Coluna do Gerson Nogueira – 05.05.17

5 de maio de 2017 at 11:03 am Deixe um comentário

Saiu barato

 

O Papão saiu no lucro. A estratégia de poupar alguns titulares era arriscada, todo mundo sabia, e acabou se revelando ainda mais prejudicial ante a qualidade exibida pelo bem arrumado Luverdense, que meteu 3 a 1, jogou quase todo o 2º tempo com um atleta a mais e podia ter feito pelo menos mais três gols. Foi o início da decisão da Copa Verde e a diferença de dois gols terá que ser descontada pelos bicolores no Mangueirão no dia 16.

É preciso considerar que, ao mesmo tempo em que as mudanças alteraram para pior a maneira de jogar do Papão, é injusto atribuir a vitória mato-grossense aos desfalques bicolores. O Luverdense ganhou porque foi sempre melhor, com um toque de bola envolvente e objetivo.

Quando Leandro Cearense investiu pela esquerda e deu o passe perfeito para Sobralense abrir o placar, aos 6 minutos, imaginou-se que o time alternativo de Chamusca poderia aprontar uma surpresa na Arena Pantanal.

Acontece que a desvantagem não abalou o LEC, que seguiu trocando passes e lançamentos entre seus quatro meio-campistas – Eric, Rafael Silva, Marcos Aurélio e Douglas Baggio –, fiel ao desenho tático e em franco predomínio sobre os volantes Recife e Rodrigo Andrade.

O empate veio naturalmente, sem desespero, apenas cinco minutos depois, bem ao estilo de jogo praticado pelo LEC. Avanço rápido do ala Paulinho até a linha de fundo, cruzamento endereçado ao meio da área e finalização perfeita de Eric na saída de Emerson.

A superioridade técnica era tão flagrante que o LEC às vezes se dava ao luxo de cadenciar o ritmo, como a iludir o setor defensivo do Papão. De repente, partia em bloco, fazendo tabelinhas com até seis jogadores para atormentar a última linha de marcação.

Com a massacrante posse de bola no meio-campo, o Papão sofria para fazer seus atacantes entrarem no jogo. Jonathan ficava preso no auxílio à marcação, Sobralense sumido em algum lugar do campo e Leandro Carvalho tentando resolver tudo sozinho.

No desespero, Recife só parava os avanços do adversário fazendo faltas seguidas, algumas violentas. Só sossegou depois de levar o amarelo no lance que originou o segundo gol do Luverdense, em perfeita cobrança de Marcos Aurélio, aos 41 minutos. Antes disso, Emerson teve que fazer quatro grandes intervenções, quase sempre dando o rebote.

Além do descompasso no meio, havia a dificuldade para acompanhar a movimentação dos alas adversários, Anderlan e Paulinho, sempre em sintonia com Eric e Rafael Silva. Hayner não marcava bem e não tinha a cobertura necessária para tentar ir à frente.

No segundo tempo, logo aos 11 minutos, após cruzamento na área, o zagueiro Dalton desviou para marcar o terceiro do Luverdense. Logo a seguir, Hayner aplicou uma cotovelada em Rafael Silva e foi expulso, tornando mais penosa a busca por uma reação.

Chamusca optou então por dificultar os passos do Luverdense e impedir um placar mais dilatado. Acabou conseguindo seu intento porque o adversário cansou e perdeu força com as saídas de Rafael e Marcos Aurélio, substituídos por Fumaça e Gabriel Leite, respectivamente.

Will entrou no lugar de Jonathan, Diogo Oliveira substituiu a Sobralense e Ayrton substituiu Cearense, mas a parada já estava liquidada e ficou clara a preocupação em apenas não tomar mais gols. Eric (2) e Fumaça ainda perderam grandes oportunidades nos instantes finais.

Nas circunstâncias, o placar foi até brando, tanto pelas brechas permitidas pelo Papão quanto pela grande atuação do LEC. A vantagem é significativa, mas pode ser revertida em Belém.

 

 

Sem criatividade, o jogo vira sofrimento

 

A falta de criação no meio-campo é o grande calo do Papão, cujo jogo fica travado sempre, no 4-3-3 ou 4-2-3-1. Sem um bom organizador, o time de Marcelo Chamusca é obrigado a fazer ligação direta e transição de risco. Supera adversários limitados, mas sofre muito quando encara equipes bem ajustadas, com jogadores criativos na armação de jogadas. Foi exatamente assim contra Santos e LEC.

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