Coluna do Gerson Nogueira – 10.04.2017

10 de abril de 2017 at 3:30 pm Deixe um comentário

Bastardos gloriosos

 

O futebol, como a vida, às vezes avança quando dele menos se espera. É tão forte que consegue dar passos evolutivos em meio à mais inclemente das pindaíbas. Por força da necessidade, a dupla Re-Pa parece parece de repente ter redescoberto o imenso celeiro de jovens jogadores, quase sempre inaproveitado em épocas de bonança econômica.

A mudança de filosofia mais óbvia se verifica no Remo. Atordoado pelas dívidas (trabalhistas e fiscais, principalmente) e na iminência de perder patrimônio, o clube lançou mão do que as divisões de base produziram nos últimos cinco anos.

No Papão, a situação é um pouco mais tranquila. Não há o desespero por obter receita que tanto assola o rival, mas existem problemas de natureza técnica. Nos tempos bicudos ora vividos pelo futebol brasileiro, garimpar bons jogadores no mercado da bola virou uma quase loteria.

E é justamente aí que desponta a importância dos boleiros feitos em casa. Na Curuzu, alguns se destacaram aliando sucesso junto à torcida com a valorização externa, como Yago Pikachu, que não rendeu dinheiro ao clube, mas foi importantíssimo enquanto defendeu a camisa alviceleste.

No confronto de sábado em Paragominas, válido pela 10ª rodada do Campeonato Estadual, o Remo alinhou nada menos que 10 atletas caseiros: Jefferson, Tsunami, Max, Lucas Vítor, Gabriel Lima, Felipe, Luís Cláudio, Caio, Jaquinha e Fininho.

O nobre leitor e baluarte há de ponderar que isso ocorreu porque o técnico Josué Teixeira não tinha outra saída, com tantos titulares lesionados e suspensos. Acontece que, em outros tempos, até recentes, o elenco estaria recheado de sucatas importadas de outras praças. Atletas inferiores (e mais caros) aos jogadores regionais.

Sem dinheiro em caixa, a nova diretoria arranjou soluções simples e caseiras, fugindo aos custos de contratações duvidosas. Foi assim que, além dos moleques da base, o Remo manteve Flamel e trouxe os laterais Léo Rosa e Jaquinha, talvez suas duas melhores contratações no ano.

Diante de cenário tão educativo, é razoável perguntar: por que os dirigentes não pensam sempre em alternativas que sejam compatíveis com as finanças dos clubes¿ Será preciso sempre atravessar uma crise braba para enxergar as saídas mais inteligentes e sensatas¿ Que todos aprendam a lição deste começo de 2017: os jovens “bastardos” das divisões de base merecem mais atenção, respeito e oportunidade.

 

 

Arbitragem capenga e a volta triunfal de Sassá

 

Acompanhei ao treino de luxo do Fogão para a batalha contra o Atlético Nacional no meio da semana que se inicia. Uma coisa ficou óbvia: Sassá, bem condicionado, é um dos mais perigosos atacantes brasileiros. Só precisa ajustar mais a pontaria e aprender a tomar a decisão certa no último instante – item fundamental no arsenal de um atacante, segundo mestre Tostão. Em velocidade, drible e controle de bola, Sassá já é um dos melhores em atividade no país.

Provou isso ao se livrar de um marcador e bater inapelavelmente na saída do goleiro Júlio César. Gol que lembrou outro astro imortal botafoguense, o “furacão” Jairzinho, pai do técnico Jair Ventura. Sassá enfrentou problemas de ordem pessoal, andou pisando na bola no aspecto disciplinar e pegou um período de gancho no clube. Volta agora em melhor forma e pronto a reforçar o Botafogo no Carioca e na Libertadores.

Outro detalhe a observar no clássico entre Botafogo e Fluminense foi o baixo nível da arbitragem. Além da falha clamorosa no segundo gol alvinegro – vários jogadores na linha de impedimento –, o trio ainda vacilou na aplicação de critérios para faltas e cartões. É preciso haver mais seleção no setor de arbitragem, urgentemente.

Por fim, resta a constatação de que os cariocas criaram neste ano o campeonato mais escalafobético dos últimos tempos. Dividida em duas partes – Taça GB e Taça Rio –, a competição só dá valor de fato à primeira taça. Quem ganhar a Taça Rio (Vasco ou Botafogo) não terá qualquer vantagem extra nas finais.

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