Coluna do Gerson Nogueira – 31.07.17

31 de julho de 2017 at 7:53 pm Deixe um comentário

Entre a cruz e a espada

 

A entrevista do presidente do Remo ao caderno Bola de ontem abriu novas frentes de preocupação quanto ao futuro de sua gestão – e às consequências para a vida do clube. Um dos pontos mais espantosos foi a admissão de que não foi ouvido nem cheirado sobre a contratação da “legião de reforços” na gestão de Josué Teixeira. Em plena vigência do regime presidencialista, é inadmissível que um mandatário se omita a esse ponto, deixando de tomar as providências que o poder lhe confere.

É grave também a informação de que Josué tinha autonomia até para definir os salários dos contratados, mais ou menos como funcionam os gerentes de futebol na Europa. O problema é que o técnico adquiriu uma gama de influência que, em situação normal, não pode ser considerada benéfica à condução de um elenco. Corre o clube riscos imensos de vir a ser prejudicado em situações desse tipo.

No caso do Remo, a escolha dos titulares pode ter sido diretamente influenciada pelos interesses e acordos fechados nas contratações. Por coincidência, todos os ditos reforços ganharam prioridade na escalação assim que o Campeonato Brasileiro começou, acarretando prejuízos técnicos irrecuperáveis.

A inobservância desses problemas configura um pecado grave em qualquer administração. Aliás, há um princípio penal chamado “condescendência criminosa” para definir o comportamento de administradores que protegem ou silenciam sobre atos ilícitos.

Outro aspecto que suscita reflexão diz respeito ao contrato firmado com o técnico Josué Teixeira. Segundo o presidente remista, não havia vinculação com a pessoa física, mas com uma empresa, o que não elimina as responsabilidades trabalhistas, visto que o profissional era publicamente reconhecido como um funcionário do clube.

O presidente menciona também irregularidades que teriam sido praticadas por gestões passadas. Aí surge uma questão óbvia: se as ilicitudes estão provadas, por que não são denunciadas formalmente? A omissão de gestores é pecado punido com rigor e merecedor de posicionamento enérgico por parte do Conselho Deliberativo.

Em tempo: o benemérito Ronaldo Passarinho, sócio proprietário do clube desde 1952 e um dos mais devotados dirigentes da história azulina, cobra até hoje informações sobre a gestão Zeca Pirão. Apresentou questionamento em agosto de 2015, sem merecer qualquer resposta por parte de Codir, Confins e Condel.

Ronaldo solicitou a prestação de contas do primeiro semestre de 2015, período no qual foram vendidos camarotes, camisas da promoção 33 e cadeiras para o projeto do “novo Baenão”, que resultaria depois no desmanche do estádio. Espera até hoje por uma resposta dos Conselhos. Por que a verdade e a transparência são sempre tão difíceis de encontrar dentro dos arraiais leoninos?

 

Leão precisa pontuar para não deixar o G4

 

Com 16 pontos, o Remo está na 4ª colocação do grupo A da Série C, imprensado entre o Salgueiro (três pontos à frente) e a dois pontos de Salgueiro, Botafogo-PB e Cuiabá, seu adversário desta noite. Para permanecer na parte de cima, precisa vencer ou empatar.

O retrospecto recente é favorável às pretensões remistas. Os últimos jogos fora de casa terminaram em empates – contra o Sampaio Corrêa, em São Luís, e diante do Fortaleza, na capital cearense.

Léo Goiano, invicto no comando da equipe, ainda tenta dar ordenamento tático e padrão de jogo ao time. As maiores dificuldades têm a ver com fundamentos básicos. É notório, por exemplo, que os jogadores não conseguem executar jogadas simples porque erram passes curtos.

O rendimento de alas e volantes também precisa ser corrigido. O primeiro combate à frente da defesa tem se mostrado deficiente, tanto com Ilaílson quanto com João Paulo, que volta a atuar hoje. Nos lados, nem Léo Rosa, nem Jaquinha rendem o que já apresentaram ao longo da temporada. As atuações de ambos têm representado sérios riscos à equipe.

Por conhecer os jogadores, Léo Goiano tem insistido com ambos, mas o bom senso já recomenda a busca de alternativas. O elenco não tem variedade tão grande de opções, mas a improvisação de Jayme e Jefferson poderia ser observada.

 

 

Cálculos e projeções na pauta alviceleste

 

O Papão já assimilou o golpe da derrota em casa para o Ceará e parte para tentar a recuperação frente ao Santa Cruz, amanhã, na Arena Pernambuco, penúltimo compromisso pelo chamado primeiro turno da Série B.

Neste momento, as contas ainda permitem visualizar boas perspectivas. A quatro pontos do 10º colocado (Paraná Clube), o time depende de suas próprias forças para voltar à primeira página da classificação.

Precisa, porém, mostrar consistência para entrar de novo na briga por posições melhores. A maneira desleixada com que encarou o Ceará compromete qualquer prognóstico otimista.

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