Coluna do Gerson Nogueira – 27.03.16

27 de março de 2016 at 9:23 pm Deixe um comentário

Ao mestre, com carinho

Uma das grandes referências no futebol para a minha geração nos deixou na Quinta-Feira Santa. Ainda está fincada na memória a imagem épica e até assustadora do cerco que Johan Cruyff e seus companheiros de Laranja Mecânica aplicaram a um solitário argentino em jogo válido pela Copa de 74 no qual a Holanda massacrou os hermanos.
Na aristocracia da bola, Cruyff vem ali pertinho, logo abaixo do panteão das chuteiras imortais – Pelé, Garrincha, Didi, Nilton. Colocaria o craque holandês na mesma galeria simbólica de astros como Rivelino, Gerson, Tostão, Maradona, Ronaldo Fenômeno e, sim, Messi. No meu eterno álbum de figurinhas, é presença de destaque, envergando a mítica camisa 14. De camiseta laranja, é claro.
Apreciava a elegante movimentação de Cruyff. Verdadeiro outsider do nobre esporte bretão, ele contrariou as regras vigentes para fazer o jogo ficar à sua maneira, rápido e prático. Além de tudo isso, pontificava pela capacidade de pensar e verbalizar suas ideias.
Esguio e ágil, de cabeça erguida, foi ele seguramente o primeiro grande jogador a se valer do potencial físico para encantar plateias com a bola nos pés – ou sem ela. Antecipou em algumas décadas a importância do condicionamento atlético para a excelência técnica.
Deslocava-se sempre para o lado certo do jogo. Hábil e dono de passadas largas, liderou o excepcional exército boleiro da Laranja Mecânica com rigor, método e arte. Driblava no limite exato da necessidade, mas era indomável nas arrancadas. Ah, fazia muitos gols também.
Fiquei surpreso quando há alguns anos, lendo sobre sua história, soube que havia sido um menino raquítico, que sofria com graves problemas de saúde. Generoso, o futebol funcionou para ele como redenção e glória.
Para assombro geral, Cruyff dominou a cena no Mundial de 1974, capitaneando o Carrossel idealizado por Rinus Michels e eclipsando cracaços como Beckenbauer, Breitner e o nosso Rivelino.
Desembarcou na Alemanha ainda sem status de astro. Era apenas um badalado jogador europeu oriundo de um país sem tradição no esporte. A consagração veio a partir da performance da seleção holandesa. Michels e seus comandados levaram à potência máxima o conceito de aproximação em campo. Cruyff era cérebro e motor daquela máquina de jogar bola.
O time era regido por uma filosofia muito simples: mais jogadores em torno da bola garantem mais controle do jogo. Sempre que estava com a bola, a Holanda se lançava vigorosamente ao ataque. Sem a bola, armava o bote com até oito atletas para retomá-la, como na cena que descrevi na abertura da coluna. Era irresistível, implacável e incrivelmente moderno.
É claro que defender e atacar com a mesma volúpia exigia esforço redobrado. O preço seria cobrado na final diante dos alemães. Sem o mesmo vigor dos primeiros confrontos, a esquadra acabou vencida pela austeridade germânica, fisicamente mais inteira.
Além dos excepcionais feitos como boleiro, Cruyff foi também um técnico de sucesso e um teórico respeitado. Fora dos gramados, manteve o mesmo espírito altivo e contundente dos tempos de atleta. É célebre a história com Romário, boêmio desde sempre, cujas farras eram toleradas pelo então técnico do Barcelona se não deixasse de cumprir seu papel em campo.
Ergueu-se nos últimos anos como voz intransigente em defesa do futebol bonito, bem jogado. Cometeu alguns deslizes – como aquele papo de que Neymar e Messi eram incompatíveis –, mas acertou na maioria das vezes, como nas críticas ferinas às anêmicas seleções brasileiras de 2006, 2010 e 2014, para desconforto de Parreira, Dunga e Felipão.
No fundo, Cruyff viveu como jogou: no ataque, sempre. Gente assim faz muita falta.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O convidado da noite é o amigo Edson Matoso. O programa começa depois do Pânico, na RBATV, por volta de 00h20.

Sem Ramos, Leão desafia o Boto

Depois do empate com o Nacional, em Manaus, o Remo de Leston Junior tenta hoje iniciar uma arrancada vitoriosa rumo à semifinal do segundo turno do Campeonato Paraense. Mesmo encarando o pior time da competição, as últimas atuações azulinas não permitem projeções muito otimistas e o jogo adquiriu caráter decisivo. Se não vencer, o Leão põe a classificação (e o sonho do tri) em risco.
O Tapajós se encontra em situação desesperadora na classificação. Não pode pensar sequer em empate, sob pena de ficar a um passo do rebaixamento. No momento, é o último colocado, com apenas dois pontos. Caio Simões, quarto técnico a dirigir o Tapajós na temporada, deve repetir time que empatou com o Águia em 0 a 0 na rodada passada. Tiago Costa, ex-bicolor, Adriano Miranda e Tsunami, ex-azulinos, são os destaques.
No Remo, a escalação deve sofrer alterações em relação ao time que atuou contra o Nacional na sexta-feira. Curiosamente, apesar da grande importância do jogo para a equipe, a comissão técnica liberou o meia Eduardo Ramos para comemorar o aniversário em sua terra, Goiânia.

Papão precisa de remédio contra apatia

O Papão decide passagem à semifinal da Copa Verde, hoje, contra o Fast Clube. Precisa de um empate em 0 a 0 para seguir em frente. Poderia ser uma tarefa relativamente simples, mas o futebol que a equipe vem apresentando não inspira confiança. Até o modesto representante amazonense representa perigo real e imediato dentro da Curuzu.
Há cinco jogos sem vencer, o Papão sofre com a crise no setor de ataque que começou a se esboçar ainda no primeiro turno do Parazão. Leandro Cearense, Betinho, Bruno Veiga, Fabinho e Wanderson não encontram o caminho das redes. Com isso, o time passou a depender da perícia de Celsinho em bolas paradas para vencer.
Mais do que o Fast, o Papão deve ficar atento à ausência de identidade da equipe e à surpreendente apatia exibida nos últimos jogos.

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