Coluna do Gerson Nogueira – 31.05.16

31 de maio de 2016 at 6:48 pm Deixe um comentário

Decepção azulina

Remo e Asa fizeram o jogo mais chinfrim da temporada no Mangueirão, e toda a responsabilidade pelo baixo nível técnico pertence aos remistas. Jogadas sem complemento, erros primários de posicionamento, overdose de passes errados, falhas grotescas de marcação, ausência de vida inteligente no meio-de-campo e indigência ofensiva.

Parece impossível um time ter tantos defeitos de uma só vez. Pois o Remo de ontem à noite conseguiu esse questionável feito. Começou o jogo capengando no acompanhamento das jogadas em velocidade do Asa, que tomou conta da intermediária azulina posicionando o veterano Ramalho como organizador e tendo lá no comando do ataque o grandalhão Jefferson Baiano.

Depois de umas três manobras perigosíssimas em cima do lateral direito Murilo, o Asa chegou ao gol em cruzamento perfeito para o cabeceio fulminante de Jefferson, aos 17 minutos. Travado, o Remo não saía para o jogo. Quando tentava, a bola espirrava ou rebatia na canela dos próprios azulinos, aparentemente atordoados com os gritos de incentivo dos 14 mil torcedores nas arquibancadas.

A vantagem imposta pelo Asa logo de cara foi se consolidando ao longo do primeiro tempo, pois apenas Eduardo Ramos demonstrava lucidez em jogadas pelo meio da defesa do Asa, mas padecia da falta de acompanhamento. Allan Dias, que deveria ser o parceiro nessas investidas, ficou sem função pelo lado esquerdo do ataque, perdendo todas para a zaga adversária.

Fernandinho até evoluía com a bola, mas sem ela virava presa fácil para a marcação, isolado entre os zagueiros. Ciro não apareceu em campo. Isto é, quando apareceu foi por três impedimentos seguidos.

Por isso, não surpreende que, em meio a essa barafunda, a única tentativa válida foi num chute forte de Eduardo Ramos, que passou perto do travessão.

Quando se esperava que Marcelo Veiga providenciasse mexidas drásticas para tentar sacudir o time e dar uma injeção de ânimo, tudo permaneceu como dantes. A primeira substituição só veio aos 5 minutos, quando Sílvio entrou no lugar de Ciro.

O Asa seguia ditando o ritmo, sem se afobar, tocando a bola com rapidez e correção. Um jeito inteligente de gastar o tempo e cansar o Remo, que sofria com a marcação deficiente por parte dos volantes Lucas e Yuri e com o imenso buraco nas duas laterais – Fabiano e Murilo disputavam quem era o pior em campo.

Rápido e driblador, Sílvio trouxe uma chama de esperança, mas logo se apagou também por absoluta falta de jogadas no ataque. O Remo só ameaçava quando Ramos pegava na bola e partia em direção à área. O problema é que, vigiado sempre por dois marcadores, o meia foi cansando e no final apenas caminhava em campo.

João Victor seria a próxima atração, substituindo a Allan, que deixou o gramado sob intensas vaias. Talvez não tenha sido o maior culpado pela baixa eficácia dos ataques do Remo, mas contribuiu bastante. Héricles, que entrou a cinco minutos do fim, conseguiu ser bem mais produtivo. Nos acréscimos, quase empatou, mas o chute saiu à esquerda do gol. Sílvio, de puxeta, ainda mandou uma bola no travessão. Fernando Henrique cabeceou rente ao poste. E terminava assim, de forma melancólica, a primeira apresentação do Remo diante de sua torcida nesta Série C.

Pelo que mostrou, todas as esperanças de acesso ficaram temporariamente suspensas. Com a facilidade com que se deixou envolver pelo modesto Asa, é sensato dizer que a luta vai ser para evitar o rebaixamento.

O certo é que o time de Veiga fez lembrar o caos tático dos tempos de Leston Junior.

Com simplicidade, Asa mandou em campo

Jaelson, técnico do Asa, pode ser saudado como o verdadeiro vencedor do jogo. Armou seu time com solidez defensiva e dinamismo nas ações do meio, entregues ao veterano Ramalho. O mais incrível é que o Asa está treinando há apenas 11 dias e atravessa problemas administrativos sérios.

A determinação de Jaelson contrastou com a demora de Veiga em procurar modificar um quadro inteiramente desfavorável. A entrada de Héricles a 6 minutos do fim é prova disso.

O Asa foi sempre mais decidido, organizado e perigoso quando partia com a bola dominada. Podia ter chegado ao segundo gol em lance de pênalti não assinalado pelo árbitro no segundo tempo – é verdade que a zaga visitante também botou a mão na bola em lance ocorrido logo depois.
No Remo, além do fato de que foi apenas a segunda rodada, há a expectativa positiva quanto à entrada de Edno e Jussandro na equipe e o retorno de Levy à lateral direita. De todo modo, será preciso mexer com os brios do time, que ontem se mostrou excessivamente atrapalhado na maior parte do tempo.

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