Coluna do Gerson Nogueira – 31.03.16

31 de março de 2016 at 3:42 pm Deixe um comentário

Seleção ainda sem técnico

Ver a Seleção Brasileira jogar razoavelmente bem nos 15 minutos finais da partida contra o Paraguai, sem volantes e com um meia de verdade, confirma a impressão generalizada de que o grande problema reside no comando técnico. Não há o menor sentido em suportar 75 minutos de supremacia do tosco time paraguaio, que explora apenas correria e força, tendo jogadores no banco de reservas capazes de melhorar o rendimento do escrete.
O empate que caiu do céu nos instantes finais – e foi comemorado como se representasse a conquista de um título – pode servir para que a Seleção passe a explorar melhor a técnica de alguns jovens jogadores, como Lucas Lima, quase sempre deixados de lado pelo técnico.
Dunga preferiu esperar para colocar Lucas Lima em campo até os 30 minutos do segundo tempo, como reza o manual da maioria dos técnicos brasileiros. É a mesma lógica que fez com que ele deixasse no Brasil, em 2010, Neymar e Ganso, que despontavam no Santos e tinham tudo para se transformar nas armadas da envelhecida Seleção que foi disputar a Copa na África do Sul.
Para Dunga e seus conceitos retrógrados, a garotada sempre pode esperar. Bobagem. O futebol não pode abrir mão dos jovens valores. Aliás, não só o futebol. Todos os esportes estão dominados por atletas recém-saídos das etapas de formação.
A primeira jogada de Lucas Lima foi um lançamento de 30 metros para Ricardo Oliveira, algo assombroso na Seleção porque simplesmente ninguém tinha feito esse tipo de jogada durante toda a partida. Ao contrário, o Brasil insistia em carregar a bola, geralmente com Willian, facilitando a recomposição e o bote dos marcadores paraguaios.
Com a bola sendo passada de primeira, de pé em pé, o time cresceu. E ganhou confiança para cercar a área adversária. Mesmo o brucutu Hulk conseguiu, depois de alguns desatinos, acertar um forte chute de longa distância, provocando o rebote do goleiro e a finalização de Ricardo Oliveira para o primeiro gol.
Depois disso, o Brasil de Lucas e Jonas (que substituiu Oliveira) passou a prevalecer, ganhando força com a participação de Daniel Alves, Renato Augusto e Willian, até então perdidos na configuração caótica que a equipe mostrava. O segundo gol nasceu quase ao final, depois de intensa troca de passes no campo de defesa do Paraguai. E o terceiro quase saiu, no minuto final, nos mesmos moldes.
Quando indagado sobre o sufoco que levou ao longo de 75 minutos, Dunga reagiu com a boçalidade habitual: destacou “a capacidade de reação do time”, não admitindo que só se safou da derrota porque já no desespero decidiu jogar à brasileira, com o time todo buscando o gol e sem preocupações defensivas. Além de, obviamente, ter contado com a ‘ajuda’ de Ramon Díaz, que preferiu garantir resultado e botou seu time todo atrás.
Se fosse humilde, o técnico do Brasil transformaria a excepcionalidade de terça-feira em prática habitual.

Vitória suada, mas importante

O Papão venceu e se mantém com boas chances de ir às semifinais do returno. Não foi uma grande exibição, mas o objetivo foi alcançado. Com o time todo remendado, sem seus melhores jogadores – Celsinho e Rafael Luz –, Dado Cavalcanti montou o time dentro das possibilidades existentes no plantel e terminou por conseguir uma vitória importante, mas os velhos problemas continuam visíveis, atrapalhando a caminhada bicolor no Parazão.
Mais uma vez ficou patente que a ausência de Celsinho deixa o Papão absolutamente previsível e frágil no meio-de-campo. Perde em organização e também na produção de jogadas, pois o meia é hoje o principal finalizador do time.
Pelas limitações do elenco, Celsinho adquiriu status de jogador fundamental. Quando ele não está em campo, o Papão sofre para chegar ao ataque com qualidade e tem claras dificuldades para se articular na meia-cancha. Para piorar, Rafael Luz também estava fora e o meio teve que funcionar com Bruno Smith e o veterano Vélber.
A vitória surgiu através de um pênalti (que existiu) assinalado por Dewson Freitas e convertido por Leandro Cearense, aos 15 minutos do segundo tempo, quando o torcedor já se impacientava nas arquibancadas. O Cametá fustigava com tentativas para Tony Love e Marcelo Maciel, levando perigo também com os chutes de Soares.
O fato é que os problemas do Papão se agravaram ainda no primeiro tempo quando Vélber, lesionado, cedeu lugar a Marcelo Costa logo aos 10 minutos de partida.
Sem ritmo e desligado, Costa não achou um lugar no campo, foi incapaz de organizar a transição e tornou tudo ainda mais confuso. Ficou claro o motivo pelo qual o técnico não aposta no experiente armador, que foi contratado para ser uma das referências do time.
A boa surpresa é que Bruno Smith era o único meio-campista que buscava criar situações, movimentando-se o tempo todo, embora nem sempre com a inspiração necessária para ajudar na parte ofensiva.
Depois do intervalo, mesmo com algumas peças visivelmente exauridas, Dado manteve o time e apostou em Smith, que caiu de produção em relação ao começo do jogo. De maneira geral, o Papão se mostrou mais compactado e marcando melhor os lados do campo, vigiando melhor a Marcelo Maciel.
Mesmo sem brilho, o Papão passou a tocar mais a bola e com isso foi envolvendo o Cametá. Leandro Cearense caiu mais para o lado esquerdo do ataque e Betinho ficou centralizado, aumentando o poder de fogo do time e acuando o adversário, que já não ameaçava tanto nos contragolpes.

O triunfo quebra o jejum de cinco partidas sem vitória no campeonato e mostra que, apesar dos problemas de arrumação no meio, o Papão tem algumas alternativas para utilizar no Re-Pa, caso Celsinho e Rafael Luz não se recuperem a tempo de jogar.

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