Coluna do Gerson Nogueira – 03.06.16

3 de junho de 2016 at 5:31 pm Deixe um comentário

Um triste diagnóstico

Alfio Basile, ex-técnico da seleção da Argentina, espinafrou a Seleção Brasileira atual. Disse, com ar saudosista, que antigamente o futebol brazuca impunha respeito e sempre tinha jogadores de altíssimo nível. Para exemplificar, observou que a derrocada é tão séria que na recente Copa do Mundo o centroavante do Brasil era Fred. Segundo ele, o Brasil atual é o pior de todos os tempos.
Pode ser desagradável ouvir isso de um ex-jogador e técnico rival, mas não se pode dizer que Basile foi injusto. De fato, poucas vezes na história, o Brasil esteve tão pobre e desprovido de craques como agora. Neymar é a exceção em meio a um verdadeiro exército de jogadores comuns.
Basile citou o limitado Fred como símbolo, mas poderia ter mencionado Hulk, David Luiz, Willian, Fernandinho, Daniel Alves ou qualquer outro atleta daquela caricata Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 2014.
E aqui cabe um adendo para justificar a citação de Fred por Basile. Muitos irão dizer que o atacante do Fluminense é um especialista em fazer gols. É verdade. Ocorre que essa faceta de goleador só foi mostrada em clubes. No escrete canarinho, onde a história é outra, Fred foi sempre muito questionado.
Por coincidência, recebi ontem uma ligação de Ambire Gluck Paul, desportista e bicolor juramentado. Falamos exatamente sobre o estágio do futebol no Brasil. Passado o impacto da vergonhosa goleada para a Alemanha, em Belo Horizonte, os equívocos na formação de atletas permanecem os mesmos de antes.
Ambire observa que, ao contrário do que já acontece em outros países, jogadores são submetidos a escolinhas sem qualquer qualificação para ensinar técnica e fundamento do esporte. Sob o comando de profissionais pouco habilitados, os meninos são obrigados a deixar a individualidade de lado e esquecer o drible como recurso.
Recebem preparação para ganhar musculatura e altura, mas não ganham o necessário estímulo para explorar o talento natural com a bola nos pés.
O Brasil glorioso e altivo, dos cinco títulos mundiais, era uma potência nascida naturalmente, com a revelação fabulosa de jovens boleiros, detentores de técnica diferenciada, capazes de diabruras com a bola – e sem ela. A liberdade criativa permitiu o surgimento de gênios como Pelé e Garrincha, supercraques como Tostão, Rivelino, Didi, Gerson, Romário e Ronaldo Nazário.
Hoje, com o sistema de fabricação voraz de atletas visando o mercado externo, alguns desses grandes talentos do passado correriam o sério risco de reprovação nos testes ministrados nas escolinhas de futebol. Paulo Henrique Ganso, um dos últimos representantes do estilo clássico de jogar, só agora foi chamado por Dunga para a disputa da Copa América Centenário.
O fato de Ganso ter sido a terceira opção (depois de Douglas Costa e Kaká) é revelador dos conceitos que povoam a cabeça do treinador. E a presença de Dunga pilotando a Seleção é a prova maior da decadência apontada por Basile.

Papão às voltas com o fogo amigo

Emerson; Edson Ratinho, Domingues, Pablo e Lucas; Augusto Recife, Ricardo Capanema, Jonathan e Rafael Costa; Alexandro e Fabinho Alves. Esta é a formação que Dado Cavalcanti utilizou no treino de ontem, em Salvador. Pelo visto, será o time titular do Papão para enfrentar o Bahia na Arena Fonte Nova, hoje à noite.
Com tantos desfalques por razões médicas, o Papão terá que fazer um jogo de cautela diante do tricolor baiano, mas sem exagerar no recuo. A situação na tabela, a um passo da zona de rebaixamento, obriga a equipe a ir em busca dos três pontos, mas o fato é que as baixas desfiguram o esquema vitorioso usado no Parazão e na Copa Verde.
A situação é tão séria que Dado tem passado mais tempo preocupado com a quantidade de jogadores para montar a equipe do que em planejar as estratégias de jogo. Um exemplo claro disso é a escalação de Domingues, um zagueiro ainda sem o necessário encaixe e entrosamento com os companheiros.
Outro problema está na lateral-direita, onde o titular Roniery saiu lesionado da partida contra o Brasil, em Pelotas, forçando a entrada do suplente Edson Ratinho, também ainda longe do ponto ideal. Lucas, artilheiro do time, volta à lateral esquerda, substituindo ao titular João Lucas.
Boa notícia é o retorno de Alexandro ao comando do ataque, depois de cumprir suspensão. Com Fabinho Alves em boa fase, o setor tende a evoluir com o retorno do titular.
O grande enigma se concentra no setor de criação. Rafael Costa não se mostra suficientemente à vontade para a articulação de jogadas. Só teve boa atuação na estreia, contra o Ceará. Caiu bastante nos jogos contra Oeste, Tupi, Luverdense e Brasil.
Mais do que nunca, Dado precisará que a equipe funcione e consiga cumprir a estratégia de jogar por uma bola. Para tanto, a defesa terá que ser mais sólida e o meio-campo não pode ser tão lento como foi diante do Brasil.
Jogo naturalmente difícil, tanto pelo potencial do Bahia quanto pelas dificuldades de momento do Papão, que ainda não conseguiu repetir uma escalação ao longo do campeonato.

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BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 02.06.16 BOLA PRA FRENTE – Cláudio Guimarães – 03.06.16

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