Coluna do Gerson Nogueira – 22.03.16

22 de março de 2016 at 2:51 pm Deixe um comentário

Situação de alto risco

À medida que se aproxima a maratona mais pesada para o Remo neste começo de temporada aumenta a cobrança sobre a comissão técnica. Pesam contra o trabalho de Leston Junior neste momento as atuações pouco convincentes, os muitos embaraços para superar equipes apenas medianas e a falta de um esquema definido e treinado.
Em dois meses à frente do Remo, o técnico ainda parece tatear no escuro, buscando ajustes a cada jogo e quase nunca repetindo a mesma formação ao longo do Campeonato Paraense. De definitivo apenas o apego ao sistema 4-5-1 e aos três volantes.
Essa maneira de atuar torna o time absolutamente previsível, na medida em que os laterais funcionam como válvula de escape. Lecheva, nos dois confrontos entre Remo e Independente, fechou os lados e investiu nas jogadas pelo meio-campo.
Na semifinal do turno, quase ganhou o jogo conseguindo ser ligeiramente superior aos azulinos. No sábado, escolado pelo primeiro enfrentamento, voltou a tentar fazer o bloqueio pelos lados, mas quase perdeu o jogo na etapa inicial porque Leston adiantou Levy e Eduardo Ramos pela direita surpreendendo a marcação do Independente.
Já no segundo tempo, quando Leston substituiu Ramos por Alisson, a equipe se encolheu e esqueceu tudo o que havia produzido de positivo na primeira parte do jogo, quando desfrutou de pelo menos quatro chances, além do gol de Ciro.
Recuado e cauteloso, o Remo ficou à mercê do Independente, que empatou e só não venceu porque insistiu excessivamente em cruzamentos sobre a área. Quando arriscava a troca de passes no chão, levava sempre de vencida o trio de marcação posicionado à frente da zaga remista.
Vale dizer que a filosofia de Leston em nada difere de tantos outros treinadores de perfil conservador que já trabalharam no Pará – e no Remo. Os mais recentes e notórios foram Flávio Araújo, Zé Teodoro e Roberto Fernandes. Coincidentemente, nenhum logrou obter resultados gloriosos. Muito pelo contrário.
Brandiam formatação tática defensivista, com alguns resultados positivos no começo, seguidos de frustração no desfecho das competições. Leston ainda tem crédito, pelo curto tempo de trabalho, mas começa a sofrer um desgaste oriundo da má performance do Remo no Parazão, mesmo não sendo o único culpado pelo acontece.
O elenco é limitado e é pública a reivindicação dele por reforços pontuais. A questão é que, para um torneio de muro baixo como o estadual, esperava-se bem mais do atual time azulino. Dos contratados com aval de Leston somente Ciro se destacou até agora. Marco Goiano, Ítalo e Yuri têm sido razoáveis. João Vítor, Artur, Michel, Murilo e Alisson nada acrescentaram.
Ao mesmo tempo, o discurso inicial de valorização dos atletas caseiros vem sendo derrubado pela realidade. Depois da surpreendente liberação de Alex Ruan, outros bons valores – Edcléber, Igor João, João Victor e Sílvio – raramente são lembrados.
O tempo conspira contra o projeto de Leston no Remo. Os três próximos jogos pelo Parazão (Tapajós, Papão e São Raimundo) definem seu futuro no Evandro Almeida. Precisará somar sete pontos nesses confrontos para ir à semifinal. Caso não alcance essa soma mínima, o sonho do tri azulino se desfaz e a torcida não assimilará o fracasso.

Direto do Facebook

“Eu estou querendo acreditar que as coisas vão melhorar, mas a paciência já está indo pro espaço. É sempre o mesmo discurso. O Remo não está evoluindo nada. Nem queria que o técnico fosse embora, mas precisamos reforçar. E o preparo físico está muito ruim. Acho que pro Campeonato Paraense já era pra ter contratado jogadores daqui. O Ezequias (Independente) é bom zagueiro, o lateral Jaquinha também. É preciso ver mais um atacante, mas está acabando o prazo. Melhor reforçar logo com jogadores da região, que já conhecem o campeonato”.

Bruno Ruivo, torcedor do Leão, agoniado com as incertezas vistas até aqui.

Com o boi na sombra

Em situação oposta à vivida pelo maior rival, o Papão administra estrategicamente sua campanha no Campeonato Paraense. Assegurado na final pelo título da Taça Cidade de Belém, o time de Dado Cavalcanti não precisa se arrebentar na disputa do segundo turno.
Os quatro empates em sequência não geram (ainda) preocupações maiores na Curuzu, embora evidenciem uma queda acentuada de rendimento em relação ao primeiro turno. Comissão técnica e diretoria partilham do mesmo ponto de vista: não há motivo para desespero a essa altura.
Ao Papão resta disputar bem a Copa Verde e correr poucos riscos no returno. O Re-Pa da quarta rodada é o único ponto fora da curva nesse projeto de risco calculado. Um mau resultado diante dos azulinos poderia abrir a crise que tem sido evitada pela lembrança da conquista do turno.
Os próximos confrontos pela Copa Verde (Fast Clube) e Copa do Brasil (Independente) preocupam, mas não alteram a agenda traçada de preparação para a competição mais importante – o Campeonato Brasileiro da Série B.
Há outro fator a blindar a caminhada do time. Dado Cavalcanti, que acabou de comemorar um ano de casa, consolidou prestígio e ganhou a confiança do torcedor. Não há quem discuta o fato de que ele é o comandante certo para a campanha na Série B. Isto, naturalmente, contribui bastante para serenar os ânimos na Curuzu.

Um novo projeto de vovô ídolo

O anúncio de Luiz Carlos Imperador, 35 anos, ídolo do imponente Guarani de Sobral, como reforço para a reta final do Parazão reaviva de imediato duas lembranças desagradáveis (e recentes) no Baenão. Finazzi, o centroavante que foi trazido mesmo com a costela fraturada, só marcou passagem pelo dinheiro obtido na Justiça do Trabalho. Flávio Caça-Rato ganhou recepção de ídolo e saiu pela porta dos fundos.

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