Coluna do Gerson Nogueira – 27.04.17

28 de abril de 2017 at 2:42 am Deixe um comentário

Decisão em aberto

 

Para um time cheio de volantes o meio-campo, o Papão até que fez um excelente primeiro tempo na Vila Belmiro, criando duas boas chances de gol e jogando sem medo. Como de hábito, porém, o desembaraço ofensivo da metade inicial cedeu lugar ao excesso de cuidados na etapa final. Acuado, o time permitiu ao Santos exercitar a troca de passes e as inversões de jogadas, seus principais trunfos. A pressão aumentou sobre a zaga e levou à justa vitória dos donos da casa por 2 a 0.

De maneira geral, o jogo foi bem mais equilibrado do que expressam os dados estatísticos, segundo os quais a atuação santista pareceu mais brilhante do que realmente foi. O Peixe teve, por exemplo, massacrantes 69% de posse de bola, mas na prática ficou trocando bolas junto à linha lateral e no setor defensivo. A coisa só mudou de figura no segundo tempo com a queda de ritmo e os seguidos erros de passe cometidos pelos bicolores – foram 24 só nesta fase do jogo.

Quando a bola rolou, a postura do time de Marcelo Chamusca chegou a surpreender pela ousadia nas arrancadas pelos lados. Os volantes se adiantavam e criavam condições para que Leandro Carvalho e Bergson recebessem bolas em condições de arremate.

A zaga santista custou a perceber os riscos que corria deixando os atacantes mais ou menos à vontade. Aos 29 minutos, um chutão de Gilvan para o ataque pegou Leandro entre os zagueiros. Ele avançou para finalizar dentro da área, mas o goleiro Vanderlei evitou o gol. Só quase ao final do 1º tempo é que Dorival Jr. reforçou a marcação sobre Leandro e passou a vigiar Wesley e Rodrigo Andrade, que jogavam livres com a bola nos pés.

Lento e pouco ligado no jogo, o Santos parecia confiar que os gols sairiam naturalmente. Vítor Ferraz, que já defendeu o Águia, resolveu mostrar que sabe passar de calcanhar e fazer outras firulas dispensáveis. Enquanto o Peixe fazia gracinhas, os bicolores iam se assanhando e ameaçando, a partir do bom posicionamento da retaguarda. Ricardo Oliveira só teve uma chance de chutar em gol, David cabeceou nas mãos de Emerson e Lucas Lima passou em branco, tendo ainda o desprazer de levar um drible desconcertante de Leandro Carvalho.

Depois do intervalo, ao ver que a coisa estava mais complicada do que o previsto, Dorival pôs o Santos no ataque, adiantando Renato e os laterais e aproximando Lucas Lima do hábil Bruno Henrique pela esquerda. Foi por ali que nasceu o primeiro gol, aos 4 minutos. Bruno Henrique preparou o tiro sob os olhares de Ayrton e Wesley, que continuaram olhando, e disparou na gaveta de Emerson, sem defesa. Golaço para levantar o astral da tropa peixeira e sacudir os bicolores.

Mas, de olho no regulamento, o Papão se encolheu ainda mais, receando sofrer um placar dilatado. O Santos foi então se impondo e o jogo virou um duelo de ataque contra defesa. Chamusca substituiu Rodrigo por Diogo Oliveira, para fazer a bola parar no meio e adicionar qualidade ao contra-ataque, mas o meia-armador entrou mal e nada acrescentou tecnicamente.

Leandro Carvalho saiu para a entrada de Jonathan, que desfrutou de boa oportunidade em cruzamento na área já nos instantes derradeiros. Do outro lado, a insistência santista acabou premiada. O colombiano Copete (que substituiu Mateus Ribeiro) marcou o segundo gol, aos 43’.

O resultado deu tranquilidade ao Peixe, mas não foi um desastre para os bicolores, que têm condições de reverter em Belém. Atuações destacadas de Emerson, Perema, Hayner e Leandro Carvalho.

 

 

O mais novo escândalo da Conmebol

 

O futebol é, de fato, mãe generosa para muita gente. A Conmebol acaba de descobrir, em investigação interna, um rombo de mais de R$ 440 milhões em suas finanças. É a herança nefasta do reinado de Nicolas Leoz, o cartola paraguaio que seguiu à risca os passos do guru João Havelange, tanto em longevidade quanto em capacidade de trapacear.

Fica a impressão clara de que, a cada nova mexida no lamaçal do futebol sul-americano, o fedor só aumenta. Para ter alcance mais amplo, as investigações deveriam se concentrar nos contratos de licenciamento de produtos, patrocínios e direitos de transmissão.

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