitiu a pressão do Independente, sofreu um gol de Monga mal anulado e acabou cedendo o empate no último lance, em falha do goleiro Fernando Henrique.
O Papão repetiu o rival – até no placar – jogando ontem à tarde em Parauapebas. Fez 1 a 0 em golaço de Celsinho, mas arrefeceu do ritmo forte que imprimiu no início e cedeu o empate, após bobeada de Augusto Recife. A queda de rendimento quase propiciou ao Pebas a virada no segundo tempo. Fininho e Danúbio quase conseguiram.
É verdade que fazia um calor senegalês na cidade, causando acentuado desgaste nos atletas, mas o time alviceleste ficou com um jogador a mais (Danúbio foi expulso) nos 12 minutos finais, sem saber se valer dessa vantagem. E cabe registrar que este mesmo Pebas foi derrotado na quarta-feira pelo mistão do Londrina.
No geral, o Papão passa hoje a ideia de um time que já viveu dias melhores no próprio Parazão e que depende dramaticamente das habilidades de Celsinho, que ontem consignou o gol mais bonito deste início de temporada. Sem Ronaldinho Gaúcho cover, o Papão sofre horrores em campo – curiosamente, no elenco existem mais seis armadores.
Há quem atribua a visível desaceleração bicolor à ressaca pelo título do turno. É bem mais aceitável que tenha a ver com os cuidados das equipes interioranas em relação aos pontos fortes do time de Dado Cavalcanti.
As deficiências mais preocupantes da equipe são a falta de alternativas para mudar a forma de jogar, a facilidade com que se deixa agredir (principalmente quando não tem Ricardo Capanema, como ontem) e o inquietante jejum do ataque, que não marca há quatro rodadas.
Os demais jogos da rodada não acrescentaram muito ao pobre panorama exposto pelos dois grandes clubes da capital, que colecionam quatro empates consecutivos (4 pontos ganhos em 12 disputados) cada. O fato é que o Parazão vive um segundo turno extremamente parelho, o que pode levar à falsa impressão de uma equiparação de forças. Ledo engano.
O que há, até o momento, é um claro nivelamento por baixo, que inspira desde já sérias preocupações quanto à participação dos representantes do Estado nas competições nacionais – Copa Verde, Copa do Brasil e Brasileiros da Série B, C e D.

Um reforço certeiro e acessível

A pergunta que não quer calar: será que os grandes da capital não veem as qualidades do centrovante Monga, do Independente?

Tabela reflete a balbúrdia técnica

A chave A1 do Parazão tem o Cametá em primeiro com 3 pontos, o Remo em segundo com 2, seguido pelo Parauapebas (2). São Raimundo e Águia têm um ponto.
Na A2, o São Raimundo é o destaque, com 6 pontos. O Paragominas tem 4. Independente e Papão têm 2. Tapajós tem um.
Significa que, a três rodadas do final da fase classificatória do returno, todos têm chances de chegar às semifinais.
Parece um momento emocionante, acirrado e imprevisível. Só que não. É retrato explícito do baixo rendimento dos times, que provoca resultados surpreendentes e não permite destacar ninguém até aqui.
O São Raimundo, que não foi bem no primeiro turno, venceu duas vezes e se insinua como o time mais determinado desta fase. Contudo, do jeito como as coisas estão, não é seguro cravar todas as fichas no Pantera, até porque tudo pode mudar na próxima rodada.

Fla-Flu vale pelo diferente, mas bola sofre

Foi até interessante ver o Fla-Flu disputado pela primeira vez em São Paulo. Por coincidência, o clássico inventado 40 mil anos antes do nada, segundo Nelson Rodrigues, aconteceu no lendário Pacaembu, um dos estádios mais simpáticos do país.
Pena que a bola sofreu um bocado nos pés de gente sem a devida qualificação para o nobre esporte bretão. O Flu, mais técnico, foi incapaz de definir as jogadas. O Fla, disciplinado, seguiu à risca as normas do Muricybol: cruzou umas 300 vezes na direção da área, sem sucesso.

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