Coluna do Gerson Nogueira – 09.04.16

10 de abril de 2016 at 2:01 pm Deixe um comentário

O enigma Quarentinha

Geovani não foi o único craque paraense vitimado pela politicagem na Seleção Brasileira. Bem antes das arapucas armadas contra o meia-atacante por Zagallo na Copa do Mundo de 1998, outro jogador papachibé sofreu já havia sofrido nas mãos dos poderosos de plantão na antiga CBD (hoje CBF). Quarentinha, de temperamento idêntico ao do ex-craque do Barcelona, foi preterido por Vicente Feola na lista final de convocados para a Copa de 1958, abrindo caminho para Vavá.

Na época, Quarentinha era indiscutivelmente o melhor camisa 9 em atividade no país, segundo a opinião dos principais analistas esportivos da época, como Nelson Rodrigues e Armando Nogueira. Provocou surpresa a exclusão do goleador botafoguense

Pelo que se deduz dos registros da época e de comentários de seus companheiros de Botafogo, o problema que travou a caminhada de Quarentinha na Seleção Brasileira foi mesmo a terrível timidez. Introvertido e calado na maior parte do tempo, o centroavante não exprimia emoção nem mesmo quando marcava um gol.

Nos célebres embates entre Botafogo e Santos na década de 60, Quarentinha ganhou destaque pelo chute temível e certeiro, que só encontrava rival nos arremates do santista Pepe. Curiosamente, não sorria ou saía pulando ao anotar mais um gol com a camisa da Estrela Solitária. Tal característica causava estranheza num futebol sempre marcado por jogadores excessivamente teatrais nas comemorações de gols.

“Quarentinha jamais celebrou um gol, fosse dele ou de quem fosse. Disparava um morteiro, via a rede estufar, dava as costas e tornava ao centro do campo, desanimado como se tivesse perdido o gol”, escreveu sobre ele o imortal cronista de Xapuri. Na verdade, Quarentinha entendia que fazer gol era sua obrigação.

Todas essas reminiscências brotaram em conversa por telefone com o grande benemérito bicolor Antonio Couceiro, na última quinta-feira. Caprichoso colecionador de histórias do nosso futebol, ele se interessou pelo relato que fiz da influência paraense sobre a escolha da Estrela Solitária como símbolo maior do Botafogo.

Segundo o amigo Paulo André Barata, a estrela botafoguense nada mais é do que uma referência à Spica, a estrela que representa o Pará e que se localiza acima da faixa Ordem e Progresso da bandeira nacional. E o responsável pela homenagem teria sido Benjamin Sodré.

Couceiro faz um pequeno adendo à informação de Paulo André: o filho de Lauro Sodré que ajudou a fundar o Botafogo em 1907 foi, na verdade, Emanuel. Benjamin (Mimi) jogou pelo clube, marcou muitos gols e chegou à Seleção Brasileira.

Como o tema era o Botafogo, Couceiro lembrou de Waldir Cardoso Lebrêgo (Quarentinha), o ilustre paraense que é até hoje o maior artilheiro da história alvinegra. Marcou 313 gols em 442 partidas. Foi revelado pelo Papão, defendeu o Vitória e depois se consagrou em General Severiano.

Honrou a Estrela Solitária por 10 anos (54 a 64) e ainda teve pernas para sair encantando as torcidas colombianas do Unión Magdalena, Deportivo Cáli, Junior Barranquilla e América. Pouco lembrado, ele merece todas as reverências como um dos maiores futebolistas que o Pará já produziu.

Papão e Águia na hora da agonia

Depois de atuações decepcionantes na Copa Verde e no Campeonato Paraense, o Papão tem novo desafio neste domingo, em Marabá, quando enfrenta o Águia em busca de uma vitória que lhe assegure participação na semifinal do returno. O time conquistou o primeiro turno e tem lugar assegurado na final, mas na Curuzu todos sonham em levantar o título estadual de maneira antecipada.

O problema é que o Águia corre desesperadamente atrás dos três pontos que lhe permitirão escapar do rebaixamento. Sem conseguir repetir no returno a boa campanha do turno, a equipe marabaense encara o jogo de hoje como a partida mais importante da temporada.

Do lado alviceleste, a preocupação é não deixar que o mau rendimento dos últimos jogos se transforme em rotina. A fraca atuação da quinta-feira contra o Rio Branco pela Copa Verde deixou patente que a reação deve ser buscada o quanto antes, sem que a ausência de Celsinho se transforme num fardo incômodo.

Bola na Torre

O programa tem apresentação de Guilherme Guerreiro, com as participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O repórter santareno Peninha Povão é o convidado da noite. Começa logo depois do Pânico, por volta de 00h20.

A valsa do adeus

Quando o Campeonato Paraense começou, o Remo era um dos cotados para o título. Bicampeão estadual, mesmo sem grandes investimentos, o time impunha respeito pela força da tradição e a paixão de sua imensa torcida. Foi a bola rolar e os problemas começaram a aparecer.

Sem convencer, chegou à decisão do turno, mas afundou de vez no segundo turno. Em quatro partidas, só marcou três pontos, expondo o pouco caso com que o projeto do tricampeonato foi tocado no clube.

Hoje, contra o classificado (e favorito) S. Raimundo, mudanças radicais. O técnico Marcelo Veiga aposta numa escalação inédita, recheada de jogadores pouco aproveitados ao longo da competição. A grande novidade está no ataque, formado pelos garotos João Victor e Sílvio.

É sempre interessante que os jovens sejam utilizados, mas soa a recurso de fim de festa a oportunidade dada aos enjeitados. De qualquer forma, é uma chance para que todos mostrem serviço e se habilitem a um lugar no time titular.

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