Coluna do Gerson Nogueira – 29.05.16

29 de maio de 2016 at 7:34 pm Deixe um comentário

O desafio azulino

Marcelo Veiga diz ter na cabeça o time para enfrentar o ASA nesta segunda-feira, no Mangueirão. Não quis detalhar a escalação, mas avisou que há um titular imexível: Yuri, como segundo volante. Técnicos costumam fazer mistério quando não têm certeza do que irão fazer, mas, neste caso específico, a definição do homem que vai atuar perto dos armadores evidencia mais um truque estratégico que uma hesitação quanto a nomes.
Yuri foi um dos raros jogadores que se salvaram da derrocada azulina no Campeonato Paraense. Indicado por Leston Junior, o volante custou a se consolidar como titular, até porque quase ninguém conseguia se estabelecer no atrapalhado meio-campo remista.
Sob a batuta de Veiga, Yuri se tornou peça importante, atuando improvisado na lateral direita e até aparecendo como meia-armador em algumas jogadas. Sempre se desincumbiu bem das tarefas que lhe foram delegadas. Talvez por isso tenha ganho agora uma chance de verdade para agarrar a titularidade.
Dono de bom passe e marcador persistente, Yuri pode ajudar a fazer uma transição mais tranquila, dando suporte a Eduardo Ramos e Allan Dias. Schmoller (ou Lucas) ficaria um pouco mais atrás, cuidando mais da proteção aos zagueiros.
Como o jogo deve ser de paciência, com o ASA entrando recuado, lutando pela chamada uma bola, caberá ao Remo desenvolver um sistema dinâmico na meia-cancha, revezando seus meias e buscando surpreender com Fernandinho pela direita e Ciro mais à esquerda.
A ausência de Edno, ainda não legalizado, tirou de Veiga a opção de encorpar as manobras ofensivas e roubou dos dirigentes um grande apelo junto ao torcedor. A estreia de Edno, principal reforço adquirido para a Série C, certamente iria assegurar um incremento substancial na venda de ingressos.
Sem Edno para se aproximar dos atacantes, Veiga mantém o formato usado contra o Cuiabá, apostando em mais velocidade na saída para o ataque. Seu grande problema continua a ser a limitação dos alas Murilo e Fabiano, um tão confuso e pouco agressivo quanto o outro.
Na linha de proteção aos zagueiros está a única dúvida do treinador: Michael Schmoller ou Lucas Garcia. O primeiro é mais forte na cobertura, mas Lucas tem mais velocidade e é mais eficiente no desarme. Deve vencer a queda de braço pela posição. Chicão corre por fora, embora tenha perdido espaço no processo de montagem da equipe.
Outro dilema a ser enfrentado por Veiga diz respeito à eficiência ofensiva do Remo. Apesar de jogar quase sempre com dois atacantes de ofício e dois meias de aproximação, o time desperdiça muitas oportunidades. Em média, são quatro chances claras perdidas por partida. Foi assim desde a reta final do Parazão e também na Copa Verde.
A semana foi pródiga em treinamentos de finalização, mas o técnico sabe que questões relacionadas com o aproveitamento ofensivo têm muitas vezes um componente emocional. Sob pressão, a maioria dos atacantes tende a fracassar no instante decisivo. Ciro, que teve começo de campeonato exuberante, sucumbiu às críticas e nunca mais foi o mesmo.
A Série C surge como derradeira oportunidade de reabilitação para o elenco azulino. Alguns devem mais, outros menos. Remanescentes da era Leston, atletas como Ciro, Ramos, Fernando Henrique e Yuri carregam um peso maior sobre as costas. Será sobre eles que se concentrarão os olhares da massa leonina, inclemente na avaliação de desempenho.
Por todos esses aspectos, será um jogo de afirmação de propósitos do Remo em relação ao sonho do acesso à Série B. Vencer é obrigação.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, que começa logo depois do Pânico, por volta de 00h20. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião compõem a bancada, ao lado de um convidado especial.

Tempos de descompromisso e bola Pelé

Circula na internet um texto de autor desconhecido que descreve, com graça e picardia, os mandamentos básicos da boa pelada, aquela praticada com requintes de certa inocência. Na periferia das cidades e nos campinhos de terra batida do interior ainda é possível acompanhar a faina de boleiros que correm atrás da redonda sem qualquer preocupação maior, além do puro prazer imediato da comemoração entre amigos.
Está escrito lá no receituário que a escolha dos times obedece a um ritual sagrado: os melhores escolhem os demais jogadores e a humilhação fica para os últimos a serem mencionados, invariavelmente os pernas-de-pau do grupo.
Não há discussão também quanto ao critério de marcação de faltas. A bola só é parada em casos extremos, de dente quebrado ou perna esfolada. Sem árbitro oficial, as infrações sempre favorecem a quem se manifestar no grito ou pendem para o dono da bola.
Lembrei logo de Baião e dos campinhos carecas no sítio São Francisco, onde alguns candidatos a boleiros corriam religiosamente atrás de uma bola Pelé avermelhada, com direito a muitas caneladas e rapapés pelo caminho.
Como feliz dono de uma dessas bolas, gostosas de chutar e fáceis de dominar, eu estabelecia as regras de convivência entre times liderados por carniceiros, como o temível Oséas, um zagueiro ferrabrás que daria inveja em Junior Baiano.
Tempo de jogo, arremessos laterais, pênaltis e dúvidas mais agudas sempre eram entregues á análise do escriba que vos fala, respaldado pelo direito inalienável conferido pela propriedade da esfera.
Não havia videogame e a TV não massacrava com a repetição de lances fenomenais de boleiros estrangeiros. Fazíamos o que dava na telha, imaginando e tentando reproduzir as diabruras de Tostão, Rivelino, Jairzinho e outros bambas do nobre esporte bretão.
Éramos felizes e não sabíamos.

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